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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Solução Contra o Fundamentalismo Islâmico: Apoiar os Muçulmanos Reformistas

Islamistas europeus em Luta pelo “Estado Islâmico” afligem a Europa

Por António da Cunha Duarte Justo - Jornalista

Portugal tem 12 Jihadistas, do Brasil não se conhecem Estatísticas.

No Iraque e na Síria encontram-se cerca de 30.000 jihadistas estrangeiros de 83 países, que se aproveitam da experiência aí feita para uma melhor organização de redes de grupos terroristas internacionais. Estes, quando regressam aos países de origem, fomentam o terrorismo, em nome da resistência islâmica.

Segundo estatísticas da revista alemã Cícero-11.2014, há na Síria e no Iraque 1.000 combatentes da França, 600 da Inglaterra, 550 da Alemanha, 300 da Bélgica, 250 da Austrália, 120 da Holanda, 100 da Dinamarca, 70 dos USA, 50 da Noruega, 60 da Áustria, 30 da Irlanda, 30 da Suécia, etc..

Na Síria já morreu um jihadista português em combate pela instauração do Estado Islâmico (EI). Portugal tem 12 guerrilheiros na guerra santa (jihad), dos quais dois são mulheres (muitas mulheres jihadistas oferecem o sexo para os guerreiros de Alá, talvez no sentido de anteciparem o paraíso dos homens!). Há também jihadistas brasileiros mas não são abrangidos por estatísticas; O Brasil tem redes de recrutamento e propaganda em meios salafistas (fluxo rigorista do Alcorão) e outros grupos jihadistas como: (http://islam-maranhao.blogspot.com). Na Europa abundam as redes de organização, como: Sharia4Belgium ou “Profetens Ummah" (Noruega) e na península ibérica especialmente o grupo Sharia45Spain que, além do mais, quer minar as Constituições dos 2 países ibéricos. 

O recrutamento preferido dos jihadistas processa-se através das suas estruturas logísticas da internet. Este atinge sobretudo a camada jovem atraída e radicalizada sobretudo por grupos em torno dos salafistas, da Sharia e outros.

A Europa está inquieta com os novos mujahedin internacionais. Já se conta, na Europa, com atentados de decapitação e outros. Afeganistão formou uma geração de bombistas nas décadas passadas e agora sucede-se-lhe o Estado Islâmico.

Muitos jihadistas ficam desiludidos, quando notam que na Síria os próprios sunitas se combatem uns aos outros. Por isso no regresso de terroristas islâmicos às nações deveria haver mais diferenciação no seu trato, porque os há que em contacto com a realidade se desiludiram, outros ficaram traumatizados e outros ainda mais radicalizados.

Muçulmanos e não muçulmanos têm medo de Islão

Assiste-se a uma radicalização religiosa e política principalmente da juventude que se encontra desempregada e num vácuo entre a família paterna e uma família a fundar; são pessoas perdidas que não sabem onde pertencem e encontram na ideologia islâmica um sinal a brilhar no seu caminho escuro; a mais fácil forma de sobressair é converter-se ao islão e colocar-se ao seu serviço.

O salafismo apresenta um projeto contra a sociedade ocidental, que se serve da música Rapper para, no sentido jihadista lutar contra a corrente e contra o ocidente, como fazem Jihadi John e Deso Dogg, que figuram como estrelas pop. Por isso, os salafistas encontram-se na Alemanha sob observação do Estado!

Em nome de uma revolução hegemónica, justificam-se os meios bárbaros e a intenção de chamar a atenção para a causa islâmica. Nas mesquitas prega-se normalmente em turco ou árabe sem preocupação por esclarecer e continua a defender-se a separação em relação aos não islâmicos, apelidados de incrédulos ou infiéis. Nas mesquitas entram à vontade moderados e extremistas.

O islão extremista vive de teorias de conspiração do ocidente, dos judeus e até dos xiitas, contra o Islão (Sunita), e fundamenta-se no Corão e nas Hadith; os imãs nas suas mesquitas, no dizer de gente inside, não se declaram criticamente em relação aos versos do Corão que apelam à violência <--- (**versículo tirado do contexto ou mal interpretado)., não falam do direito a determinar o próprio modo de vida (calam os casamentos forçados), calam a violência da sharia, silenciam o aspecto problemático do uso do lenço e do chador, ocultam a discriminação da mulher, etc. Chega-lhes a jihad, o esforço interior e contra o exterior.
O Flerte cínico cultivado entre Figurantes da Tolerância religiosa

Em muitos dos nossos colóquios universitários sobre o Islão e nas rondas públicas de tolerância ad hoc, os conferencistas falam de permuta de ideias acentuando o lado pacífico do Islão. Ao omitir-se os aspectos críticos, e ao não convidar-se muçulmanos críticos, como referentes, impede-se uma discussão séria, de olhos nos olhos. Peca-se assim por omissão e fomenta-se a intolerância do Islão institucional contra um islao que se quer modernizar e contra muçulmanos críticos que ao criticar versos agressivos do Corão e dos hadith (Hádices) de Maomé, são hostilizados pela generalidade, e chegam mesmo a colocar a própria vida em perigo dentro das suas fileiras islâmicas. A estes, que poderiam contribuir para a evolução do islão tira-se-lhes o tapete. Deste modo, intelectuais não islâmicos tornam-se cúmplices de um islão conservador e segregador porque reservam o mícron aos conformes ou oportunos.

Mulheres e homens islâmicos corajosos, porque críticos de irracionalidades islâmicas, precisam de um palco que permita a modernização do Islão. Quem dá a palavra a estes é verdadeiramente amigo do islão; quem dá guarida e projecção aos conservadores islâmicos e aos falantes suaves islâmicos serve, muitas vezes, a hipocrisia. O islão precisa de reforma e quem precisa de palco público, para motivarem outros irmãos, são os reformistas. O resto é show de mútuas vaidades brilhantes mas um mau serviço ao Islão, porque quer o status quo, não apoia a formação de um islão tolerante. Afirmo isto também devido à longa experiência de convivência e até apoio a grupos islâmicos da cidade.

Nenhuma Constituição de um país civilizado legitima o terrorismo, nenhum país civilizado aceita o facismo; o Corão e as Hádices fazem-no e tudo aceita isso como um dado religioso aceite e indiscutível pelo facto de trazer a etiqueta de religião. Não podemos legitimar o islão como arma aceitando também a premissa islâmica que uma mentira em favor do Islão é uma virtude! <--- (**versículo tirado do contexto ou mal interpretado).

É preciso modernizar o Profeta Maomé, não o deixando preso num patriarcalismo avoengo do Antigo Testamento. A ignorância e o oportunismo engravatado perante o Islão contribui para que este não passe da sua idade média nem do referido patriarcalismo próprio de zonas pobres e nómadas.

A jornalista turca de Berlim, Güner Yasemin Balci afirma em Cícero: “Muçulmanos e não muçulmanos têm medo do Islão. O Islão é uma arma carregada, devemos finalmente descarregá-la”.
As causas da violência e do não desenvolvimento no islão vêm-lhe da falta da ausência de pensamento autocrítico e da presunção dos que não querem reformar o Islão para manterem uma atitude de desprezo perante as outras religiões.
Urge ajudar as forças reformistas dos muçulmanos e não manter o Islão institucional em banho-maria como se faz em muitas agremiações, conferências e confrarias.
A honradez é o tesouro mais profundo que cada pessoa tem a guardar, mas na consciência de que a honra que nos é devida se encontra no próximo a respeitar.

terça-feira, 4 de abril de 2017

A VERDADE SOBRE O "HIJAB"

Recentemente, o ressurgimento de "hijabs", juntamente com a obrigação deles por vários países, levam muitos a acreditarem que as mulheres muçulmanas são obrigadas pela sua religião a usá-los. Nesta palestra informativa, a romancista Samina Ali nos leva em uma jornada de volta aos tempos de Maomé para revelar o que o termo "hijab" realmente significa; e não é o véu da mulher muçulmana! 
Então, se não é o véu, o que o termo "hijab" realmente significa? Os fundamentalistas têm distorcido o termo para negar às mulheres seus direitos?
Esta ideia surpreendente e sem precedentes não irá apenas desafiar suas suposições sobre o "hijab", mas irá mudar o modo como você enxerga a mulher muçulmana.
Samina Ali é uma premiada autora, ativista e comentarista cultural. Seu romance de estréia, "Madras on Rainy Days", ganhou o prestigiado prêmio francês Prix Premier Roman Etranger Award, e foi finalista para o prêmio PEN/Hemingway Award em ficção. Seu trabalho é guiado por sua crença em narrativas pessoais, como força para mulheres alcançarem liberdade individual e política atrelando a força da mídia para transformações sociais. Ela é curadora da exibição virtual aclamada por críticos que rompeu barreiras, "Muslima: Muslim Women’s Art & Voices", arte e vozes de mulheres muçulmanas.

sexta-feira, 24 de março de 2017

NÃO HÁ TAL COISA COMO ABATE/CONSUMO DE CARNE HALAL

"Tolstói, o afamado romancista russo, certa feita visitou um matadouro. A forte impressão que lhe trouxe a singular experiência tornou-o convicto de que a abstinência da carne é o primeiro passo rumo a uma vida pacífica. E com a célebre frase “enquanto houver matadouros, haverá campos de guerra”, o autor alertou o mundo de que não há espaço para a paz enquanto for aceitável o uso de métodos violentos para sustentar a primazia do interesse dos mais fortes." (3)

As Cinco Liberdades de bem-estar animal:

- Livre de sede, fome e má-nutrição;
- Livre de desconforto;
- Livre de dor, injúria e doença;
- Livre para expressar seu comportamento normal;
- Livre de medo e de estresse (estresse negativo, intenso, causa de sofrimento)



 A criação bovina (ou de qualquer outro animal), o manejo de pastagens, e a captura de animais para alimentação em larga escala, causam grandes impactos negativos ao meio ambiente, danos aos animais e a nós mesmos, tais como:

* A pecuária é uma das maiores contribuintes para os problemas ambientais, incluindo mudanças climáticas, poluição do ar, poluição e esgotamento da água, degradação do solo e perda de biodiversidade.

* Contaminação das águas com dejetos animais, fertilizantes e pesticidas usados no cultivo de rações, além do assoreamento causado pelas pastagens degradadas.

* A pecuária também é responsável pelo consumo de cerca de 8% da água do planeta, sendo que a maior parte é destinada à irrigação de culturas de ração.

* A pecuária intensiva é praticada utilizando recursos tecnológicos avançados, como gado confinado, reprodução através de inseminação artificial, controle via satélite, entre outros. Esses recursos causam baixos níveis de bem-estar animal, mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e poluição do solo, água e ar. O sistema extensivo, principal meio de produção no Brasil, contudo, acarreta efeitos ainda piores. Por ser desenvolvido em grandes extensões de terras, com gado solto e sem grandes aplicações de recursos tecnológicos, pode gerar a destruição de ecossistemas ambientais, a degradação do solo e a poluição dos recursos hídricos.

* Outro efeito da criação bovina sobre o ambiente é a emissão de 35% a 40% de metano, que é 21 vezes mais prejudicial que o gás carbônico.

* A pecuária, além de causar todos esses problemas ao meio ambiente, é também a principal responsável pelo desmatamento da Floresta Amazônica, já que 75% da área desmatada na Amazônia Legal é ocupada por essa atividade. (1)

* Dados oficiais da ONU que informam que a agricultura animal tem emissões de gases superiores a todo o setor de transportes (carros, caminhões, trens, navios e aviões).

* O cultivo de grãos consumidos pelos animais demandam de muita água - esse montante, somado ao consumo direto dos bichos representa faixas de consumo de água de 34-76 trilhões de litros por ano. 

* Se pensarmos diretamente no consumo final, na pegada hídrica dos alimentos, deparamos-nos com dados não menos alarmantes: 2,5 mil litros de água são necessários para produzir 1 libra (equivalente a mais ou menos 0,45 kg) de carne; 477 litros de água são necessários para produzir 1 libra de ovos; em média 900 litros de água por libra de queijo e mil litros de água para produzir um galão de leite (equivalente a 3,785 litros).

Quem se torna vegetariano ou vegano economiza água de maneira significativa: para se produzir um quilo de soja, são gastos 500 litros de água, enquanto para um quilo de carne bovina, são necessários 15 mil litros do líquido.

* Um terço da terra livre de gelo presente no globo é utilizada para criação de gado ou alimento para o gado. 

* Outro estudo aponta que os números são ainda maiores. Estudos demonstram que 91% da devastação da Amazônia se deve à produção agropecuária, entre pastagens e cultivo de grãos para a alimentação dos ruminantes.

* Em nosso país, os ruralistas têm grande poder de intimidação, o que resulta em uma fiscalização ineficiente do desmatamento. Nos últimos 20 anos, mais de mil ativistas rurais foram mortos no Brasil. 

A produção de alimentos vegetais exige muito menos espaço de terra do que a produção de alimentos de origem animal. Por exemplo, em um hectare de terra é possível plantar 42 mil a 50 mil pés de tomate ou produzir apenas uma média de 81,66 Kg de carne bovina por ano. Assim, a alimentação vegetariana estrita estimula a diminuição do desmatamento.


video
Sistema de Atordoamento realizado antes do Abate "Halal" no Brasil

* Existem projeções que indicam que em 2048 não haverá mais peixes comestíveis no mar. Em média 90-100 milhões de toneladas de peixe são extraídas de nossos oceanos a cada ano.  Para cada 0,45 quilo de peixe capturado, até 1,81 quilos de espécies marinhas não intencionais são capturadas e descartadas.

* Os EUA sozinho poderiam alimentar 800 milhões de pessoas com grãos que o gado consome.

* Agricultura animal é a principal causa da extinção de espécies, zonas mortas nos oceanos, poluição da água e destruição de habitats. Agricultura animal contribui para a extinção de espécies de muitas maneiras. Além da destruição do habitat causado pelo desmatamento de florestas e conversão da terra para o cultivo de alimentos para animais e para o pastejo dos animais, predadores e espécies de "concorrência" são caçados por causa de uma ameaça ao gado e aos lucros que eles proporcionam. O uso disseminado de pesticidas, herbicidas e fertilizantes químicos utilizados na produção de culturas para alimentação animal interfere nos sistemas de reprodução dos animais e na saúde do consumidor final. A exploração excessiva de espécies selvagens por meio da pesca comercial, do comércio da carne de caça, bem como o impacto da agricultura animal sobre as alterações climáticas... Todos contribuem para o esgotamento global das espécies e recursos. (2)

* Um dos pilares mais estratégicos do sistema intensivo é a alta densidade, pois reduzir o espaço destinado aos animais significa eliminar custos com o manejo e viabilizar o controle sanitário, higiênico, de temperatura, entre outros. A criação de aves de corte, tais como frangos e perus, em granjas industriais, obedece a essa lógica. À guisa de exemplo, basta mencionar que se recomenda destinar um metro quadrado para a manutenção de 12 frangos em um galpão de criação (EMBRAPA, 2003). Portanto, cada ave desfruta de espaço pouco superior a uma folha de papel padrão ofício para viver.



* As celas de gestação para porcas matrizes é outro exemplo de confinamento extremo. Nesse método, os animais são mantidos em gaiolas de 2,0m por 0,6m. Como a cela é pouco maior que o corpo do animal, este fica impedido até de dar um giro em torno de si mesmo. O confinamento por longo tempo acarreta distúrbios psicológicos em porcas matrizes, que podem desenvolver estereotipias, como morder barras, movimentar a cabeça repetidamente e pressionar bebedores sem tomar água, ou se tornarem extremamente inativos e não responsivos. Contribui, ainda, para o desenvolvimento de problemas físicos, como a paralisação dos membros, perda de massa muscular, fraqueza óssea e doenças respiratórias, decorrentes da exposição direta à amônia produzida por suas fezes armazenadas sob o piso ripado. (PERIN, 2012). 

* Confinados em níveis extremos ou criados em espaços muito reduzidos, os animais vivenciam diariamente tensão, estresse e frustração, fatores que acarretam problemas mentais severos e podem ser expressos por comportamentos anormais, como automutilação e canibalismo. Em lugar de lhes propiciar as condições de que necessitam, a perversa lógica da indústria de alimentos orienta a submetê-los a mutilações das partes do corpo sujeitas ou utilizadas para agressões, como caudas, bicos e dentes. Acrescente-se que essas mutilações são realizadas a frio, ou seja, sem qualquer espécie de analgesia ou anestesia. Para evitar bicadas de penas e de cloacas (ROCHA; LARA; BAIÃO, 2015) comuns em aves de postura, mas também favorecer o consumo da ração e reduzir a quebra de ovos (ÁVILA; ROLL; CATALAN, 2008), realiza-se a chamada debicagem, que consiste “na remoção de parte do bico superior e inferior, feita geralmente com lâmina elétrica quente que corta e cauteriza o tecido do bico” (ÁVILA; ROLL; CATALAN, 2008, p. 2). O procedimento é feito mediante a contenção mecânica e sem qualquer sedação ou analgesia, em aves com idade entre 7 e 10 dias de vida, repetindo-se entre 10ª ou 11ª semanas (MAZUCO et al, 1997, p. 25). 



* (Confinamento extremo, Mutilações, Muda forçada de penas, Descarte de pintinhos, Engorda mecânica, A coisificação dos animais no pensamento civilista) (3)

* As vacas produzem leite pela mesma razão que as mulheres – para alimentar os seus filhos. Para manter a produção de leite, as vacas são inseminadas artificialmente todos os anos. Em 9 meses seus filhotes nascem, e uma forte ligação materna ocorre instantaneamente. Mas eles não vão ter muito tempo juntos. Por volta de um a três dias, os bebês serão levados para longe das vacas, causando um sofrimento extremo para ambos os lados. Depois disso, mãe e filho nunca mais vão se ver novamente. Os bezerros geralmente são vendidos para a indústria da carne de vitela. Lá, eles são mantidos em pequenas caixas. Eles serão mortos depois de levar alguns meses de uma miserável vida. As bezerras provavelmente seguirão os mesmos passos de suas mães. Elas vão passar o resto de suas vidas como máquinas de leite, forçadas a produzir cerca de 5 vezes a mais do que produziriam para os seus filhos. (4)

* Para fazer aquele tipo de patê “foie gras”, cuja tradução é “fígado gordo”, gansos e patos têm o fígado atrofiado até a morte. São submetidos, para isso, a uma alimentação hipercalórica, em regime de confinamento, através de um tubo, para fazer seu fígado crescer dez vezes mais do que o normal. (5)

Há sofrimento na criação, no transporte e no abate dos animais.

"Não devemos esquecer que a agricultura animal é uma indústria que coloca o lucro como uma prioridade, e é como qualquer outra indústria que corta custos, com pouca consideração para os próprios animais. Eles são tratados como commodities, produtos, números e dinheiro." Don't make this about Islam – there is no such thing as 'humane slaughter' in the meat industry - Por Jimmy Pierson  - Independent 

Refugiados denunciam maus-tratos em fábrica da Sadia "Nas fábricas, executava uma única tarefa: com uma faca afiada, degolava cerca de 75 frangos por minuto pelo método halal, selo requerido pelos países de maioria islâmica que importam a carne brasileira. "Não dava nem para enxugar o suor", ele conta, referindo-se à alta velocidade com que tinha de executar os cortes na linha de abate. Pelo trabalho, recebia cerca de R$ 700 mensais."

Atriz Regina Duarte é voz ativa de pecuaristas contra direitos indígenas "Atualmente, os índios guarani-kaiowá e guarani-ñhandeva de Arroio-Korá vivem em situação precária e improvisada em barracos de lona na beira de estradas e em reservas indígenas do Cone Sul de Mato Grosso do Sul."

16 fotos que vão mudar o que você pensa sobre comer carne

Não existe abate/consumo de carne halal porque: 1- Os animais vivem uma vida miserável, 2- Não precisamos de carne pois existe uma grande variedade de alimentos hoje que podem ser consumidos (e que são muito mais baratos que a carne - cadáver), 3- Há grande devastação ambiental envolvida, 4 - Há grande prejuízo para a nossa saúde também, perdemos nosso ecossistema e consumimos hormônios e medicamentos que são dados a esses animais, 5 - O abate halal DIMINUI o sofrimento do animal, não o retira por completo, 6 - Índios e pessoas estão sendo mortas pela ganância dos pecuaristas. 

Se você sabe inglês recomendo os vídeos Is Halal Meat Humane? - Ziyaad Mia, JD e Injustice and Cruelty of Industrial Farming (Including Halal Meat) - Ziyaad Mia, JD, em breve serão traduzidos para o nosso canal do Youtube, assim que tivermos verbas $

(1) Criação bovina impacta negativamente o meio ambiente - Por Natália Alberti - Digitais Puc Campinas
(2) Muito além da exploração animal: criação de gado promove consumo de recursos naturais e danos ambientais em escala estratosférica - Por Marina Santos Chiapetta - eCycle
(3) A CRUELDADE NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL - Por Luciana Imaculada de Paula - 
(4) 15 imagens que a Indústria de Leite não quer que você veja - Por O holocausto animal -
(5) Maus-tratos a animais que servem de alimento começam a criar desconforto - Por Amelia Gonzalez - G1

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Revolução Iraniana em Persépolis de Marjane Satrapi

Ariel dos Santos Oliveira
Raquel Torrecilha Spiri1

1. Introdução


Em Persépolis (2000–2003) Marjane Satrapi narra de forma impactante e ao mesmo tempo sutil um delicado episódio dentro da história recente do Irã, a Revolução Iraniana de 1979, que viria a depor o regime pró-ocidente do Xá Mohammad Reza Pahlevi em detrimento de uma república fundamentalista comandada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Através de diálogos marcantes, sempre provocativos, e de uma reconstrução memorial baseada em experiências próprias, a novela gráfica revela a mistura de sentimentos que tomou conta do Irã pós-Revolução de forma pessoal e singular. Satrapi, argumentista, ilustradora e protagonista da história mostra ao leitor sua experiência de crescimento e amadurecimento em meio a supressão de direitos, reformas culturais e demais transformações abruptas que tomaram conta do país.


2. Contexto Histórico; Autor e Obra


Publicado originalmente em quatro volumes entre 2000 e 2003, Persépolis é um romance autobiográfico em quadrinhos de Marjane Satrapi, nome artístico de Marjane Ebihamis, e retrata sua infância até o início de sua vida adulta. O título é uma referência à antiga capital do Império Persa. A Graphic Novel narra a vida de Satrapi enquanto seu país era virado do avesso a partir de 1979, com o advento da Revolução Iraniana. Em questão de meses, o Irã, então comandado pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, experimentou uma transição de uma monarquia autocrática pró-Ocidente para uma república islâmica teocrática comandada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.


Para melhor compreender o contexto revolucionário do modo como é tratado na obra de Satrapi, se faz necessário, no entanto, lançar um olhar mais aprofundado para o Irã pré-revolução governado pela dinastia Pahlevi, que ascendeu ao poder em 1926 e como suas características secularistas e anticlericais viriam a contribuir para o aumento da popularidade do aiatolá Khomeini, e, antes mesmo disso, para a Revolução Constitucional Persa de 1905. (COGGIOLA, 2007; p.24)


A Revolução Constitucional entra no contexto das extravagâncias do governo autocrático do Xá Mozaffar ad-Din Shah Qajar e da ingerência da Rússia e da Inglaterra no país durante o período imperialista. A burguesia nascente unida com outros segmentos sociais organizou protestos e desestabilizou a ordem estabelecida. Entre os religiosos não havia unanimidade. Muitos aderiram à causa constitucional, acreditando na redução do poder monárquico e no consequente aumento, por vias democráticas, da influência religiosa. Outros, por sua vez, temendo que as reformas fossem apenas as primícias de uma instauração republicana, opuseram-se ao movimento. Com o enfraquecimento do poder imperial a vitória da Revolução foi inevitável: a constituição é aprovada e o parlamento persa é fundado. (Ibid.; p.37). Todavia, a influência estrangeira se fortalece na mesma proporção em que a dinastia Qajar perde o seu prestígio. 


Com a Revolução Russa, em 1917, o bolchevismo se torna um perigo iminente na Pérsia. 


Temendo a crescente influência soviética na região, a Inglaterra utiliza o Irã como base para o controle geopolítico da Ásia. Como resposta, a União Soviética invade a Pérsia e cria a República Socialista Soviética da Pérsia, no norte do país. Em 1920 a monarquia já havia perdido todo o controle do império, sendo a influência dividida mais uma vez entre as duas potências estrangeiras. Neste contexto o ativismo político pró-Inglaterra se fortalece no Irã, principalmente como resposta ao crescente medo do comunismo. (SAID, 2007; p.45)


Oficial da Brigada Cossaca Persa, fundada no séc. XVIII, Reza Khan se une a Sayyed Zia, articulador de um futuro golpe de Estado que pretendia manter a monarquia, afastar o bolchevismo e modernizar a Pérsia. Com a desmoralização do Xá e sendo o mais prestigioso líder militar de seu tempo, a tomada de poder se deu de modo rápido. Em 1921 Reza Khan controla Teerã, capital do Irã, forçando a dissolução do governo anterior, em seguida é nomeado Ministro da Guerra e toma para si o título de Comandante-em-chefe das Forças Armadas, que era exclusivo do Xá. Neste mesmo ano, o cientista político Mohammed Mossadegh é nomeado Ministro de Finanças do Irã, desempenhando também, entre anos de 1923 e 1925, o papel de Ministro de Negócios Estrangeiros por seu país. O fortalecimento do poder político e militar de Reza Khan, assim como o apoio popular, principalmente depois da bem-sucedida estabilização da Pérsia, foi responsável por sua ascensão ao posto de Primeiro-Ministro do Irã. (COGGIOLA, 2007; p.40)


O medo do republicanismo por parte do clero era tremendo. A experiência da Turquia, com Ataturk e a abolição do seu califado, atirou os religiosos nos braços de Reza Khan, apoiando de modo incondicional a sua proclamação como Xá. Em 1925 o parlamento formalmente depõe Ahamad Qajar e meses depois proclama Reza Khan como Xá da Pérsia, tomando o sobrenome de “Pahlevi”, fazendo referência à glória imperial dos tempos pré-islâmicos e iniciando a nova e última dinastia persa. (Ibid.; p.40)


Reza Pahlevi inicia o seu governo baseado na premissa da Revolução Constitucional: a modernização do Estado. Endossando ainda mais o seu carisma, busca criar um poder central capaz de gerar as mudanças institucionais queridas pela classe política. Suas reformas atingem todo o Irã. Dada sua posição política nacionalista à época, Mossadegh fora forçado se retirar da vida política por defender maior controle iraniano de seus recursos, permanecendo, inclusive, em cárcere por dois anos. (Ibid.; p 12). É a partir de 1930 que Reza Pahlevi passa a governar de modo cada vez mais ditatorial, desmerecendo o parlamento e escolhendo ministros de acordo com as suas predileções pessoais. A criação de um Estado burocrático ofusca o completo controle da máquina pelo imperador. 


Neste contexto as reformas judiciais são aprovadas; além de omitirem quaisquer referências às Leis Sagradas, retiram do clero o papel judicial e o incorpora ao recém-criado Ministério da Justiça. A codificação de um corpo legal de clara influência europeia, faz com que, pela primeira vez em sua história, a união entre a lei sagrada e civil na Pérsia seja rompida. (Ibid.; p.42)


Como parte da sua política de modernização do Estado, Reza Pahlevi capitaliza a memória da glória do Irã pré-islâmico, buscando romper com as tradições xiitas. Em 1925 retoma o calendário solar persa, uma derivação do calendário zoroastriano. Em 1928, no movimento de adoção das modas e hábitos ocidentais, o Estado declara guerra aos clérigos. O consumo de bebidas alcoólicas é estimulado chegando a abrir centros de comercialização na cidade sagrada de Qom. Ademais, o ensino do Corão, livro sagrado do Islã, e qualquer tipo de instrução religiosa nas escolas são proibidos. Em 1935, Reza Pahlevi aprova a mais ousada de suas leis, obrigando a remoção dos véus pelas mulheres, se necessário com uso de força policial. Contudo, o restante das políticas de secularização foi aprimorado por Mohammed Pahlevi, seu filho, agora oficializado como Xá da Pérsia. Seu pai abdicara do Trono do Pavão devido à pressão dos Aliados que temiam que a sua simpatia pró-nazista colocasse o Irã na zona de influência alemã. (Ibid.; p.44). Com a invasão do país em 1941 por forças anglo-soviéticas, o Xá deixa o poder e parte para o exílio. 


Com a autoridade absoluta em mãos e uma classe clerical humilhada, Mohammed Pahlevi continua a reforma anticlerical de seu pai. A figura de Khomeini começa a se destacar pelo seu carisma e sua autoridade, acusando o Xá de trair seu juramento de defender o Islã e a Constituição. O Aiatolá denuncia severamente a violação constitucional e o autoritarismo da dinastia Pahlevi. Com a brutal manifestação dos seus seguidores em protesto contra o regime, Khomeini é preso e exilado para a Turquia, de onde segue para Najaf, no Iraque. Inicia-se o seu êxodo e o fortalecimento da sua figura como representação de toda a oposição ao Xá. Entretanto, Mohammed Pahlevi, incapaz de fazer uma análise política sensata, continua com as suas incursões anticlericais. Invade o centro teológico de Qom e pretende controlar a esfera religiosa através de uma estrutura burocrática de religiosos governistas. O despertar da oposição clerical era mais do que natural. O que não se esperava era a liderança e a capacidade dos clérigos de capitalizar as forças de oposição e depor o Xá, ainda que isso demorasse mais algumas décadas. Por conta de pressões internas relacionadas a popularidade do ex-Ministro de Finanças, o Xá Mohammed Pahlevi foi obrigado a nomear o nacionalista Mossadegh como Primeiro Ministro. Seu governo não somente levou o Irã a nacionalização do seu petróleo, mas também foi responsável pelo rompimento de relações diplomáticas com a Grã-Bretanha, o que contribuiu para o agravamento da crise e para a aproximação com os Estados Unidos. (Ibid.; p.53)


O desenvolvimento de uma teologia populista revolucionária, por parte do leigo Ali Shariati, foi fundamental para o ganho do tom progressista à oposição ao regime. Baseado na concepção da unidade entre Deus e o povo, reflexo da noção de singularidade, os seus escritos endossam o regime islâmico como a manifestação do verdadeiro poder popular. (Ibid.; p.54)


No final da década de 1970, com a crise econômica e com a incapacidade de ampliar a participação política, os poucos setores sociais que ainda não tinham se rebelado contra o regime do Xá, finalmente aderiram à causa revolucionária. A união dos clérigos com o Bazar estava mais do que consolidada. A classe média, politicamente desorganizada, foi incapaz de tomar a liderança do movimento. Dentro de alguns dias estava sepultado o Império Persa. Nascia a República Islâmica do Irã. (Ibid.; p.82)


Os eventos narrados pela autora têm início no ambiente que se encontra Irã imediatamente antes do estouro da Revolução Islâmica com a saída do Xá. É possível inferir, entretanto, elementos da vida pré-revolucionária do país a partir do relacionamento da autora-personagem com familiares, amigos e nação, relatado na Graphic Novel. Compreende-se que, no poder desde 1941, Pahlevi teve forte influência ocidental para manter-se em tal posição até a década de 1970, influência esta que se refletiu no cotidiano iraniano durante décadas: a cultura ocidental penetrou no país através do que é chamado de “Revolução Branca”. Além disso, o extravagante regime monarca se esgotou e não era mais compatível com vida no Irã, o que também foi responsável por uma movimentação popular em oposição ao governo. Dessa forma, grupos liberais, de esquerda e religiosos, formaram alianças em busca da deposição de Pahlevi em 1979. (SATRAPI, 2013; p.5)


Marjane, nascida em Rasht e criada em Teerã, no Irã, em um lar liberal e intelectual, teve a oportunidade de estudar em escolas bilíngues, aprendendo a língua francesa além do idioma persa, podendo ter contato, inclusive, com diversas obras da literatura política contemporânea, fator que contribui significativamente em sua formação pessoal. Aos dez anos de idade, em 1979, seu país, antes influenciado pela cultura ocidental, passa por um processo de resgate de tradições islâmicas. A oposição ao Xá não era só política, mas principalmente religiosa à época, o que refletiu na vida de Marjane, ainda enquanto criança. 


O primeiro volume, de quatro que compõe a obra Persépolis, conta a perspectiva de Satapri no momento imediato após a Revolução Islâmica, desde sua repercussão midiática ao convívio entre as crianças na escola. É possível compreender o surgimento de um dualismo presente na transição de regime no Irã: o resgate de valores religiosos em contraposição a modernização que prega a liberdade individual e social. O dualismo, então, ocorre em dois níveis, o nacional, no Irã – apresentado na obra como os protestos que ocorrem nas cidades – e o individual, com relatos pessoais da jovem Marjane. A personagem apresenta o fundamentalismo islâmico imposto pelo novo regime aiatolá como fator responsável pela privação de certas liberdades – principalmente no que tange às mulheres –, pela perseguição a presos políticos e pela invasão do Irã pelo Iraque. Entretanto, ao mesmo tempo, a própria Marjane se considera uma pessoa envolvida pelos valores religiosos com os quais nasceu. (SATRAPI, 2013; p.15)


A saída do Xá e o consequente processo de transição cultural ocorrido no Irã, bem como a onda de protestos, fragilizou o cenário político do país, no qual o Iraque viu uma oportunidade de intervenção para disputas territoriais. A Guerra Irã-Iraque, ocorrida entre os anos de 1980 e 1988, é relatada na Graphic Novel pelo ponto de vista de Marjane Satapri ainda criança, completando onze anos de idade. As notícias sobre o conflito são ouvidas pelo rádio qual narra os bombardeios ocorridos tanto nas fronteiras dos países quanto em suas capitais. A garota passa a compreender a dimensão da Revolução Islâmica neste momento pelas consequências da guerra no que se refere ao grande deslocamento interno no Irã, mas principalmente a destruição material que traz um conflito armado. 


O fato da Guerra Irã-Iraque significar uma ruptura na vida de Satapri está associado ao desenvolvimento da personagem e criação de sua identidade. Com o advento da violência trazida pelos bombardeios iraquianos em território iraniano e a pressão interna do novo regime islâmico, os pais de Marjane, preocupados com sua formação e integridade, a enviam, aos 14 anos de idade, por sua própria conta, para a Áustria para terminar seus estudos.  No estrangeiro, termina seu processo de assimilação da cultura Ocidental e passa pelo desafio de reafirmar sua identidade iraniana em meio a um ambiente completamente diferente qual está habituada. A necessidade de integração com os ocidentais fez a garota esquecer tradições iranianas, mesmo a língua persa, pela falta de prática. Com o fim da guerra em 1988, Marjane volta ao Irã para o seu antigo lar. Apesar do fim da violência, a autora-personagem relata que a ditadura islâmica ainda permanece no país, agora mais adaptado a revolução cultural que sofreu. Após completar seu ensino superior no Irã e sem perspectivas de se manter naquele regime na condição de mulher e liberal que é, Marjane se muda definitivamente para a França no ano de 1994, antes de completar 25 anos de idade, para focar em seu trabalho como artista. (SATRAPI, 2013; p. 341)


3. Núcleo da Obra e Perspectiva


Através de uma narrativa em primeira pessoa com doses criativas de bom humor, Marjane convida o leitor para conhecer seu mundo. Desde os 10 anos de idade, ela compartilha o modo de vida, os costumes e a rotina das meninas de sua idade nas escolas iranianas e no cotidiano local. Para tanto, ela discorre, por exemplo, sobre a obrigatoriedade dos véus e como ela e outras meninas reagiram a essa imposição.


Para Marji, a Marjane Satrapi de 10 anos, a Revolução significou ir para uma escola diferente, onde ela não poderia mais aprender francês (uma ameaça aos valores tradicionais da revolução) e meninos estudavam separados das meninas. Como toda mulher, ela também foi obrigada a utilizar o véu. Para a menina, as novas regras impostas pela revolução xiita (nada de escolas iguais para ambos os gêneros, mulheres sem véu, maquiagem, música pop, marcas e símbolos ocidentais, festas, bebidas...) são absurdas e dignas de protestos – como seus pais são abertos a diálogos políticos, Marjane é livre, ao menos dentro de casa, para conversar sobre as mudanças no Irã, o que significa que desde pequena ela compreende o ambiente de repressão –. Desta forma, Marjane discorre sobre o cenário conturbado e as sequelas que essas tão abruptas mudanças deixariam em sua formação enquanto pessoa. Percebe-se que desde pequena Marjane já era direta e revolucionária. Por vir de uma família politizada e bem instruída, desde pequena teve acesso a informações coerentes e críticas, qual é refletido em um senso de justiça bem apurado e no desenvolvimento de uma consciência de classe bem delimitada. (Ibid.; pp. 13 e 14)


O fato é que Marjane foi educada em um lar liberal e aprendeu desde pequena que poderia ser quem quisesse ser, algo não compatível com a visão de mundo imposta pelo novo governo, então a revolução islâmica mexeu com seus nervos ao ponto de fazer dela uma narradora ativa e feroz. Ao contrário da maioria, nossa protagonista decidiu não ficar calada e abaixar a cabeça para o regime de Khomeini e, exatamente por isso, sofreu grandes consequências: perdas, preconceito dos próprios amigos, inúmeras “quase prisões” e, finalmente, exílio do lar. Em uma passagem do volume 2, por exemplo, andar nas ruas trajando jaqueta jeans e tênis levou Marji a ser interrogada por uma patrulha de senhoras pró-Revolução. (Ibid.; p. 134)


Cabe ressaltar, no entanto, que tudo isso é apenas um detalhe perto do que acontecia no resto do país. Os pais de Marji, intelectuais liberais com vínculos com o governo pré-Revolução começam a perder amigos próximos, desaparecidos misteriosamente; vizinhos fogem enquanto podem – em 1981 o país fecharia suas fronteiras –; com o início da guerra com o Iraque em 1980, uma bomba poderia repentinamente cair em seu quintal. (Ibid.; p. 143)


Percebe-se que na medida em que Marjane vai crescendo, os problemas sociais do país também vão, a ponto de ela precisar ir embora do país. Com isso, novos conflitos são inseridos na história a partir dos relacionamentos que ela vai desenvolvendo ao decorrer do tempo. Além das decepções com as pessoas ao seu redor e as desilusões amorosas, há o fato de ela ser estrangeira e ter que enfrentar inúmeras dificuldades para sobreviver fora do seu país e se adaptar, além de questões mais gerais que integram uma série de temas instigantes e repletos de conteúdo.


Assim, o leitor acompanha três fases da vida de Marjane: infância, adolescência e vida adulta, as três permeadas de acontecimentos marcantes e fatos históricos relevantes. A opressão e discriminação direcionadas as mulheres no Irã é um dos aspectos centrais descritos na história, e a personagem central protagoniza cenas revolucionárias e corajosas por busca de igualdade de menina à mulher. Depreende-se, portanto, que Marjane é apenas uma garota querendo ser livre em meio a um ambiente em que a liberdade é para poucos. Em meio a toda a tristeza, terror e falta de perspectiva da situação do Irã, a biografia de Satrapi é forte ao revelar o que é ser uma civil no meio de uma revolução, de uma transformação cultural violenta e de uma guerra.


As belíssimas ilustrações são em preto e branco e em alto contraste, o traço de Marjane é limpo e simples e a narrativa é cheia de vida. Essa opção pela utilização do alto contraste em preto branco (essa técnica não permite os meios-termos entre os dois espectros, portanto nada de tons cinzas, que seriam naturais em outras obras sem a utilização de cores) pode ser inclusive interpretada como uma alegoria da dualidade essencialmente antagônica e até mesmo maniqueísta que a Revolução trouxe para sua nação: não há meio termo; a transformação política e cultural, sem preservar nenhum dos aspectos inerentes ao governo de Pahlevi, como a aproximação com a cultura pop ocidental, a liberdade feminina e a laicidade, foi tão violenta que só pode ser enxergada através do preto e branco, duas cores que estão nos dois limites opostos do espectro de cores, tal qual o Irã de antes e depois de 1979. (PIMENTEL, 1989; p.35)


A trama traz ainda outros lados da vida de Marjane: o crescimento em meio à revolução e as dúvidas política e religiosas que naturalmente surgem ao longo de sua trajetória de vida. 


Dilemas naturais a todos os adolescentes, como amizade, aceitação social, aceitação do próprio corpo e da própria beleza, primeiras vezes (primeiro beijo, primeiro amor, perda da virgindade, primeira experiência com substâncias psicoativas) e responsabilidades da vida adulta (faculdade, emprego, casamento, divórcio) são tratados de modo cru, o que contribui para a criação de uma ligação entre a obra e o leitor. (SATRAPI, 2013)


Tudo isso colabora para o enriquecimento da leitura, sempre muito real e envolvente. 


Torna-se doloroso e angustiante ler e ver o quanto Marjane sofreu, como a população persa tem sua história muitas vezes negligenciada pelo mundo, e como somos incapazes de mudar os avanços da dominação política nessa região. Persépolis é, afinal, uma obra capaz de tirar o leitor de sua zona de conforto.


4. Considerações Finais


Do ponto de vista das relações internacionais, a Revolução Iraniana não significou apenas uma ruptura política, mas também cultural, capaz de afetar os países da região com a elevação do número de refugiados e imigrantes. A Revolução também foi responsável pelo rompimento de relações com países, bem como pelo estabelecimento de novos vínculos com outros. Partindo do ponto de vista da guerra e do conflito, por sua vez, pode-se concluir que tanto a presença ocidental no Irã, quanto a Revolução Islâmica e a intervenção do Iraque durante o período que relata, estão relacionados a existência de um elemento chave em território do Médio Oriente: o petróleo, produto em crescente valorização na década de 1960, o que despertou interesse de potências ocidentais. Isto pode ser observado em uma passagem do primeiro volume de Persépolis, na qual o pai de Marjane diz a filha: “A verdade é que, enquanto existir petróleo no Oriente Médio, não vamos saber o que é paz...”. (SATRAPI, 2013; p. 44). Quando o Primeiro Ministro Mussadegh corta relações com a Grã-Bretanha visando a proteção da produção petrolífera do Irã, abre espaço para os Estados Unidos atuarem como nova potência aliada ao Irã em um contexto de Guerra Fria. (COGGIOLI, 2007; p. 14). Ademais, a década de 1980, é marcada na região pelo conflito com o Iraque, país que busca aumentar seu território e, consequentemente, a possibilidade de exploração de petróleo. 


Ler Persépolis é instigante sobretudo ao que se refere a reflexão sobre a cultura e história da região, além de revoltar ao mergulhar o leitor em uma trama política que cega a população com uma doutrina de supressão à liberdade. É claro que os eventos retratados na obra são compreendidos aqui sob um olhar estrangeiro, e, portanto, inerentemente carregado de preconcepções orientalistas, mas durante a leitura se torna impossível não pensar em como esse povo é oprimido por uma religião, que ao invés de libertá-lo com amor, o domina com ódio. E mais, em como as mulheres iranianas sofrem com o machismo velado imposto pela revolução cultural.


É impossível não refletir sobre a mensagem trazida pela autora: as dores da politização da religião.






Referências:

AHMED, Leila. Women and Gender in Islam: historical roots of a modern debate. New Haven e Londres: Yale University Press, 1992

BRAGA, Ana Cláudia Vieira. Norma Linguística e Oralidade Fingida na Tradução de Persépolis. Brasília, 2013. Disponível em: < http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/15091/1/2013_AnaClaudiaVieiraBraga.pdf>Acesso em: 16 de fev. 2017.
COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Iraniana. Editora UNESP, 2007
PIMENTEL, Sidney Valadares. Feitiço Contra o Feiticeiro: história em quadrinhos e manifestação ideológica. Goiânia: CEGRAF, 1989.
SAID, EDWARD. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Trad. Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
SATRAPI, Marjane. Persépolis – Completo. Trad. Paulo Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2013

quarta-feira, 22 de março de 2017

"Não Tem Nada a Ver Com o Islã"

A cada nova atrocidade perpetrada em nome do Islã, a nossa religião se torna mais associada à barbárie, que acaba se parecendo inerente a ela. Isto é uma lástima, mas à luz da insanidade de muitos indivíduos, organizações e governos que invocam o Islã, é tristemente compreensível.

 Para sermos levados a sério pelos não-muçulmanos, a primeira coisa de que precisamos é reconhecer, como muçulmanos, que esta conotação negativa, rotulada sobre a nossa fé na consciência coletiva contemporânea, é previsível.


Ironicamente, muito do conservadorismo hoje associado ao Islã vem de práticas beduínas pré-islâmicas que o nosso Profeta contestou por toda a sua vida. E de hábitos culturais locais que, de fato, nada tem a ver com a fé islâmica. Ao contrário, o que caracteriza a revelação corânica é sua natureza inovadora em termos espirituais e éticos. E até o seu dinamismo épico que, na verdade, está longe de ser normativo e prescritivo.


Lamentavelmente, a vasta maioria das instituições muçulmanas do mundo destila e aceita, atualmente, valores e idéias obsoletos.


A argumentação encontrada nas redes sociais após cada atentado perpetrado por fundamentalistas islâmicos  –  de que “esses atos violentos de terror não tem nada a ver com o Islã” –  muitas vezes lastreada em trechos do Alcorão, precisa ser contrastada com a reverência que fazem acadêmicos e universidades respeitados a livros como o ‘Min Haj el Talibin’ (do renomado jurisconsulto Araf el dine el Nawawi), que recomenda o apedrejamento de adúlteros, ou o ‘Es sarim el maslul ala chatim el rasul’ (de Ibn Taymiyya) e o ‘Es seyf el maslul ala men sabba al rasul‘ (de Taqi al-Din al-Subki ). Os dois últimos títulos podem ser traduzidos como “A espada será empunhada contra aquele que fala mal do Profeta”.


As prescrições precisas que tais livros contêm sobre como punir a blasfêmia, a apostasia e o adultério são base não apenas para os argumentos do ISIS. Tal tipo de islamismo é apenas uma versão mais vigorosa de interpretações adotadas por vários países muçulmanos conservadores.


Na virada do século XX, o ensaio do “intelectual” francês Joseph de Gobineau sobre a desigualdade das raças humanas era considerado como “ciência” por muitos conservadores na Europa. Mas, desde então, foram removidas das prateleiras de “História” ou “Antropologia” das bibliotecas.


É hora de fazer o mesmo com boa parte dos clássicos do currículo islâmico.


Simultaneamente, a tradição islâmica precisa se reconectar com o seu espírito inovador original.  Não por transformação ou reinvenção, mas tendo como foco os fins originais da revelação corânica:


– o primado do conhecimento, educação, ciência, estética, dos princípios fundamentais da liberdade, justiça social e do respeito à Lei.




A divisão binária de todas as coisas e ações entre halal e haram, como a prática do Islã contemporâneo prega, está em contradição profunda com o seu espírito.

O empobrecimento estrutural do pensamento islâmico e a ausência do recurso ao ijtihad  – o esforço pessoal de interpretação –  elementar e saudável, estão diretamente ligados à falta de liberdade observadas na maioria das sociedades islâmicas.


– a abertura ao mundo e ao Outro, especialmente às outras religiões.


É chocante que mesmo os mais prestigiosos centros de estudos no mundo islâmico, não aprofundem seu conhecimento sobre os fundamentos das outras religiões e tradições. E que não forneçam aos seus alunos uma compreensão sólida sobre elas.


– O respeito à vida e sua celebração.


É hora de substituir a sacralização da morte e o culto mórbido, onipresentes em grande parte das sociedades majoritariamente muçulmanas, por um saudável amor ao ser humano.


– Uma igualdade ontológica entre homens e mulheres


Que nos estimule a quebrar a falocracia ultrapassada que caracteriza as nossas sociedades e ponha um fim à discriminação religiosa e secular e à marginalização sobre elas imposta.


Como cidadãos muçulmanos do século XXI, precisamos nos propor três objetivos principais:


Primeiro, é hora de questionarmos a legitimidade e a influência arrogante de certos países, política e socialmente atrasados, na definição do que é islâmico e do que não é, quem é bom muçulmano e quem não é.


Vamos nos reunir em algum lugar em 2016 para definir os contornos de uma interpretação progressista do Islã, firmemente arraigada no Século XXI, dando um papel particularmente importante ao Islã asiático, por razões elementares de demografia e representação democrática, mas também para muçulmanos da África sub-Saariana, Europa e Américas.


Segundo, é hora de parar de projetar paroquialismos culturais sobre dogmas religiosos: os muçulmanos em todo o mundo deverão ser capazes de entender, de forma bem mais clara, onde é que o Islã termina e onde a prática cultural nativa começa. Um website divulgado apropriadamente poderia ser um bom lugar para começar a ensinar aos nossos filhos esses limites.


Terceiro, vamos elaborar um documento que reflita os princípios acima, que as mesquitas e instituições islâmicas em todo o mundo possam conhecer e optar por adotar ou não.


Neste momento, atordoados pelos atentados de 13|11 em Paris, a nossa determinação deve ser inabalável.


Felix Marquardt, francês e muçulmano, nasceu em 05|01|1975. É um dos oito fundadores da Al-Kawakibi (Fórum Mundial por uma Reforma Islâmica) e do think tank Youthonomics. Siga-o no Twitter: @feleaks [ artigo publicado no Haaretz em 16|11|2015 e traduzido pelo PAZ AGORA|BR ]

domingo, 19 de março de 2017

~Compreendendo a Lei Sharia~

O DIREITO DA FAMÍLIA MUÇULMANA É REALMENTE BASEADO NA SHARI'A?

PORQUÊ É IMPORTANTE SABER.

Por Professor Abdullahi Ahmed An-Nai'm
Adaptado pela MPV (Muçulmanos por Valores Progressitas) por Tynan Power
Tradução Pollyanna Meira

Adaptado do capítulo "Shari’a and Islamic Family Law: Transition and Transformation" do Professor Abdullahi Ahmed An-Na'im em Islamic Family Law in a Changing World: A Global Resource Book. O Professor An-Na'im nos mostra que o Direito da Família Muçulmana (IFL) e a Shari'a são opostas. A IFL é baseada na interpretação e julgamento humano, não é uma ordem divina de Deus para os muçulmanos. A fim de alcançar justiça e igualdade para as mulheres muçulmanas em suas famílias e comunidades de hoje, a lei pode ser mudada com base em novas interpretações.

Escolhemos usar o calendário amplamente utilizado (também conhecido como cristão ou gregoriano), em vez do calendário islâmico Hijri AH (É a era usada no calendário lunar islâmico, que começa sua contagem no ano de 622 da era cristã). A era comum termina no CE Common Era (Era Comum é o período que mede o tempo a partir do ano primeiro no calendário gregoriano. É um termo alternativo para Anno Domini, latim para "no ano do (Nosso) Senhor", também traduzido como a Era Cristã.)

CAPÍTULO 1

EXISTE MUITA CONFUSÃO SOBRE A SHARI'A E O DIREITO DA FAMÍLIA MUÇULMANA. MAS, O QUE É SHARI'A?

Em árabe, a palavra "shari'a" significa "caminho" ou "trajeto". Pronuncia-se SHA-ree-ah. Shari'a não é um sistema legal. Nos primórdios do Islã a Shari'a era entendida e interpretada como um modo de vida integralmente islâmico. Essas primeiras interpretações datam de 700 a 900 CE, não muito tempo após o Profeta Muhammad morrer, em 632 CE. A Shari'a pode evoluir com as sociedades islâmicas para atender às suas necessidades de hoje.

SHARI'A É A "PALAVRA DE DEUS"?

Não. A Shari'a (como lei) não foi revelada por Deus. É baseada no Alcorão e coisas que o Profeta Muhammad disse e fez. Algumas das fontes da Shari'a, como o Alcorão, são consideradas divinas (ou a "palavra de Deus") pelos muçulmanos. No entanto, a Shari'a foi criada por pessoas que interpretaram o Alcorão e as palavras e ações do Profeta Muhammad (que são livros escritos por estudiosos).

COMO A SHARI'A SURGIU?

Para entender como a Shari'a surgiu , é importante entender um pouco sobre a história. Acredita-se que o Profeta Muhammad tenha nascido em 570 dC (não é certo). O Alcorão começou a ser revelado a Muhammad por volta de 610 dC. Os primeiros muçulmanos seguiram a orientação do Alcorão e o exemplo do Profeta Muhammad. Quando eles tinham dúvidas, perguntavam diretamente ao Profeta. Depois que ele morreu, as pessoas faziam suas perguntas à família e aos amigos do Profeta - pessoas que tinham uma boa ideia do que ele poderia ter respondido. Os amigos e a família do Profeta muitas vezes contavam histórias sobre coisas que o Profeta disse ou fez, para ajudar a explicar suas respostas. Essas histórias passaram a ser chamadas de hadith.

Não demorou muito para que os amigos e a família do Profeta - e todos que o conheceram - morressem. As pessoas precisavam de uma maneira para descobrir respostas baseadas no Alcorão e ahadith. Eles começaram a procurar padrões - "O Profeta sempre dava o mesmo tipo de resposta em situações semelhantes?" - e princípios - " O Alcorão nos diz que devemos ser compassivos em muitas situações diferentes?" Esses padrões e princípios foram reunidos em um sistema, juntamente com regras específicas do Alcorão e hadith, para que as pessoas pudessem descobrir as respostas às suas perguntas. (Essa era a visão e inseguranças do povo daquela época. Eles não precisam pensar o que o Profeta teria dito ou feito, mas acreditar em Deus e buscar respostas diretamente no Alcorão.) As pessoas que coletaram as tradicionais interpretações da Shari'a também incluíram outras coisas, como práticas comuns de seu tempo e práticas culturais de sua área do mundo.

COMO A SHARI'A FOI UTILIZADA NO COMEÇO?


Com o passar do tempo, as pessoas tinham novas perguntas sobre novos problemas. Os eruditos religiosos usavam a Shari'a para tentar descobrir o que as pessoas deveriam fazer. O objetivo era se aproximar ao máximo do que o Profeta Muhammad teria dito se ele ainda estivesse por perto. Quando os primeiros estudiosos interpretaram a Shari'a, ela era chamada ijtihad.


No entanto, mesmo os estudiosos mais religiosos e bem-educados podem cometer erros. Às vezes eles discordavam uns dos outros. É por isso que existem diferentes escolas de pensamento islâmicas, chamadas madhahib. (Por isso, a tradição que acolhe práticas/culturas de povos antigos e interpretações pessoais devem ser evitadas. Nosso relacionamento com Deus deve ser algo pessoal. Trocas podem ser feitas, podemos buscar a opinião daqueles que estudam o deen, mas é nosso obrigação final conferir no Alcorão e confiar em Deus. Seguir cegamente líderes religiosos trouxe muito atraso e sectarismo para nossa ummah)

EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ENTRE SHARI'A E LEI ISLÂMICA?

Sim. A shari'a não é um sistema legal. Ela inclui princípios islâmicos que ajudam na orientação das pessoas a novas respostas, e inclui práticas culturais comuns que tinham a ver com um determinado momento e lugar na história. Os governantes muçulmanos queriam uma maneira de transformar a Shari'a em lei. Para fazer isso, primeiro eles decidiram quais regras precisavam ser leis. Então, eles usaram interpretações da Shari'a para mostrar às pessoas que as novas leis eram islâmicas. O resultado foi o que chamamos de Lei Islâmica.

A Lei Islâmica é sempre baseada na interpretação da Shari'a de alguém (que é uma interpretação do Alcorão e hadith > não faz parte da revelação). Hoje, as interpretações da Shari'a ainda são limitadas a regras de interpretação (chamadas usul al-fiqh) que foram estabelecidas pelos primeiros estudiosos antes de 900 CE. Recentemente, estudiosos têm chamado os muçulmanos para uma nova ijtihad, para atender às necessidades em mutação das sociedades islâmicas modernas.

HOJE, OS PAÍSES ISLÂMICOS USAM A LEI ISLÂMICA?

Sim e não. Muitos países islâmicos acreditam que estão seguindo a Shari'a em questões de direito da família, mas a Shari'a não é um sistema legal. Esses países usam de fato algum tipo de Lei Islâmica em questões de família, e em todos os outros assuntos aplicam a lei ao estilo europeu deixada na época da colonização. Irã, Arábia Saudita e alguns outros países afirmam que a maioria de suas leis são baseadas na Shari'a, mas, na verdade, a maioria dessas leis são seculares. Mesmo as leis que vêm da Lei "Islâmica" são diferentes de lugar para lugar porque são interpretadas por pessoas - e essas pessoas são influenciadas por suas culturas.

Ainda assim, a Lei Islâmica é seguida por muitos muçulmanos como um modo de vida, não como lei. Nesse caso, é uma escolha pessoal, baseada na própria compreensão e crenças da pessoa.

TODAS AS LEIS DE PAÍSES MUÇULMANOS TEM BASE NA LEI ISLÂMICA?

Não. Hoje, muitos países muçulmanos usam alguma versão da Lei da Família Muçulmana (também chamada de "IFL" neste artigo), mesmo que usem leis seculares para todos os outros tipos de leis.

O QUE É A LEI DA FAMÍLIA MUÇULMANA?

IFL é um tipo de lei que abrange temas como casamento, divórcio, custódia das crianças e o status das mulheres. Também pode ser chamado de lei de status pessoal muçulmano. A ideia de IFL foi introduzida pelas potências coloniais europeias. Os governos coloniais separaram o campo do direito de família do resto da Shari'a, e então aplicaram a IFL como lei nacional, de acordo com os modelos dos governos europeus. Todos os outros campos do direito vieram sob leis seculares de estilo europeu.

Continue lendo para saber quais leis existiam antes e durante a colonização nos países muçulmanos

CAPÍTULO 2

A SHARI'A FOI UTILIZADA COMO LEI NA ÉPOCA DO PROFETA MUHAMMAD?.

Não. Durante a vida do Profeta Muhammad, e 150 anos depois de sua morte, a Shari'a não existia da forma como pensamos hoje. As pessoas não tratavam a Shari'a como um sistema de leis.

AS PRIMEIRAS SOCIEDADES MUÇULMANAS FORAM GOVERNADAS PELA LEI ISLÂMICA?

Não. As primeiras sociedades muçulmanas foram governadas por califas (do árabe "khalifa") - como Al-Khulafa al-Rashidun (os "Califas Corretamente Guiados") - e mais tarde por reis e imperadores. Esses governantes misturavam idéias islâmicas com regras seculares que já estavam em vigor ou eram práticas comuns. Esses primeiros impérios muçulmanos não tinham o que chamamos agora de "lei", com o governo fazendo leis que se aplicam a todas as pessoas e aplicando as leis em todos os lugares da mesma maneira. Comunidades muçulmanas aplicavam a Shari'a de maneira informal. Com o tempo, as leis mudaram. Novos governantes tentaram aproximar a lei da lei islâmica - como eles compreendiam na época, o que poderia ter sido diferente de como os governantes anteriores a entenderam. Outros introduziram novas leis seculares baseadas na cultura ou em seus objetivos pessoais.

AS LEIS DOS PAÍSES MUÇULMANOS MUDARAM QUANDO ELES FORAM COLONIZADOS?

Sim. Quase todos os países islâmicos foram controlados por países europeus que não eram islâmicos. Isso foi chamado colonização, e os países islâmicos foram chamados colônias ou protetorados das nações europeias que os controlavam. Os países europeus no poder, como a Grã-Bretanha e a França, foram chamados de potências coloniais. Esses países trouxeram suas próprias leis e práticas e as usaram nos países muçulmanos que controlavam.

Antes da colonização, a Shari'a era observada pelos muçulmanos, mas não era aplicada pelo governo. A colonização mudou isso.

A aplicação tradicional da Shari'a pelas comunidades foi substituída por leis ao estilo europeu que foram desenvolvidas para que o governo pudesse impô-las.

Por exemplo, antes da colonização, as partes em um caso legal escolhiam a madhab (escola de pensamento) que queriam aplicar ao seu caso. Selecionavam um juiz (qadi), que fosse um perito dessa madhab, e apresentavam o caso. Dessa forma, ambas as partes davam ao juiz a autoridade para tomar uma decisão. Eles sabiam que o julgamento era consistente com suas próprias crenças, e podiam aceitar a decisão do juiz. Durante o domínio colonial, essa escolha tradicional já não era mais possível. Os códigos jurídicos europeus foram criados e aplicados pelo governo, de acordo com a sua própria autoridade. As pessoas não tinham escolha no assunto: não tinham escolha entre a madhab que queriam seguir ou o juiz que queriam consultar.

Isso aconteceu em todos os campos do direito, mas aconteceu de forma diferente no direito da família. A Shari'a deveria continuar sendo aplicada ao direito da família, mas, funcionários do governo selecionaram princípios específicos da Shari'a, com base em suas próprias preferências, para serem transformadas em leis. Às vezes, os governantes misturavam opiniões muito diferentes de diferentes estudiosos e as transformavam em regras que, ao final, nenhum estudioso poderia aceitá-las como válidas.


Após a independência, os governantes muçulmanos continuaram a tentar aplicar a Shari'a como lei baseada no sistema a que estavam acostumados - o sistema colonial. O resultado foi a Lei da Família Muçulmana que é muito semelhante às leis europeias do período colonial. Para tornar essas leis mais aceitáveis para as pessoas, governantes muçulmanos dizem que a lei da família é "islâmica".

EXISTIAM TRIBUNAIS SECULARES EM PAÍSES MUÇULMANOS ANTES DA COLONIZAÇÃO?

Sim. Existiram tribunais seculares no período Omíada (661-750 CE) e no Abássida (que começou por volta de 750 CE). Esses tribunais seculares abordavam muitas questões práticas da nação, enquanto os juízes da Shari'a tratavam de coisas que consideravam "questões religiosas", incluindo o direito da família. Em tempos posteriores, esses dois sistemas jurídicos foram combinados em um sistema em que os juízes seculares, conforme necessário, consultavam estudiosos islâmicos. Um estudioso islâmico, ou mufti, poderia oferecer uma regra religiosa, ou fatwa, baseado em sua interpretação da Shari'a. Um juiz secular poderia então usar a fatwa para uma decisão legal.

A COLONIZAÇÃO MUDOU OS SISTEMAS JURÍDICOS NOS PAÍSES MUÇULMANOS?

Sim, mas não inteiramente. No século XIX, as potências coloniais criaram tribunais seculares, especialmente para lidar com casos civis e criminais usando leis coloniais. Nos países colonizados, a Lei Islâmica e as leis seculares existentes foram frequentemente substituídas por estas novas leis coloniais. Na prática, o direito islâmico tornou-se mais limitado, muitas vezes reduzido ao campo do direito da família.

Continue lendo para entender como a Lei da Família Muçulmana é usada hoje.

CAPÍTULO 3

ENTENDENDO COMO A LEI DA FAMÍLIA MUÇULMANA É USADA HOJE

HOJE, OS SISTEMAS DE DIREITO ISLÂMICO PODEM SER CHAMADOS DE SHARI'A?

NÃO. Países muçulmanos hoje aplicam leis que se baseiam na interpretação e julgamento humano, mesmo quando são chamadas de Lei Islâmica. A Lei Islâmica não é Shari'a por várias razões:

  • A Shari'a é um sistema moral, não um sistema legal.
  • Sempre que os países afirmam aplicar a Lei Islâmica, como na IFL, eles só podem aplicar as leis dos governantes selecionadas a partir de diferentes interpretações da Shari'a. Algumas leis são escolhidas sobre outras por causa das preferências pessoais do governante ou porque essas regras servem aos objetivos políticos do governante. O resultado não seria considerado Shari'a por qualquer madhab (escola de pensamento islâmico).
  • A lei exige que as pessoas façam coisas específicas, enquanto o Alcorão diz que não há compulsão em questões de fé. O Islã dá aos muçulmanos a liberdade de escolherem entre diferentes pontos de vista - uma escolha que só o crente pode fazer individualmente, porque no Islã, apenas o indivíduo é responsável pelas suas escolhas diante de Deus.

EXISTE ALGUM PROBLEMA EM APLICAR A LEI MUÇULMANA APENAS EM ALGUMAS ÁREAS, COMO A LEI DA FAMÍLIA?

Sim. A Shari'a, Lei Islâmica ou não, contém obrigações religiosas para os muçulmanos - mas elas devem ser observadas voluntariamente. Quando o governo impõe a Shari'a como lei, o muçulmano perde a liberdade de escolher entre diferentes pontos de vista - e se não pode escolher, também perde a chance de ser recompensados por Deus por ter feito uma boa escolha. A aplicação pelo governo incentiva a hipocrisia (dizendo ou fazendo uma coisa, enquanto acredita em outra) e tira a liberdade de crença. 

Outro problema é que a Shari'a é um sistema de princípios que abrange todas as áreas da vida. A Shari'a leva em conta o fato de que diferentes áreas da vida - do trabalho ao culto, da comunidade à vida familiar - estão conectadas. Tentar aplicar a Shari'a como Lei Islâmica em apenas algumas áreas da vida torna essas áreas distorcidas. Por exemplo, as diretrizes da Shari'a sobre o apoio à mulher divorciada são baseadas nas relações legais e sociais entre as pessoas em um momento particular da história. No entanto, as leis que regem as relações jurídicas e sociais mudaram ao longo dos séculos. Tentar aplicar as diretrizes da Shari'a, quando os relacionamentos realmente mudaram, pode levar a sérios problemas que vão prejudicar mulheres e famílias. O resultado está longe de mostrar a justiça que o Profeta Muhammad ensinou.

Por exemplo, a Shari'a entende que os homens são responsáveis por apoiar as mulheres de suas famílias, incluindo suas irmãs solteiras e divorciadas. As leis de hoje, no entanto, não tornam os irmãos legalmente responsáveis por suas irmãs. Se mulheres divorciadas não são apoiadas por seus ex-maridos, de alguma forma não podem trabalhar fora de casa, e não têm o apoio necessário de seus familiares, o resultado é injusto e contrário ao Islã.

EXISTE UMA RAZÃO PARA AS PESSOAS RESISTIREM ÀS MUDANÇAS DESSAS LEIS?

Sim. O direito da família tem sido usado como um "lembrete" que os governantes podem oferecer aos líderes religiosos, assim, líderes religiosos não vão se opor a outras leis seculares, como as relativas à empresa ou à usura. Os poderes coloniais amiúde controlavam tudo, exceto o direito da família. Mesmo os governantes muçulmanos têm deixado esta área de direito para os estudiosos religiosos como uma forma de manter a paz e obter apoio político. Por essa razão, a IFL tornou-se um símbolo da identidade religiosa muçulmana. Mesmo quando a IFL é injusta em relação às mulheres, alguns muçulmanos sentem que desistir significaria o fim do Islã. A batalha pela IFL tornou-se uma batalha pela identidade muçulmana, em vez de uma batalha pelo que é certo em princípio ou pelo que é verdadeiramente islâmico.

O STATUS DAS MULHERES É PARTICULARMENTE AFETADO PELA POLÍTICA NOS PAÍSES MUÇULMANOS?

Sim. Porque o direito da família tornou-se simbólico, e é usado frequentemente para mostrar as diferenças entre grupos diferentes. As pessoas usam o status das mulheres como um exemplo do que elas acreditam - por exemplo: forçar as mulheres a usarem lenços ou não, permitir a elas a escolha; dar às mulheres o direito de votar ou apenas dar aos homens o direito de voto; fornecer escolas para meninas, permitir que as meninas frequentem escolas de gênero misto ou proibindo meninas de frequentarem a escola. Alguns argumentaram que é necessário parar e reverter qualquer movimento em direção à igualdade para as mulheres. Eles sentem que o direito islâmico não deve ser abandonado em uma área onde, muitas vezes, ainda é usado. Outros argumentaram que o abandono da Lei da Família Muçulmana é necessário para tornar as sociedades islâmicas mais justas para todos. No entanto, esses dois argumentos cometem o erro de assumir que a Lei da Família Muçulmana de hoje é a mesma coisa que a Shari'a e a religião do Islã. Na verdade, é toda interpretação humana.

OS PAÍSES DE MAIORIA MUÇULMANA PODEM APLICAR INDISTINTAMENTE A SHARI'A COMO LEI?

Não, e eles não devem. Há várias razões para isso.

1- A Shari'a é um conjunto de diretrizes para viver uma vida moralmente responsável. Ela aborda como uma pessoa pode se relacionar eticamente com Deus e com os outros. É aberto e flexível, enquanto o direito não é. Transformar a Shari'a em lei muda isso.
2- Os princípios da Shari'a não fornecem tudo o que é necessário para um sistema jurídico completo.
3- Os países islâmicos hoje fazem parte de um sistema mundial, baseado em um modelo europeu de Estado-nação. Isso afeta as relações políticas, econômicas e sociais dentro e entre as nações muçulmanas. Usando este modelo, os países muçulmanos assumem obrigações nacionais e internacionais, como a participação em tratados de direitos humanos, no Banco Mundial e na Organização Mundial do Comércio, para citar apenas alguns. Alguns tratados internacionais, como os relativos aos direitos humanos, refletem os ensinamentos do Alcorão e do Profeta Muhammad. No entanto, eles são aplicados sob a autoridade do direito internacional, não sob a autoridade do Islã. Além disso, esses acordos são obrigatórios para as nações - mesmo que algumas de suas disposições violem a Shari'a. Se as sociedades islâmicas rejeitassem este sistema mundial e o modelo europeu de Estado-nação para tentar viver completamente de acordo com a Shari'a, isso exigiria mudar tudo, desde sistemas governamentais até fronteiras políticas. Isso isolaria, econômica e politicamente,  essas sociedades do resto do mundo.

SE OS GOVERNOS NÃO APLICAREM A LEI ISLÂMICA, AS PESSOAS SAIRÃO DO ISLÃ?

Não. Os sistemas atuais da Lei Islâmica não são Shari'a, então, eles não são verdadeiramente islâmicos em primeiro lugar. Mesmo que seus governos usem a Lei Islâmica, os indivíduos devem praticar o Islã e seguir sua compreensão individual da Shari'a, por escolha e convicção - não por medo do governo. Nesse caso, suas escolhas não são forçadas por lei. Em vez disso, eles são guiados pela fé. Os primeiros muçulmanos não viveram sob a lei Shari'a, e eles são considerados pela maioria dos muçulmanos como sendo mais devotos do que todas as gerações que vieram depois. Suas escolhas foram guiadas pela fé - não por medo de alguma ação legal. Ainda hoje, o Islã está crescendo em nações que não são historicamente muçulmanas e que não têm governos islâmicos.

EXISTE UM LUGAR PARA O LIVRE ARBÍTRIO NO ISLÃ?

Sim. (NÃO HÁ COMPULSÃO NA RELIGIÃO - Alcorão) A vontade humana e a liberdade de escolha são os fundamentos de toda a responsabilidade religiosa. É por isso que as crianças e as pessoas com doenças mentais graves não são consideradas religiosamente responsáveis no Islã. A vontade humana é a coisa principal que separa as pessoas de outras coisas vivas, de acordo com fontes islâmicas. A vontade humana permite que as pessoas façam escolhas e interpretem como devem viver suas vidas. A vontade humana pode orientar as pessoas para escolhas morais, haja ou não leis que exijam essas escolhas - ou as proíbam.

No Islã, quando as pessoas escolhem fazer algo moralmente correto, é mais altamente recompensado do que quando não têm escolha. O Alcorão ensina que não há compulsão na religião - as pessoas não devem ser forçadas (por lei, coerção ou força física) a seguir qualquer parte do Islã. Forçar as pessoas as impede de se aproximarem de Deus por meio de suas próprias escolhas baseadas em sua fé.

O LIVRE ARBÍTRIO DESEMPENHA ALGUM PAPEL NA LEI?

Sim. Sem o livre arbítrio, não pode haver responsabilidade - ninguém pode ser culpado ou recompensado por suas ações. A vontade humana é uma parte fundamental da lei em todos os níveis.

  • As leis existem para limitar a vontade humana.
  • Os governantes exercem suas vontades quando criam leis.
  • Os governantes exercem suas vontades quando escolhem como impor leis.
  • Juízes exercem suas vontades quando interpretam leis.
  • Os seres humanos em todas as esferas da vida exercem suas vontades quando decidem ou não seguir as leis.

O papel da vontade humana é a razão pela qual a Shari'a difere tanto entre os países islâmicos.

É NECESSÁRIO TRANSFORMAR O DIREITO DA FAMÍLIA NOS PAÍSES MUÇULMANOS?

Sim. Algumas pessoas se apegam ferozmente ao direito da família como símbolo de sua fé, equivocadamente confundindo a Lei da Família Muçulmana com a Shari'a. No entanto. A atual Lei Islâmica não pode ser chamada de Shari'a. A Shari'a aplicada como lei mudou seu real significado, e aplicar apenas certas partes da Shari'a causa problemas sociais, como questões de direitos humanos. A lei da família nos países muçulmanos de hoje deve ser guiada por políticas sociais justas, bem como princípios islâmicos que não distorcem o Alcorão.

FONTES

Para obter mais informações sobre estes tópicos e outros relacionados:

  • Islamic Family Law in a Changing World: A Global Resource Book, ed. Abdullahi Ahmed An-Na’im. Zed Books. 2002.
  • Toward an Islamic Reformation: Civil Liberties, Human Rights and International Law. Abdullahi Ahmed An-Na’im. Syracuse University Press. 1990.
  • Islam and the Secular State: Negotiating the Future of Sharia. Abdullahi Ahmed An-Na’im. Harvard University Press. 2008.
  • What is an American Muslim? Embracing Faith and Citizenship. Abdullahi Ahmed An-Na'im. Oxford University Press. 2014.

Mais sobre a Shari'a e a lei moderna podem ser encontradas no Capítulo 2 do Toward an Islamic Reformation e no Capítulo 1 do Islam and the Secular State. Muitas fontes, em árabe e inglês, são dadas nesses capítulos.

SOBRE O AUTOR

Dr. Abdullahi Ahmed An-Na'im é Charles Howard Candler Professor de Direito na Universidade Emory. Estudou Direito e Sharia na Universidade de Cartum, em seu Sudão nativo, e Cambridge, Inglaterra, e obteve seu Ph.D. na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Ele ensina direito desde 1976, primeiro no Sudão, e depois nos EUA, Canadá e Suécia. Ele é autor do Islã e o Estado Secular (2008); Constitucionalismo Africano e o Papel do Islã (2006); E Para uma Reforma Islâmica: Liberdades civis, direitos humanos e direito internacional (1990). Ele também é o editor da Direitos Humanos sob as Constituições Africanas (2003); Lei da Família Muçulmana em um Mundo em Mudança: Um Livro de Recursos Globais (2002); Transformação Cultural e Direitos Humanos na África (2002); As dimensões culturais dos direitos humanos no mundo árabe (em árabe, 1994); Os Direitos Humanos Sob Perspectivas Transculturais: Quest for Consensus (1992). Sites de seus projetos de pesquisa (Women and Land in Africa, Islamic Family Law and Islam and Human Rights) estão todos ligados à sua homepage em http://law.emory.edu/faculty-and-scholarship/faculty-profiles/annaim- Profile.html.

Seu projeto atual sobre o Futuro da Shari`a (Lei Islâmica) pode ser visto em http://sharia.law.emory.edu.

Em suas publicações em inglês, o professor An-Na'im usa transliteração simplificada (ortografia de termos árabes em letras inglesas).