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terça-feira, 10 de abril de 2018

A Biografia De Muhammad (nas ahadith) Tem Autenticidade Histórica?

Documentos que retratam os primórdios do islã, referem-se aos seguidores de Muhammad como "agarenos" e "tribo de Ismael", em outras palavras, como descendentes de Hagar, a criada que o patriarca judeu Abraão usou para dar à luz ao seu filho Ismael.
A erudição islâmica do século XIX, na Alemanha, foi progressista e historicamente crítica, ela está associada a nomes como Sprenger, Nöldeke, Wellhausen e Ignaz Goldziher. Apesar de passar por um declínio assustador no decorrer de algumas décadas, (1) com os orientalistas acostumados apenas a adotar as lendas religiosas islâmicas tradicionais, e agindo como se Ignaz Goldziher nunca tivesse existido. Na década de 1970, com Günter Lüling, iniciou-se uma verdadeira reviravolta. (2)

Os métodos de pesquisa e os resultados preliminares da pesquisa do Departamento de Estudos Religiosos são apresentados, então, na Universidade de Saarbrücken (3), onde professores, sob a direção de Karl-Heinz Ohlig, (4) - examinam a gênese do Alcorão e a historicidade de Muhammad. Os pesquisadores da Saarbrücken afirmam que, tradicionalmente, os muçulmanos nunca estiveram interessados em pesquisas de fontes críticas. As tradições (ahadiths) foram guiadas por interesses históricos, portanto, representam textos narrativos míticos no sentido de uma teologia narrativa. 



Desde os primeiros duzentos anos da era islâmica, nenhuma fonte relata um profeta chamado Muhammad e uma religião chamada Islã. O iraniano e arqueólogo Volker Popp conclui de testemunhos numismáticos, iconográficos e epigráficos dos séculos VII e VIII que a Arábia ainda era cristã na época. (5)

Nasce a Escola Revisionista do Islã

O principal interesse da Escola Revisionista do Islã é demonstrar a conseqüência do conhecimento, praticamente disponível desde a época de Ignác Goldziher, de que os relatos islâmicos tradicionais (ahadith) - escritos entre 150 e 200 anos depois de Muhammad - são altamente questionáveis ​​como históricos. Isso se relaciona com a biografia de Muhammad, a história da formação do Alcorão e os desenvolvimentos históricos sob a primeira dinastia islâmica, o califado omíada. Os verdadeiros eventos históricos, nos primeiros tempos do Islã, precisam ser pesquisados ​​e reconstruídos pela aplicação do método histórico-crítico. (6)

A designação Revisionismo foi cunhada primeiro pelos opositores do novo movimento acadêmico, e é usada por eles, ainda hoje, com um tom desconsiderado. (7) Então, a mídia assumiu essa designação para chamar o novo movimento com uma palavra concisa. (8) Hoje, os adeptos do novo movimento também usam a palavra revisionismo para designar a si mesmos, mas, escrito entre aspas, e com um tom ligeiramente auto-zombeteiro. (9)

O novo movimento originou-se na SOAS, Universidade de Londres, por duas publicações de John Wansbrough: "Quranic Studies" (1977) e "The Sectarian Milieu" (1978). Entre os estudantes de Wansbrough estão: Andrew Rippin, Norman Calder, GR Hawting, Patricia Crone e Michael Cook. Com seu trabalho, "Hagarism" (1977), Patricia Crone e Michael Cook, estabeleceram um marco nos Estudos Islâmicos, uma vez que, por meio de teses provocativas, eles davam a máxima atenção à comunidade acadêmica. Mais tarde, ambos se distanciam de suas teses em "Hagarism". No entanto, eles aderiram à uma abordagem acadêmica basicamente nova. Martin Hinds também estudou na Escola de Estudos Orientais e Africanos em Londres. Robert G. Hoyland é aluno de Patricia Crone.

Um segundo foco local do novo movimento está na Universidade de Sarre, em Sarbruque, Alemanha ("Escola Saarbrücken"). Desde a década de 1970 há um foco na pesquisa histórico-crítica do desenvolvimento do Alcorão, por Günter Lüling e Gerd-Rüdiger Puin. Também em Sarbruque, Karl-Heinz Ohlig desenvolveu nos anos 2000, juntamente com Volker Popp, Christoph Luxenberg e Markus Grob, uma teoria dos primeiros tempos do Islã que não vê a necessidade de Muhammad como figura histórica.

Outros representantes são: Hans Jansen, da Holanda, Tom Holland, do Reino Unido, e Sven Kalisch, da Alemanha. 
Jansen que em 2005/7 publicou um trabalho mostrando, em detalhes, porque os relatos conhecidos da vida de Muhammad são apenas lendas. Yehuda D. Nevo publicou em 2003 o seu trabalho "Crossroads to Islam: The Origins of the Arab Religion and the Arab State" em que ele nega a historicidade de Muhammad. James A. Bellamy é conhecido por sua crítica textual ao Alcorão e por suas propostas de emendas, isto é, propostas para corrigir o texto tradicional do Alcorão. Fred Donner publicou em 2010 a primeira hipótese bem fundamentada sobre o Islã primitivo, sem exageros excessivos, que encontrou a atenção do público.



Tom Holland estudou história e tornou-se renomado autor de publicações científicas populares sobre a história antiga. Com seu trabalho Na Sombra da Espada (2012), Tom Holland contribuiu fortemente para a popularização dos novos resultados da pesquisa. Tom Holland descreve uma possível síntese das várias abordagens revisionistas, tendo, assim, que Fred Donner forneceu uma hipótese bem fundamentada sobre os primeiros tempos do Islã, o que evita exageros. Você pode ver um ótimo documentário dele no link ao lado > Islã - A História não contada mais um ótimo artigo traduzido para o português aqui > Tom Holland: “A religião deve ser investigada” O escritor britânico causa polêmica com livro e um documentário em que contesta a narrativa tradicional sobre as origens do islamismo

Sven Kalisch é um teólogo islâmico que rejeitou o ensino da teologia islâmica que não considere os novos resultados da pesquisa histórico-crítica. Então, as associações islâmicas alemãs retiraram sua permissão para ensinar futuros teólogos e professores islâmicos. Hoje ele está ensinando a história das idéias no Oriente próximo e na antiguidade tardia, em Münster.

A tese da incredibilidade das tradicionais contas islâmicas

Os argumentos contra a credibilidade das tradições islâmicas clássicas foram, por exemplo, resumidos pelo Prof. Hans Jansen em sua obra "De Historische Mohammed." Jansen discute, capítulo por capítulo, as representações na biografia do profeta de Ibn Ishaq (é um texto importante para o Islã tradicional). Jansen revela autocontradições, contradições com outras fontes históricas, embelezamentos de autores posteriores, distorções politicamente ou teologicamente motivadas, significados simbólicos de nomes supostamente históricos, construção literária da representação segundo, por exemplo, modelos bíblicos, e acréscimos cronológicos e calendáricos.

Alguns exemplos: (10)

*Embora houvesse meses bissextos na época de Muhammad, que tiveram que ser intercalados freqüentemente no calendário lunar -e que só mais tarde foi abandonado (supostamente por Muhammad), nenhum dos muitos eventos precisamente datados por Ibn Ishaq está em mês bissexto.
*A datação mais precisa de tantos eventos por um autor que escreve 150 anos após a morte de alguém, não é muito confiável.
*A representação de uma relação forte entre Muhammad e sua esposa Aisha é motivada politicamente (Aisha, para os muçulmanos, era filha de Abu Bakr, que se tornou sucessor de Muhammad contra as alegações de seu rival, Ali. A fim de legitimar essa sucessão contra os xiitas, que eram a favor de Ali, a relação da filha de Abu Bakr com Muhammad se tornou enfatizada: Aisha foi supostamente a esposa favorita de Muhammad, na qual consumou o casamento quando ela era muito jovem.)
*A representação do massacre da tribo judaica dos Banu Curaiza é motivada politicamente (Como o "tratado de Medina" mostra, os judeus eram inicialmente parte da "ummah" -comunidade- e eram chamados de "crentes"; compare com a pesquisa do Prof. Fred Donner). Quando o Islã mais tarde se separou do judaísmo, surgiram leituras antissemitas do passado. A tríplice traição sofrida por Muhammad por três tribos judaicas é uma construção literária de acordo com modelos bíblicos, por exemplo, a tripla traição de Jesus pelo apóstolo Pedro e, portanto, é historicamente questionável. Existem outras tradições sobre o mesmo evento que dizem que apenas os líderes da tribo foram punidos, não todos os membros da tribo. Os nomes das três tribos judaicas não aparecem no "tratado de Medina". Finalmente, esse massacre em massa não teria passado despercebido, nem mesmo na época de Muhammad, especialmente se considerarmos que as vítimas eram judeus: os judeus viviam em redes comerciais internacionais e eram conhecidos por escrever sua história. Muito provavelmente, o massacre dos Banu Curaiza nunca aconteceu.
*As representações de Ibn Ishaq são geralmente conhecidas por exagerar as capacidades do profeta. De acordo com Ibn Ishaq, Muhammad sempre mata mais inimigos do que de acordo com outras tradições. Mesmo a representação da potência masculina do profeta (que supostamente poderia satisfazer todas as suas esposas em uma noite) é exagerada de maneira questionável. Da mesma categoria é a representação de Muhammad como uma pessoa analfabeta. A revelação do texto do Alcorão seria ainda mais miraculosa. e a capacidade do profeta ainda mais surpreendente. se ele fosse realmente uma pessoa analfabeta.
*O relato das cartas de Muhammad aos Chefes de Estado, incluindo o imperador de Bizâncio, para que se convertessem ao Islã, justifica retrospectivamente a expansão árabe como uma expansão religiosa islâmica.

Jansen aponta que as essas tradições (historicamente questionáveis) ​​são de grande importância para a interpretação do Alcorão. O Alcorão na maior parte não revela a situação para a qual uma revelação foi feita. O contexto histórico é meramente indicado, na melhor das hipóteses. Muitas tradições islâmicas surgiram muito tempo depois de Muhammad, com base em meras suposições sobre a situação que um verso corânico havia sido revelado. Devido a essas tradições, historicamente questionáveis, a interpretação do Alcorão tem sido restringida desde então.

Outro trabalho de grande importância é o livro "Meccan Trade and the Rise of Islam," onde Patricia Crone faz um exame geral da credibilidade das tradições islâmicas. Esse exame é muito citado na literatura, mas discute apenas alguns aspectos da biografia de Muhammad, que pretende ser exemplar para a natureza de todas as tradições islâmicas. Sobre o encontro do jovem Muhammad com os judeus que o reconhecem como um profeta, e outras histórias, Patricia Crone escreve: "Essas histórias não são diferentes das do encontro de Muhammad com os judeus e outros. Sendo não-milagrosas, elas não violam nenhuma lei da natureza, é claro, e nesse sentido elas podem ser verdadeiras. Na verdade, elas claramente não o são. [...] Não podemos nem dizer se houve um evento original: no caso do encontro de Muhammad com os judeus e outros não houve. Ou um tema fictício adquiriu realidade graças às atividades dos contadores de histórias ou um evento histórico foi inundado por essas atividades."

As novas teses sobre o verdadeiro começo do Islã

O ponto de partida para todos os pesquisadores é a consciência de que os relatos islâmicos tradicionais, (ahadith) que surgiram apenas 150 a 200 anos depois de Muhammad, são altamente questionáveis ​​como fontes históricas. Os verdadeiros eventos, dos primórdios do islã, precisam ser recentemente pesquisados ​​e reconstruídos com a ajuda do método histórico-crítico. A seguir, as teses dos revisionistas em linhas gerais:

O texto do Alcorão, atualmente em uso, mostra muitas diferenças em relação aos primeiros manuscritos existentes. Uma parte central do Alcorão pode derivar das anunciações de Muhammad, mas algumas partes foram definitivamente acrescentadas mais tarde. resp. foram retrabalhadas mais tarde. Além disso, vários pequenos desvios entraram no texto, como é de costume acontecer com textos antigos que foram copiados e recopiados manualmente. (11)

A existência e o significado do profeta Muhammad, como uma pessoa histórica, depende especialmente da questão de se alguma e quantas partes do Alcorão podem ser atribuídas ao seu tempo, ou se todas ou a maioria das partes do Alcorão surgiram somente após o tempo dele. As opiniões dos pesquisadores diferem nesta questão. (12) Fred Donner sugere uma data antecipada para o Alcorão. (13)

O Alcorão não está escrito em árabe "puro", mas a língua aramaica siríaca, que foi esquecida posteriormente, parece ter uma certa influência na linguagem do Alcorão. Isso explica porquê um quinto do texto do Alcorão é de difícil compreensão. (14)

O Islã não surgiu entre os pagãos politeístas do deserto, mas em um ambiente onde os textos judaicos e cristãos eram bem conhecidos. Os "infiéis" não eram politeístas pagãos, mas monoteístas considerados um pouco desviados. (15)
“É interessante notar que as diferenças ortográficas, observadas nos manuscritos do século VIII, são variações de pronúncia que uma comparação com edições do Corão do século XX no Paquistão, Egito, Arábia Saudita, Marrocos e Nigéria mostra ainda existirem. (…) Podemos dizer que a atitude face ao texto de permitir ambiguidade e uma série de leituras é característica da tradição muçulmana desde os primeiros tempos. Até à data presente, o Corão é recitado de um modo acústico e textual ligeiramente ‘divergente’ em Marrocos e no Egito. O que o Corpus Coranicum procura é um estudo sistemático de todo o material disponível, manuscritos ou fontes sobre diferentes tradições islâmicas de leitura, de modo a estudar o texto do Corão – da mesma maneira que a Bíblia hebraica e o Novo Testamento são estudados – com a devida diligência, conhecimento e precisão.” Veja mais em Um “arquivo perdido” vai colocar o Corão no “lugar certo da História” 
As descrições geográficas no Alcorão e tradições posteriores não se encaixam em Meca. Eles apontam para algum lugar ao noroeste da Arábia, por exemplo, para Petra, na Jordânia. (16)

A conexão entre muçulmanos e judeus foi muito próxima nos primeiros tempos do Islã. Os judeus também eram chamados de "crentes" e faziam parte da "ummah" (comunidade). Textos antissemitas como, por exemplo, o massacre da tribo judaica dos Banu Curaiza, surgiram muito tempo depois de Muhammad, quando o Islã se separou do judaísmo. (17)

No começo, o poder secular e espiritual estava unido na pessoa do califa. Não havia estudiosos religiosos. Os eruditos religiosos surgiram apenas mais tarde e conquistaram o poder espiritual dos califas. (18)

A expansão islâmica provavelmente não foi uma expansão motivada pela religião, mas uma expansão secular e árabe. A expansão não resultou em uma opressão da população não-muçulmana. (19)

Depois de Muhammad, existiram pelo menos duas fases que foram de grande importância para a formação do Islã em sua forma posterior:

Sob o califa omíada Abd al-Malik ibn Marwan, o Domo da Rocha em Jerusalém foi construído. Lá, a palavra "Islam" aparece pela primeira vez. Até esse momento, os muçulmanos chamavam a si mesmos simplesmente de "crentes", e moedas eram cunhadas no império árabe mostrando símbolos cristãos. Abd al-Malik também desempenha um papel importante na reformulação do texto do Alcorão. (20)

Durante o Califado Abássida, praticamente todos os textos islâmicos tradicionais foram escritos. Os abássidas, como a parte vitoriosa no conflito com os omíadas, tinham grande interesse em legitimar seu governo. Essa motivação obviamente se insinuou nos textos tradicionais. (21)

Um desafio para reflexão e reforma do Islã

A relação entre religião e ciência sempre foi moldada por conflitos ... É sempre um processo doloroso para cada religião perceber que partes de seus ensinamentos estavam errados: no início, novos resultados científicos são freqüentemente considerados como um ataque à religião; apenas mais tarde é que se percebe que a religião pode viver com as novas descobertas, desde que seu núcleo não seja afetado, e as coisas sejam resolvidas no caminho das reformas religiosas. (22)

Por natureza, novas descobertas, sobre os primeiros tempos do Islã, tocam a identidade da religião islâmica. Assim, os crentes reivindicam, e com razão, que qualquer pesquisa concernente à sua fé progrida com grande diligência e cautela, a fim de evitar irritações desnecessárias. Ao mesmo tempo, os acadêmicos têm o direito de fazer suas pesquisas livremente e sem qualquer restrição, mesmo que os resultados sejam contrários aos ensinamentos religiosos. (23)

A gravidade da irritação depende do quanto os principais ensinamentos do Islã são tocados ou não, especialmente a historicidade de Muhammad e sua atribuição ao Alcorão. De acordo com essa questão, a escola histórico-crítica pode ser dividida em dois grupos:

*Os que não negam a historicidade de Muhammad (acreditam que ele existiu, mas não como alegam as ahadith) e supõem que o Alcorão tenha surgido principalmente em seu tempo, assim, a essência central da religião islâmica permanece intocada. Este é o caso, por exemplo, dos seguintes representantes do revisionismo: Patricia Crone, Michael Cook , Fred Donner, Tom Holland e Günter Lüling .
*Os que negam a historicidade de Muhammad e supõem que o Alcorão tenha surgido após seu tempo, aqui, a essência central da religião islâmica é colocada em questão. Este é o caso, por exemplo, dos seguintes representantes do revisionismo: John Wansbrough, Hans Jansen, Karl-Heinz Ohlig e Yehuda D. Nevo .

Além da discussão sobre a historicidade de Muhammad, e do texto do Alcorão atribuído a ele, o Islã enfrenta os seguintes debates: (24)

*Textos tradicionais, que moldaram o islamismo por séculos - mas não desde o começo - não são verdadeiros.
*O texto do Alcorão não foi transmitido inalterado aos nossos tempos.
*Mesmo no Alcorão, a palavra de Deus é, em muitos aspectos, revestida de palavras humanas.
*Muhammad não morava em Meca.
*A relação entre Muhammad, judeus e cristãos era diferente do que sempre se pensava.
"Há um sério problema com tudo que lide com o islã primitivo. Isso já é conhecido há muito tempo. O problema é que as fontes que descrevem as origens do islã, foram escritas muito tempo após a morte de Muhammad, em alguns casos, centenas de anos depois. A evidência documental real é esparsa, e a narrativa tradicional não está correta." Fred Mcgraw Donner, estudioso do islã e professor de História do Oriente na Universidade de Chicago. 
Então, quais evidências históricas temos sobre o Profeta Muhammad?

Em início, temos um texto grego, escrito durante a invasão árabe da Síria entre 632 e 634, onde menciona que "um falso profeta apareceu entre os sarracenos" e o ataca como um impostor, alegando que os profetas não vêm "com espada e carruagem". Do lado islâmico, fontes datadas de meados do século VIII em diante preservam um documento elaborado entre Muhammad e os habitantes de Medina, com boas razões para aceitarmos como amplamente autêntico. Muhammad também é mencionado pelo nome, e identificado como um mensageiro de Deus, quatro vezes no Alcorão. Mas o Alcorão não nos dá um relato da vida do profeta, pelo contrário, ele não nos mostra o profeta de fora, mas nos leva para dentro de sua cabeça, onde Deus está falando, dizendo o que pregar, como reagir às pessoas que zombam dele, o que dizer aos seus apoiantes, e assim por diante. Nós vemos o mundo através de seus olhos, e o estilo alusivo torna difícil acompanhar o que está acontecendo.

Eventos são referidos, mas não narrados; desacordos são debatidos sem serem explicados; pessoas e lugares são mencionados, mas raramente são nomeados. Os defensores são simplesmente referidos como crentes; opositores são condenados como incrédulos, politeístas, malfeitores, hipócritas e similares, com apenas as informações mais básicas sobre quem eram ou o que diziam ou faziam em termos concretos. Pode ser, e às vezes parece ser, que as mesmas pessoas agora aparecem sob um rótulo e depois sob outro.

Uma coisa parece clara, no entanto: todas as partes no Alcorão são monoteístas que adoram o Deus da tradição bíblica, e todos são familiares - se raramente diretamente da própria Bíblia - com conceitos e histórias bíblicas. Isto é verdade até para os chamados politeístas, tradicionalmente identificados com a tribo de Muhammad em Meca. A tradição islâmica diz que os membros desta tribo, conhecidos como Coraixitas, eram crentes no Deus de Abraão, cujo monoteísmo havia sido corrompido por elementos pagãos; os historiadores modernos estariam inclinados a reverter esse relacionamento e lançar os elementos pagãos como mais antigos que o monoteísmo; mas algum tipo de combinação de monoteísmo do tipo bíblico e paganismo árabe é de fato o que se encontra no Alcorão.

Os chamados politeístas acreditavam em um Deus criador que governava o mundo a quem eles se aproximavam através da oração e do ritual; de fato, como os inimigos ideológicos anatematizados dos tempos modernos, eles parecem ter se originado na mesma comunidade que as pessoas que os denunciaram. Por uma variedade de razões doutrinárias, entretanto, a tradição gosta de enfatizar o lado pagão dos oponentes do profeta, e uma fonte altamente influente em particular (Ibn al-Kalbi) os lança como adoradores ingênuos de pedras e ídolos de um tipo que pode muito bem ter existido em outras partes da Arábia. Por essa razão, a literatura secundária tendeu a descrevê-los como simples pagãos também.

Mas, o Alcorão é fonte confiável?

Sim e não. As primeiras versões do Alcorão oferecem apenas o esqueleto consonantal do texto. Nenhuma vogal é marcada e, pior, não há sinais diacríticos, de modo que muitas consoantes também podem ser lidas de várias maneiras. Estudiosos modernos geralmente se asseguram que sendo o Alcorão recitado desde o início, podemos confiar na tradição oral para nos fornecer a leitura correta. Mas muitas vezes há discordância considerável na tradição - geralmente relacionada à vogal, mas às vezes envolvendo consoantes - sobre a maneira correta pela qual uma palavra deve ser lida. Isso raramente afeta o significado geral do texto, mas afeta os detalhes que são muito importantes para a reconstrução histórica.
"... Existem variações de quase todos os 114 versos do Alcorão. Apenas os versos curtos e facilmente lembrados - cerca de cinco por cento do texto total - são idênticos em todos os textos que nos foram transmitidos. Este é o resultado da pesquisa de Charfi, conduzida ao longo de mais de dez anos com uma equipe de dez acadêmicos voluntários: Não existe um texto sagrado, claro, mas uma rede de textos em várias camadas que carregam traços da história, ambientes político, social e religioso de seus autores..."
Uma questão de geografia

Os habitantes dos impérios bizantino e persa escreveram sobre os extremos norte e sul da península, de onde também temos numerosas inscrições; mas o meio era terra incógnita. É precisamente aqui que a tradição islâmica situa a carreira de Muhammad. Nós não sabemos o que estava acontecendo lá, exceto o que a tradição islâmica nos diz.

Nenhuma única fonte fora da Arábia menciona Meca antes das conquistas, e nenhuma delas exibe qualquer sinal de reconhecimento ou nos diz o que se sabe sobre isso quando aparece nas fontes posteriores. Que havia um lugar chamado Meca, onde Meca é hoje, pode ser verdade; que tinha um santuário pagão é perfeitamente plausível (a Arábia estava cheia de santuários), e bem poderia ter pertencido a uma tribo chamada Coraixitas. Mas não sabemos nada sobre o lugar. Em suma, não temos contexto para um profeta e sua mensagem.

É difícil não suspeitar que a tradição coloca a carreira do profeta em Meca, pela mesma razão que insiste que ele era analfabeto: a única maneira pela qual ele poderia ter adquirido conhecimento, de todas as coisas que Deus havia dito anteriormente aos judeus e aos cristãos, só pode ter sido por revelação do próprio Deus. Meca era território virgem; não tinha comunidades judaicas nem cristãs.

A suspeita de que a localização é doutrinariamente inspirada, é reforçada pelo fato de que o Alcorão descreve os opositores politeístas como agricultores que cultivavam trigo, uvas, azeitonas e tamareiras. Trigo, uvas e azeitonas são os três grampos do Mediterrâneo; palmeiras nos levam para o sul, Meca não era adequada para nenhum tipo de agricultura, e ninguém poderia produzir azeitonas lá.

Além disso, o Alcorão descreve duas vezes seus adversários como vivendo no local de uma nação desaparecida, isto é, uma cidade destruída por Deus por seus pecados. Existiam muitos locais arruinados ao noroeste da Arábia. O profeta freqüentemente diz a seus oponentes que considerem seu significado e em uma ocasião comenta, com referência aos restos mortais do povo de Ló, que "você passa por eles de manhã e à noite". Isso nos leva a algum lugar na região do Mar Morto. O respeito pelo relato tradicional prevaleceu de tal forma entre os historiadores modernos, que os dois primeiros pontos passaram despercebidos até bem recentemente, enquanto o terceiro foi ignorado. Os exegetas disseram que os coraixitas passaram pelos restos mortais de Ló em suas viagens anuais à Síria, mas a única maneira pela qual alguém pode passar por um lugar de manhã e à noite é evidentemente vivendo em algum lugar na vizinhança.

Todas as fontes dizem que os coraixitas negociavam no sul da Síria, muitos dizem que também negociavam no Iêmen e outros acrescentaram o Iraque e a Etiópia a seus destinos. Eles são descritos como sendo comerciantes principalmente de artigos de couro, roupas de lã e outros itens de origem predominantemente pastoril, assim como perfumes (e não no incenso da Arábia Meridional ou bens de luxo indianos, como costumávamos pensar). Seu comércio de caravanas foi invocado para explicar a familiaridade com o material bíblico e para-bíblico, que é uma característica tão marcante do Alcorão, mas isso vai muito além do que os comerciantes provavelmente escolheriam nas viagens anuais. Não há dúvida, no entanto, que de uma forma ou de outra uma comunidade comercial está envolvida na ascensão do Islã, embora não esteja claro como isso se relaciona com os agricultores do Alcorão. Sobre tudo isso há muito a ser dito.

Três fontes de evidência

O maior problema, enfrentado pelos estudiosos sobre a ascensão do Islã, é identificar o contexto em que o profeta trabalhou. Como ele estava reagindo e por que o resto da Arábia era tão receptivo à sua mensagem? Temos uma boa chance de avançar, pois estamos longe de ter explorado ao máximo nossos três principais tipos de evidências - as tradições associadas ao profeta (principalmente as ahadith), o próprio Alcorão e (uma nova fonte de enorme promessa) a arqueologia.

O primeiro é o mais difícil de lidar; as "ahadith" - relatórios curtos (às vezes apenas uma linha ou duas) registrando o que uma figura inicial, como um companheiro do profeta ou o próprio Muhammad, dizia ou fazia em uma ocasião específica, precedida por uma cadeia de transmissores. A maioria das fontes iniciais da vida do profeta, como as do período de seus sucessores imediatos, consiste em algum "hadith" arranjado de uma maneira ou de outra.

O objetivo desses relatórios era validar a lei e doutrina islâmicas, não registrar a história no sentido moderno e, como eram transmitidas oralmente, como declarações muito curtas, elas se afastavam facilmente de seu significado original à medida que as condições mudavam. (Elas também foram facilmente fabricadas, mas esse é um problema menor.) As "ahadith" testemunham conflitos intensos sobre o que era ou não o verdadeiro Islã até o século IX, quando o material foi coletado e estabilizado; esses debates obscureceram a natureza histórica das figuras invocadas como autoridades, ao mesmo tempo em que nos dizem muito sobre as percepções posteriores.

O material é amorfo e difícil de manusear. Simplesmente coletar a enorme massa de versões variantes e relatos conflitantes sobre um determinado assunto costumava ser uma tarefa trabalhosa; agora ele foi renderizado praticamente sem esforço por bancos de dados pesquisáveis. No entanto, ainda não temos métodos geralmente aceitos para ordenar o material, seja como evidência para o profeta ou para as posteriores disputas doutrinárias (para as quais ele provavelmente se mostrará mais frutífero). Mas muito trabalho interessante está acontecendo no campo.

Quanto à segunda fonte, o Alcorão, seu estudo até agora tem sido dominado pelo método dos primeiros exegetas muçulmanos, que tinham o hábito de considerar seus versos isoladamente, explicando-os com referência a eventos da vida do profeta sem consideração pelo contexto em que apareceu no próprio Alcorão. Na verdade, eles estavam substituindo o contexto do Alcorão por um novo.

Cerca de cinquenta anos atrás, um erudito egípcio chamado Mohammed Shaltut, mais tarde reitor da Universidade de Alazar, rejeitou esse método em favor da compreensão do Alcorão à luz do próprio Alcorão. Ele foi um estudioso religioso interessado na mensagem religiosa e moral do Alcorão, não um historiador de estilo ocidental, mas seu método também deveria ser adotado pelos historiadores. O procedimento dos primeiros exegetas serviu para localizar o significado do livro apenas na Arábia, isolando-o dos desenvolvimentos religiosos e culturais do mundo fora dele, de modo que, as histórias bíblicas e outras idéias originadas fora da Arábia, chegaram aos estudiosos modernos como "empréstimos estrangeiros", apanhados acidentalmente por um comerciante que não entendia realmente o que significam.

A compreensão geral está lentamente percebendo que isso é fundamentalmente errado. O profeta não era um estranho a esmo, colecionando os resultados dos debates do mundo monoteísta ao seu redor, mas um participante pleno desses debates. De maneira diferente, podemos dizer que a ascensão do Islã está relacionada com os desenvolvimentos no mundo da antiguidade tardia, e é com esse contexto em mente que precisamos reler o Alcorão. É uma grande tarefa, e haverá, de fato já houve, falsas viradas no caminho. Mas isso vai revolucionar o campo.

O terceiro, e imensamente excitante tipo de fonte, está surgindo cada vez mais no horizonte: a arqueologia. A Arábia, a grande incógnita, começou a ser escavada e, embora seja improvável que haja explorações arqueológicas em Meca e Medina a curto prazo, os resultados dessa disciplina já estão abrindo a mente.

A Arábia parece ter sido um lugar muito mais desenvolvido do que a maioria dos muçulmanos (inclusive eu) já suspeitava - não apenas ao norte e ao sul, mas também no meio. Estamos começando a ter um sentido muito mais sutil do lugar, e novamente devemos pensar nele como mais estreitamente ligado ao resto do Oriente Próximo do que costumávamos fazer. O registro das inscrições também está se expandindo. Com cada pedacinho de certeza que obtemos em um problema, o leque de possíveis interpretações em conexão com outros contratos, possibilita um melhor entendimento de onde procurar soluções e melhores conjeturas, onde não há evidências.

É verdade também que, em moedas, inscrições em árabe, e em papiros e outras fontes documentais na língua, Muhammad aparece apenas na década de 680, cerca de cinquenta anos após a sua morte (qualquer que seja a data exata) Tudo o mais sobre Muhammad é incerto. (25)

Revisionismo dentro do mundo muçulmano

Por mais de um século, tem havido figuras públicas no mundo muçulmano que tentaram o estudo revisionista do Alcorão e da história islâmica - o professor egípcio exilado Nasr Abu Zaid não foi o único. Talvez o antecessor mais famoso de Abu Zaid tenha sido o proeminente ministro do governo egípcio, o professor universitário e escritor Taha Hussein. Um determinado modernista, Hussein, no início da década de 1920, dedicou-se ao estudo da poesia árabe pré-islâmica e concluiu que grande parte desse corpo de trabalho fora fabricado bem depois do estabelecimento do islã, para dar apoio externo à mitologia corânica. Um exemplo mais recente é o jornalista e diplomata iraniano Ali Dashti, que em seu livro "Twenty Three Years: A Study of the Prophetic Career of Mohammed" (1985) repetidamente criticou seus colegas muçulmanos por não questionarem os relatos tradicionais da vida de Muhammad, muitos dos quais ele chamou de "criação de mitos e milagres."

Abu Zaid também cita o enormemente influente Muhammad 'Abduh como um precursor. Pai do modernismo egípcio do século XIX, 'Abdu viu o potencial de uma nova teologia islâmica nas teorias dos Mu'tazilis do século IX. As idéias dos Mu'tazilis ganharam popularidade em alguns círculos muçulmanos no início deste século (levando o importante escritor e intelectual egípcio Ahmad Amin a comentar em 1936 que "o fim do Mu'tazilismo foi a maior infelicidade a infligir os muçulmanos; eles cometeram um crime contra si próprios"). O falecido acadêmico paquistanês Fazlur Rahman levou a tocha Mu'tazilita para a era atual; ele passou os últimos anos de sua vida, dos anos 1960 até sua morte em 1988, vivendo e ensinando nos Estados Unidos, onde treinou muitos estudantes do Islã - ambos muçulmanos e não-muçulmanos - na tradição mu'tazilita.

Tal trabalho não veio sem custo, tanto Taha Hussein, como Nasr Abu Zaid, foram declarados apóstatas no Egito; Ali Dashti morreu misteriosamente logo após a revolução iraniana de 1979; e Fazlur Rahman foi forçado a deixar o Paquistão nos anos 60. Os muçulmanos interessados ​​em desafiar a doutrina ortodoxa devem seguir com cuidado. "Eu gostaria de tirar o Alcorão da prisão," disse Abu Zaid sobre a hostilidade islâmica reinante na reinterpretação do Alcorão para a era moderna, "de modo que mais uma vez se torne produtivo para a essência de nossa cultura e das artes, que estão sendo estranguladas em nossa sociedade." Apesar de seus muitos inimigos no Egito, Abu Zaid está fazendo progressos em direção a esse objetivo: há indícios de que seu trabalho esteja sendo amplamente lido, embora em silêncio, com interesse no mundo árabe. Abu Zaid diz, por exemplo, que seu livro "The Concept of the Text" (1990) - é responsável pelo seu exílio do Egito - seu livro passou por pelo menos oito impressões subterrâneas no Cairo e em Beirute.

Outro estudioso com um grande número de leitores, que está comprometido a reexaminar o Alcorão, é professor argelino da Universidade de Paris Mohammed Arkoun. Arkoun argumentou em "Lectures du Coran" (1982), por exemplo, que "é tempo [do Islã] assumir, junto com todas as grandes tradições culturais, os modernos riscos do conhecimento científico," e sugeriu que "o problema da autenticidade divina do Alcorão reativará o pensamento islâmico e irá envolvê-lo nos principais debates de nossa época." Arkoun lamenta o fato de que a maioria dos muçulmanos não sabe que uma concepção diferente do Alcorão existe dentro de sua própria tradição histórica. O que um reexame da história islâmica oferece aos muçulmanos, Arkoun e outros argumentam, é uma oportunidade para desafiar a ortodoxia muçulmana de dentro, em vez de ter que confiar em fontes externas "hostis". Arkoun, Abu Zaid e outros esperam que este desafio possa levar a nada menos do que um renascimento islâmico. (26)


Vale ressaltar o nome de alguns estudiosos que questionaram a historicidade das "ahadith", também como seu trabalhos bibliográficos, começando por Aloys Sprenger, para quem pretende se aprofundar na questão.

Aloys Sprenger (1813) foi um orientalista austríaco. Estudou medicina, ciências naturais e línguas orientais na Universidade de Viena.  Em 1836 mudou-se para Londres, onde trabalhou com o Conde de Munster no "Geschichte der Kriegswissenschaften bei den mohammedanischen Völkern" (História da Ciência Militar entre os Povos Muçulmanos), e daí em 1843 foi para Calcutá, onde se tornou diretor da faculdade de Deli. Teve muitos livros didáticos traduzidos de idiomas europeus para o hindustani. Em 1848 ele foi enviado para Lucknow para preparar o catálogo da biblioteca real, cujo primeiro volume apareceu em Calcutá em 1854. Este livro, com suas listas de poetas persas, descreve cuidadosamente todas as principais obras da poesia persa. Seu valioso material biográfico, tornou-se um valioso guia para a exploração da literatura persa. Em 1850, Sprenger foi nomeado examinador, intérprete oficial do governo e secretário da Sociedade Asiática de Calcutá. Ele publicou muitos trabalhos, entre eles "Dictionary of the Technical terms used in the sciences of the Musulmans" (1854) e "Ibn Hajar's biographical dictionary of persons who knew Mohammed" (1856). Sprenger assumiu uma posição como professor de línguas orientais na Universidade de Berna em 1857, mudando-se em 1881 para Edelberga. Sua coleção volumosa de manuscritos árabes, persas, hindustânicos e outros materiais impressos foi finalmente adquirida pela Biblioteca Real de Berlim.


Aloys Sprenger

Sir William Muir (1819) foi um orientalista e estudioso do Islã, especializado na história da época de Muhammad e do primeiro califado.

Obras

"The Life of Muhammad and History of Islam to the Era of the Hegira"
Vols. 1–2 publicado em 1858 por Smith, Elder, & Co.
Vols. 3–4 publicado em 1861 por Smith, Elder, & Co. juntamente com uma reimpressão dos dois primeiros volumes; com o título reduzido para "The Life of Muhammad."
"The life of Muhammad from original sources"
"The Mameluke or Slave Dynasty of Egypt, 1260–1517 AD, end of the Caliphate"
"The Caliphate: Its rise, decline and fall"
"The Apology of al-Kindy," 1882
"Annals of the Early Caliphate"
"The Sources of Islam, A Persian Treatise"
"Records of the Intelligence Department of the Government of the North-West Provinces of India during the Mutiny of 1857" 
"Two Old Faiths: Essays on the Religions of the Hindus and the Mohammedans." J. Murray Mitchell e Sir William Muir,1901. 
"Muhammad and Islam"
"The Rise and Decline of Islam"
"The Lord's Supper: an abiding witness to the death of Christ
Sweet First-Fruits. A tale of the Nineteenth Century, on the truth and virtue of the Christian Religion"
"The Beacon of Truth; or, Testimony of the Coran to the Truth of the Christian Religion," 1894
"The Mohammedan Controversy," 1897
"The Teaching of the Coran"
"The opium revenue" (1875)


Sir William Muir

Theodor Nöldeke (1836) Orientalista alemão, formou-se em 1853 pelo Gymnasium Georgianum (Lingen) e estudou nas universidades de Gotinga, Viena, Leida e Berlim . Tornou-se professor em Kiel em 1864 e, em seguida, em 1872, exerceu a cátedra na Universidade de Estrasburgo até sua aposentadoria aos 70 anos. Nöldeke escreveu numerosos estudos (inclusive sobre o Alcorão) e fez contribuições para a "Encyclopædia Britannica". Ele lidou com pesquisas sobre o Antigo Testamento, línguas semíticas e literatura árabe, persa e síria. Em 1859, sua História do Alcorão ganhou o prêmio da "Académie des Inscriptions et Belles-Lettres", e no ano seguinte ele a reescreveu em alemão (Geschichte des Qorâns) e publicou-o com acréscimos de Göttingen. Nöldeke esteve envolvido, entre outras coisas, em uma edição básica sobre Tabari -edição de Goejes- e forneceu uma tradução das seções da história universal de Tabari, que tratava do tempo dos Sassânidas. A tradução ainda é de grande valor hoje, especialmente porque adicionou inúmeros comentários.

Obras

"Geschichte des Qorâns," 1860
"Das Leben Mohammeds," 1863
"Beiträge zur Kenntnis der Poesie der alten Araber," 1864
"Die alttestamentliche Literatur," 1868
"Untersuchungen zur Kritik des Alten Testaments," 1869
"Geschichte der Perser und Araber zur Zeit der Sasaniden. Aus der arabischen Chronik des Tabari übersetzt," 1879
"Review of J. Wellhausen's Reste Arabischen Heidentums," 1887
"Zur Grammatik des klassischen Arabisch," 1896
"Fünf Mo'allaqat, übersetzt und erklärt,"1899–1901
"Articles in the Encyclopaedia Biblica," 1903
"Beiträge zur semitischen Sprachwissenschaft," 1904
"Compendious Syriac Grammar," 1880, 1888, 1904 [tradução]


Theodor Nöldeke

Julius Wellhausen (1844) foi um erudito e orientalista bíblico alemão. No curso de sua carreira, ele passou da pesquisa do Antigo Testamento aos estudos islâmicos à erudição do Novo Testamento. Wellhausen contribuiu para a história da composição do Pentateuco/Torá e estudou o período de formação do Islã. Para o primeiro, ele é creditado como um dos criadores da hipótese documental.

Obras

"De gentibus et familiis Judaeis," Göttingen, 1870
"Der Text der Bücher Samuelis untersucht," Göttingen, 1871
"Die Phariseer und Sadducäer, a classic treatise upon this subject," Greifswald, 1874
"Prolegomena zur Geschichte Israels," Berlin, 1882
"Prolegomena to the History of Ancient Israel", "Forgotten Books", 2008, ISBN 978-1-60620-205-0. 
"Muhammed in Medina, a translation of Al-Waqidi," Berlin, 1882
"Die Composition des Hexateuchs und der historischen Bücher des Alten Testaments," 1876/77, 3rd ed. 1899
"Israelitische und jüdische Geschichte," 1894, 4th ed. 1901
"Reste arabischen Heidentums," 1897
"Das arabische Reich und sein Sturz, in its time the standard modern account of Umayyad history," 1902
"The Arab Kingdom and its Fall," 1927
"Skizzen und Vorarbeiten," 1884–1899
"Medina vor dem Islam," 1889
"New and revised editions of Friedrich Bleek's Einleitung in das Alte Testament," 4–6, 1878–1893
"Die kleinen Propheten, a critical brochure," 1902
“The Book of Psalms in Sacred Books of the Old Testament," Leipzig, 1895; tradução para o inglês, 1898


Julius Wellhausen

Ignác Goldziher (1850) estudioso húngaro do Islã, considerado o fundador dos estudos islâmicos modernos da Europa.

Obras

"Abū Ḥātim Sahl ibn Muḥammad Sijistānī," 1896
"Kitāb al-muʻammirīn"
"Tagebuch, ed. Alexander Scheiber. Leiden: Brill," 1978. ISBN 90-04-05449-9
"zur Literaturgeschichte der Shi'a," 1874
"Beiträge zur Geschichte der Sprachgelehrsamkeit bei den Arabern." Vienna, 1871–1873
"Der Mythos bei den Hebräern und seine geschichtliche" Entwickelung. Leipzig, 1876;Traduzido para o inglês, R Martineau, London, 1877.
"Muhammedanische Studien." Halle, 1889–1890, 2 vols. ISBN 0-202-30778-6
Tradução para o inglês: "Muslim Studies," 2 vols. Albânia, 1977.
"Abhandlungen zur arabischen Philologie", 2 vols. Leiden, 1896–1899.
"Buch vom Wesen der Seele." Berlin 1907.
"Vorlesungen über den Islam." 1910; 2nd ed. revisada por Franz Babinger, 1925.
Tradução para o inglês: "Introduction to Islamic Theology and Law," tradu. Andras e Ruth Hamori. Princeton University Press, 1981


Ignác Goldziher

Christiaan Snouck Hurgronje (1857) fluente em árabe, através da mediação com o governador otomano em Jidá, foi examinado por uma delegação de estudiosos de Meca em 1884 e, após concluir com sucesso o exame, iniciou uma peregrinação à cidade sagrada em 1885. Ele foi um dos primeiros estudiosos ocidentais das culturas orientais a fazê-lo. Snouck endossa a visão de Goldziher e concorda que as "ahadith" constituem "uma rede gigantesca de ficção", que se tornou "o órgão de opiniões, idéias e interesses, cuja legalidade fora reconhecida por todos os setores influentes dos fiéis."

Obras

"Mekka." 1. Haag: M. Nijhoff. 1888
"Mekka." 2. Haag: M. Nijhoff. 1889
"The Holy War 'Made in Germany'". Nova York: G. P. Putnam's Sons. (1913)


Christiaan Snouck Hurgronje

Joseph Schacht (1902) professor de árabe e islamismo na Universidade de Columbia, em Nova York. Foi o principal estudioso do Ocidente da lei islâmica, cujas origens da "Muhammadan Jurisprudence" (1950) ainda é considerado um trabalho centralmente importante sobre o assunto. Autor de muitos artigos na primeira e segunda edições da "Encyclopaedia of Islam," Schacht também editou a segunda edição de "The Legacy of Islam" para a "Legacy Series" da Oxford University Press e escreveu um livro sob o título Uma Introdução à Lei Islâmica (1964).

Obras

"Bergsträsser, Gotthelf: Grundzüge des islamischen Rechts." Berlin-Leipzig, 1935
"Islam in Northern Nigeria. In: Studia Islamica." 1957 123-146.
"An Introduction to Islamic Law." Oxford, 1964
"The Origins of Muhammadan Jurisprudence." Oxford University Press, 1967 (com correções e adições).


Joseph Schacht

Günter Lüling (1928) foi um teólogo protestante alemão, estudioso filológico (Dr. em arabística e islamismo) e pioneiro no estudo das origens islâmicas primitivas. De 1962 a 1965, foi diretor do German Goethe-Institut em Aleppo, na Síria. Embora Lüling seja raramente citado, suas idéias parecem ter ganhado terreno entre os estudiosos europeus. Um especialista em islamismo, o alemão Tilman Nagel, reconheceu que "pesquisas ocidentais do Islã avançaram para outro extremo: desde o final dos anos 1970 você ouve que 'a figura histórica Muhammad é uma ficção, e que o Alcorão foi escrito e mudado durante séculos por escritores anônimos.' Alguns especialistas até acreditam que a primeira comunidade muçulmana era uma seita cristã siríaca." Nagel, então, refuta essa ideia, que ele considera errônea. Com sua abordagem de pesquisa, Lüling foi um dos primeiros representantes da Escola de Saarbrücken, que faz parte da Escola Revisionista de Estudos Islâmicos.

Obras

"A challenge to Islam for reformation: the rediscovery and reliable reconstruction of a comprehensive pre-Islamic Christian hymnal hidden in the Koran under earliest Islamic reinterpretations." Nova Deli: Motilal Banarsidass Publishers 2003 ISBN 81-208-1952-7. Edição alemã de 1993 "Über den Ur-Koran," 1974
"Kritisch-exegetische Untersuchung des Qur'antextes." Erlangen, 1970 (tese)
"Die Einzigartige Perle des Suwaid ben Abī Kāhil al-Yaškurī : zweiter Teil ; über die eindeutige Christlichkeit dieses in der vorislamischen Heidenzeit hochgerühmten Gedichtes. Erlangen: Lüling," 1973
"Zwei Aufsätze zur Religions- und Geistesgeschichte." (Contains: 1. Der vorgeschichtliche Sinn des Wortes "Metall". 2. Avicenna und seine buddhistische Herkunft.) Erlangen: Lüling, 1977
"Die Wiederentdeckung des Propheten Muhammad. Eine Kritik am 'christlichen' Abendland." Erlangen: Lüling, 1981. ISBN 3-922317-07-3
"Der christliche Kult an der vorislamischen Kaaba als Problem der Islamwissenschaft und christlichen Theologie." Erlangen: Lüling, 1977
"Über den Ur-Qur'an. Ansätze zur Rekonstruktion vorislamischer christlicher Strophenlieder im Qur'an." Erlangen: Lüling, 1974
"Die Wiederentdeckung des Propheten Muhammad: eine Kritik am christlichen Abendland." Erlangen: Lüling, 1981. ISBN 3-922317-07-3
"Das Passahlamm und die altarabische 'Mutter der Blutrache', die Hyäne: d. Passahopfer als Initiationsritus zu Blutrache u. heiligem Krieg." Em ZRGG 34/1982, S. 131 - 147; (Sonderdr. aus ZRGG 34/1982). ISBN 3-922317-11-1
"Sprache und archaisches Denken : neun Aufsätze zur Geistes- und Religionsgeschichte." Erlangen: Lüling, 1985. ISBN 3-922317-13-8
"Der christliche Kult an der vorislamischen Kaaba als Problem der Islamwissenschaft und christlichen Theologie." 2nd corr. ed. Erlangen: Lüling, 1992. ISBN 3-922317-16-2.
"Über den Urkoran. Ansätze zu Rekonstruktion der vorislamisch-christlichen Strophenlieder im Koran." 3rd corr. ed. Erlangen: Lüling, 2004. ISBN 3-922317-18-9
"Sprache und Archaisches Denken. Aufsätze zur Geistes- und Religionsgeschichte." Erlangen: Lüling, 2005. 2nd enlarged ed. ISBN 3-922317-19-7


Günter Lüling

John Edward Wansbrough (1928) foi um historiador americano que lecionou na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres (SOAS). Por sua crítica fundamental à credibilidade histórica das narrativas islâmicas clássicas dos primórdios do Islã, e sua tentativa de desenvolver uma versão alternativa e historicamente mais credível deste, fundou a chamada escola "revisionista" de Estudos Islâmicos.

Obras

"Quranic Studies: Sources and Methods of Scriptural Interpretation." Oxford, 1977
"The Sectarian Milieu: Content and Composition Of Islamic Salvation History." Oxford, 1978
"Res Ipsa Loquitur: History and Mimesis," 1987
"Lingua Franca in the Mediterranean." Curzon Press 1996; Reimpresso por "World Scientific Publishing," 2012


John Edward Wansbrough

Karl-Heinz Ohlig (1938) é um professor alemão de Estudos da Religião e da História do Cristianismo na Universidade de Sarre, na Alemanha. É co-editor com Gerd Rudiger Puin do livro As Origens Ocultas do Islã que defende a concessão original do Islamismo como uma religião não distinta da cristã. Ohlig e Puin postulam a tese de que de acordo com a evidência de cunhagem árabe, as cruzes e a inscrição no Domo da Rocha no final do século VII d.C., MHMT sugere um título honorífico cristão referente a Jesus, como no hino da massa ("Bendito seja aquele que vem ...") pois Muhammad significa "o reverenciado" ou "louvável".

Publicações

"Fundamental Christianity: In the tension of Christianity and Culture Kosel," 1986
"Religion in the History of Mankind: The Development of Religious Consciousness," 2002
"One Or Three: From The Father Of Jesus To The Trinity," Matthias-Grünewald-Verlag, 1999 ISBN 3-7867-2167-X (em alemão); Peter Lang Pub Inc, 2003 ISBN 3-631-50337-7 (em inglês)
"The Hidden Origins of Islam: New Research Into Its Early History," Hans Schiller Verlag, 2005 ISBN 3-89930-128-5 (em alemão); Prometheus Books, 2008 ISBN 1-59102-634-2 (em inglês)
(ed), "Der frühe Islam: eine historisch-kritische Rekonstruktion anhand zeitgenössischer Quellen," Hans Schiller Verlag, 2008 ISBN 3-89930-090-4 (em alemão)


Karl-Heinz Ohlig

Patricia Crone (1945) foi uma escritora dinamarquesa-americana, orientalista e historiadora, especializada em história islâmica primitiva. A contribuição duradoura de Crone, para o campo dos Estudos Islâmicos, é o questionamento da historicidade das tradições islâmicas sobre o início do Islã, pelo qual ela contribuiu significativamente como uma grande representante da "Escola Revisionista", para uma mudança de paradigma nos Estudos Islâmicos entre os Orientalistas ocidentais. Crone nasceu em Kyndelose, Roskilde, Dinamarca, em 28 de março de 1945. Depois de fazer o exame preliminar na Universidade de Copenhague, foi a Paris para aprender francês e depois a Londres, onde decidiu entrar na universidade para torna-se fluente em inglês. Em 1974 ela obteve seu PhD na Universidade de Londres, onde foi pesquisadora sênior no Warburg Institute até 1977. Ela foi aceita como estudante ocasional no King's College de Londres e seguiu um curso de história européia medieval, especialmente em relações igreja-estado. Em 1977, Crone tornou-se professora universitária de história islâmica e membro do Colégio Jesus na Universidade de Oxford. Crone tornou-se assistente universitária para estudos islâmicos e membro do Gonville and Caius College na Universidade de Cambridge em 1990 e ocupou vários cargos em Cambridge. Ela atuou como professora universitária em estudos islâmicos de 1992 a 1994 e como Palestrante de história islâmica de 1994 a 1997. Em 1997, foi nomeada para o Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde foi nomeada professora da Andrew W. Mellon. De 2002 até sua morte em 2015, ela foi membro do Conselho Editorial da revista "Social Evolution & History." Dra Crone morreu em 11 de julho de 2015, aos 70 anos, de câncer.

Em seu livro "Hagarism: The Making ofthe Islamic World" (1977), Crone e seu associado Michael Cook, trabalhando na Escola de Estudos Orientais e Africanos, em Londres na época, forneceram uma nova análise da história islâmica primitiva. Eles questionaram a historicidade das tradições islâmicas sobre o início do Islã. Eles tentaram produzir a imagem do início do Islã apenas a partir de fontes não-árabes. Ao estudar os únicos relatos contemporâneos sobreviventes da ascensão do Islã, que foram escritos por testemunhas oculares em armênio, grego, aramaico e siríaco, reconstruíram uma história significativamente diferente dos primórdios do Islã, em comparação com a história conhecida das tradições islâmicas. Crone e Cook afirmaram ser capazes de explicar exatamente como o Islã surgiu pela fusão de várias civilizações orientais próximas sob a liderança árabe.  Mais tarde, Patricia Crone absteve-se dessa tentativa de reconstrução detalhada dos primórdios do Islã.  No entanto, ela continuou mantendo os resultados básicos de seu trabalho:

*A historicidade das fontes islâmicas sobre o começo do Islã precisa ser questionada.
*O Islã tem raízes profundas no judaísmo, e os árabes e judeus eram aliados.
*O berço do Islã NÃO FOI Meca, mas um lugar ao noroeste da Arábia.

Bibliografia

"Slaves on Horses: The Evolution of the Islamic Polity," 1980; ISBN 0-521-52940-9
"Meccan Trade and the Rise of Islam," 1987; ISBN 1-59333-102-9
"Roman, Provincial and Islamic Law : The Origins of the Islamic Patronate," 1987, Brochura: 2002; ISBN 0-521-52949-2
"Pre-Industrial Societies: Anatomy of the Pre-Modern World," 2003; ISBN 1-85168-311-9
"God's Rule: Government and Islam - Six Centuries of Medieval Islamic Political Thought," 2004)". Columbia University Press; ISBN 0-231-13290-5/ISBN 0-231-13291-3.
"Medieval Islamic Political Thought," 2005. Edinburgh University Press; ISBN 0-7486-2194-6
"From Arabian Tribes to Islamic Empire : Army, State and Society in the Near East," c. 600–850 2008; ISBN 978-0-7546-5925-9
"The Nativist Prophets of Early Islamic Iran: Rural Revolt and Local Zoroastrianism," 2012. Cambridge University Press; ISBN 978-1107018792

Coautoria

com M.A. Cook, "Hagarism: The Making of the Islamic World," 1977; ISBN 0-521-29754-0 versão online gratuita Aqui
com Martin Hinds, "God's Caliph: Religious Authority in the First Centuries of Islam," 2003; orig. 1986; ISBN 0-521-54111-5
com Shmuel Moreh, "The Book of Strangers: Medieval Arabic Graffiti on the Theme of Nostalgia,"1999 "Princeton Series on the Middle-East"; ISBN 978-1558762152

Artigos

"How Did the Quranic Pagans Make a Living?", "Bulletin of the School of Oriental and African Studies," University of London, Vol. 68, No. 3 (2005), pp. 387–399
"'Jihad': idea and history", "Open Democracy", 30 de abril, 2007.
"What do we actually know about Mohammed?", "Open Democracy", 10 de junho, 2008


Patricia Crone

Harald Motzki (1948) é um estudioso do Islã formado na Alemanha, especialista em estudos sobre a transmissão das "ahadith," recebeu seu PhD em Estudos Islâmicos em 1978 pela Universidade de Bonn. Atualmente é professor de estudos islâmicos na Universidade de Nijmegen (Radboud Universitet Nijmegen) na Holanda. Foi considerado por um colega, Christopher Melchert, como " O incontestável estudioso das ahadith".

Obras

"Dimma und égalité: die nichtmuslimischen Minderheiten Ägyptens in der zweiten Hälfte des 18. Jahrhunderts und die Expedition Bonapartes," 1798-1801 (1979)
"Die Anfänge der islamischen Jurisprudenz: ihre Entwicklung in Mekka bis zur Mitte des 2./8." Jahrhunderts, 1991
"De Koran: ontstaan, interpretatie en praktijk," 1993
"The Biography of Muhammad: the issue of the sources," 2000
"Methoden voor de datering van islamische Overleveringen: Rede uitgesproken bij de aanvaarding van het ambt van hoogleraar voor Mrthodologie van het islamonderzoek aan de Faculteit der Letteren van de Katholieke Universiteit te Nijmegen," 2001
"The origins of Islamic jurisprudence: Meccan Fiqh before the classical schools," 2002
"Hadith: origins and developments," 2003
"Analysing Muslim Traditions: Studies in Legal, Exegetical and Maghazi Hadith," por Harald Motzki – Revisado por Dr. M. Mansur Ali, 2009
"Analysing Muslim Traditions: Studies in Legal, Exegetical and Maghazi Hadith," 2010
"Wie glaubwürdig sind die Hadithe? Die klassische islamische Hadith-Kritik im Licht moderner Wissenschaft," 2013
"Reconstruction of a source o Ibn Ishaq's life of the prophet and early Qur'an exegesis A Study of Early Ibn ʿAbbās Traditions," 2017


Harald Motzki

Christopher Melchert (1955) é um professor americano e estudioso do Islã, especializado em movimentos e instituições islâmicas, especialmente nos nono e décimo século. Um autor prolífico, também ensinou árabe, persa, como várias disciplinas islâmicas, como "hadith," jurisprudência islâmica, misticismo, e islamismo no Instituto Oriental da Universidade de Oxford. Melchert recebeu seu Ph.D. em história pela Universidade da Pensilvânia em 1992. Sua tese foi mais tarde publicada como um livro, intitulado A Formação das Escolas de Direito Sunitas. Melchert publicou recentemente um livro sobre Ahmad Ibn Hanbal, um jurista sunita. Tendo escrito sobre se as mulheres podem ser líderes de oração, de acordo com os primeiros juristas sunitas e xiitas, ele é um dos poucos historiadores especialistas a escrever com autoridade sobre essa questão. Veja no link ao lado "Whether to Keep Women out of the Mosque: A Survey of Medieval Islamic Law".

Livros

"The Formation of the Sunni Schools of Law, 9th-10th Centuries" C.E. (Studies in Islamic law and society, v. 4). Leiden: Brill, 1997.
Revisado por W. B. Hallaq pelo "International Journal of Middle East Studies" 31, no. 2, 1999: 278-280
Revisado por P. Sanders pela "American Journal of Legal History" 43, Part 1 (1999): 98
"Ahmad ibn Hanbal." Oxford: Oneworld, 2006 e 2012. (em 116 World Cat libraries)

Trabalhos acadêmicos

"The formation of the Sunni schools of law, ninth–tenth centuries " CE. 1992 Tese para Ph.D, University of Pennsylvania
"Religious Policies of the Caliphs from al-Mutawakkil to al-Muqtadir," AH 232-295/AD 847-908, na "Islamic Law and Society," 1996 - Brill
"The transition from asceticism to mysticism at the middle of the ninth century" CE, pela Studia Islamica, 1996 - JSTOR
"The adversaries of Ahmad ibn Hanbal, in Arabica," 1997 - Springer
"Islamic law," na revisão da lei da universidade de Oklahoma City, 1998 - HeinOnline
"How Hanafism Came to Originate in Kufa and Traditionalism in Medina, in Islamic Law and Society," 1999 - Brill
"Ibn Mujāhid and the establishment of seven Qur'anic readings, in Studia Islamica," 2000 - JSTOR
"Traditionist-jurisprudents and the Framing of Islamic Law, in Islamic Law and Society," 2001 - Brill
"The Ḥanābila and the Early Sufis, in Arabica," 2001 - JSTOR
"Sufis and competing movements in Nishapur, in Iran," 2001 - JSTOR
Mais vários trabalhos adicionais.


Christopher Melchert


Sven Kalisch (1966) é um alemão que se converteu ao islã aos 15 anos. Tornou-se o primeiro na Alemanha a ocupar uma cátedra na Universidade Munster em teologia islâmica. Doutorando em jurisprudência islâmica, Sven Kalisch foi membro do conselho administrativo da Academia Muçulmana da Alemanha e trabalhou para o Centro Islâmico de Hamburgo. Em 2008 anunciou que tinha chegado à conclusão de que o profeta Muhammad nunca existiu. Grupos muçulmanos da Alemanha se referiram a ele como um apóstata.

Publicações

"Frieden aus der Sicht des Islam. in: Islam im Dialog," Ano 1, numéro 4, Inverno 2002, S. 13-28.
"Islamische Wirtschaftsethik in einer islamischen und in einer nichtislamischen Umwelt." in: Hans G. Nutzinger (de) (Coll.): "Christliche, jüdische und islamische Wirtschaftsethik – Über religiöse Grundlagen wirtschaftlichen Verhaltens in der säkularen Gesellschaft," Marburg 2003, S. 105–129.
"Usul az-Zaidiya wa-nascharāt al-firaq al-islāmiyya." (en arabe, « Les fondamentaux de Zaidiya et les publications des sectes islamiques »), pela: Al-Masār, Vol. 5, Issue 2, 2004, p. 27–70.
"Glaube und Gesetz aus Sicht der islamischen Rechtsschulen in: Murest, Multireligiöse Studiengruppe (dir.): Handbuch interreligiöser Dialog. Aus katholischer, evangelischer, sunnitscher und alevitischer Perspektive." Cologne 2006. ISBN 3-00-017959-3
Islam und Menschenrechte: Betrachtungen zum Verhältnis von "Religion und Recht in: Hatem Elliesie (dir.): Islam und Menschenrechte" (Islam and Human Rights / الإسلام وحقوق الإنسان), Leipziger Beiträge zur Orientforschung, Band 26, Beiträge zum Islamischen Recht VII, Frankfurt a.M. / New York et al. 2010, S. 49-72. ISBN 978-3-631-57848-3


Sven Kalisch 

Fontes

(1) Markus Grob, Karl-Heinz Ohlig, Volker Popp, Gerd-Rüdiger Puin: Anmerkungen zur Kritik an Inârah em: Vom Koran zum Islam. Verlag Hans Schiler, Berlin 2009, ISBN 978-3-89930-269-1
(2) Norbert G. Pressburg: Good Bye Mohammed: Das neue Bild des Islam. 3., überarbeitete Auflage, S. 13/14
(3) Arbeitsstelle für Religionswissenschaft der Universität des Saarlandes
(4) Assoziiert mit der Arbeitsstelle für Religionswissenschaft der Universität Saarbrücken ist „Inârah“ (arabisch ‚Aufklärung‘): INAHRAH – Institut zur Erforschung der frühen Islamgeschichte und zur Etablierung der historisch-kritischen Methode in den Islamwissenschaften
(5) Volker Popp: Die frühe Islamgeschichte nach inschriftlichen und numismatischen Zeugnissen, S. 16–123, In: Karl-Heinz Ohlig, Gerd-Rüdiger Puin : Die dunklen Anfänge. Neue Forschungen zur Entstehung und frühen Geschichte des Islam, 3.Aufl. 2006 Schiler Verlag, ISBN 978-3-89930-128-1
(6) Toby Lester: What Is the Koran? in: The Atlantic issue January 1999
(7) Cf. e.g. François de Blois, Islam in its Arabian Context, S. 615, in: The Qur'an in Context, ed. by Angelika Neuwirth etc., 2010. Judith Herrin, Patricia Crone: memoir of a superb Islamic Scholar, open Democracy 12 July 2015
(8) Cf. e.g. Toby Lester: What is the Koran?, in: The Atlantic, issue January 1999
(9) Cf. e.g. Patricia Crone: Among the Believers, Tablet Magazine 10 August 2010
(10) Cf. Jansen, De Historische Mohammed, 2005/7
(11) John Wansbrough: Quranic Studies: Sources and Methods of Scriptural Interpretation (1977) pp. 43 ff.; Gerd-Rüdiger Puin: Observations on Early Qur'an Manuscripts in San’a’, in: Stefan Wild (Hrsg.): The Qur’an as Text. Brill, Leiden 1996; pp. 107-111
(12) Yehuda D. Nevo: Crossroads to Islam: The Origins of the Arab Religion and the Arab State (2003); Karl-Heinz Ohlig (Hrsg.): Der frühe Islam. Eine historisch-kritische Rekonstruktion anhand zeitgenössischer Quellen (2007)
(13) Fred Donner: Narratives of Islamic Origins: The Beginnings of Islamic Historical Writing (1998), p. 60
(14) Karl-Heinz Ohlig (Hrsg.): Der frühe Islam. Eine historisch-kritische Rekonstruktion anhand zeitgenössischer Quellen (2007) pp. 377 ff.; Christoph Luxenberg: The Syro-Aramaic Reading of the Koran – A Contribution to the Decoding of the Koran (2007).
(15) G. R. Hawting: The Idea of Idolatry and the Rise of Islam: From Polemic to History (1999); Fred Donner: Muhammad and the Believers. At the Origins of Islam (2010) p. 59
(16) Patricia Crone / Michael Cook: Hagarism (1977) pp. 22-24; Patricia Crone: Meccan Trade and the Rise of Islam (1987); and the private researcher Dan Gibson: Quranic Geography (2011)
(17) Fred Donner: Muhammad and the Believers. At the Origins of Islam (2010) pp. 68 ff.; cf. also Hans Jansen: Mohammed (2005/7) pp. 311-317 (German edition 2008)
(18) Patricia Crone / Martin Hinds: God's Caliph: Religious Authority in the First Centuries of Islam (1986)
(19) Robert G. Hoyland: In God's Path. The Arab Conquests and the Creation of an Islamic Empire (2015)
(20) Patricia Crone / Michael Cook: Hagarism (1977) p. 29; Yehuda D. Nevo: Crossroads to Islam: The Origins of the Arab Religion and the Arab State (2003) pp. 410-413; Karl-Heinz Ohlig (Hrsg.): Der frühe Islam. Eine historisch-kritische Rekonstruktion anhand zeitgenössischer Quellen (2007) pp. 336 ff.
(21) Patricia Crone: Slaves on Horses. The Evolution of the Islamic Polity (1980) pp. 7, 12, 15; auch Hans Jansen: Mohammed (2005/7)
(22)  Peter Harrison (ed.): The Cambridge Companion to Science and Religion (2010) pp. 292 f. - Karl-Heinz Ohlig: Islam und Islamismus, in: imprimatur No. 48, 2015, pp. 48-53
(23) Cf. Karl-Heinz Ohlig: Wissenschaftliches Arbeiten in der Islamwissenschaft, in: imprimatur No. 41, 2008
(24) Salwa Ismail: The Politics of Historical Revisionism: New Re-Readings of the Early Islamic Period, in: Michaelle Browers, Charles Kurzman (ed).: An Islamic Reformation?, Lexington Books (2004), pp. 101-124; especially p. 114 and footnotes 43, 44. Karl-Heinz Ohlig: Islam und Islamismus, in: imprimatur No. 48, 2015, pp. 48-53
(25) partes do texto What do we actually know about Mohammed? por Patricia Crone
(26) partes do texto What Is the Koran?
Tudo isso traduzido pela tia Polly

quarta-feira, 21 de março de 2018

Homossexualidade em Países Muçulmanos: Proibida ou Permitida?

HOMOSSEXUALIDADE E COMUNIDADE MUÇULMANA

O "mundo muçulmano" não é homogêneo, existem interpretações, leis, regulamentos e visões (sobre todos os assuntos) para todos os gostos e sabores. Interpretações que lidam sobre a homossexualidade, também não seriam diferentes das demais.

Ilegal/legal para alguns, pecado para outros, tudo na comunidade muçulmana é extremamente diversificado.

Países como na Albânia, Azerbaijão, Bahrein, Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Djibouti, Guiné-Bissau, Iraque, Jordânia, Cazaquistão, Kosovo, Quirguistão, Mali, Níger, Tajiquistão, Turquia e a maior parte da Indonésia (exceto nas províncias de Aceh e Sumatra do Sul, onde os estatutos contra os direitos LGBT foram aprovados), bem como o norte de Chipre, consideram >legal a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Na Albânia, na Tunísia e na Turquia, houve discussões sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. As relações homossexuais entre mulheres são legais no Kuwait, no Turquemenistão e no Uzbequistão, mas os atos homossexuais entre homens são ilegais.

Embora a Turquia reivindique emular o califado otomano, este era muito mais aberto à questão homossexual do que o atual governo turco. O Império Otomano teve uma extensa literatura de romance homossexual (assim como a Espanha muçulmana e toda a comunidade muçulmana da antiguidade em geral) e uma categoria social aceita de travestis. Pode-se argumentar que os sultões otomanos eram mais liberais que os muçulmanos contemporâneos da Turquia e do mundo árabe.

"Cronistas europeus censuraram as atitudes indulgentes em relação ao sexo gay nos tribunais dos califas."

No Afeganistão, Brunei, Irã, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Arábia Saudita, Somália (em algumas regiões do sul), Sudão, Emirados Árabes Unidos e Iêmen, a atividade homossexual traz a pena de morte.

Em outros países como Argélia, Bangladesh, Chade, Malásia, Paquistão, Qatar, Somália e Síria, é ilegal.

A rejeição moderna e a criminalização da homossexualidade no Islã ganhou impulso através dos efeitos exógenos do colonialismo europeu que dizia que a homossexualidade era "contra a natureza".

A maioria dos países com maioria muçulmana e a Organização de Cooperação Islâmica (OIC) opuseram-se a medidas para avançar os direitos LGBT nas Nações Unidas, na Assembléia Geral ou no UNHRC. Em maio de 2016, um grupo de 51 estados muçulmanos bloqueou 11 organizações gays e transgêneras de participar da Reunião de Alto Nível de 2016 sobre a Aids. No entanto, a Albânia, a Guiné-Bissau e a Serra Leoa assinaram uma Declaração da ONU que apoia os direitos LGBT. A Albânia fornece proteções aos direitos LGBT sob a forma de leis contra a discriminação, e as discussões sobre o reconhecimento legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo foram realizadas no país. Kosovo, bem como a República Turca de maioria muçulmana (internacionalmente não reconhecida) do Chipre do Norte, também possuem leis anti discriminação. Existem também vários grupos dentro do islamismo em todo o mundo que apoiam os direitos LGBT e os muçulmanos LGBT.

Nos últimos tempos, o preconceito extremo persiste, tanto social como legalmente, em grande parte do mundo islâmico contra pessoas que praticam atos homossexuais.

O QUE ESTÁ NO ALCORÃO?

O Alcorão fala sobre o povo de Lot, mas muitos interpretam o pecado de Lot, não como o da homossexualidade, mas da falta de hospitalidade, luxúria, depravação, estupro, roubo e todo tipo de transgressão.

"Se os intérpretes clássicos tivessem visto a orientação sexual como um aspecto natural da personalidade humana, teriam visto a narrativa de Lot e sua tribo, como textos que abordam a violação de homens, não como o 'pecado da homossexualidade'."

E NAS AHADITH?

Alguns condenam à morte

Narrado por Abdullah ibn Abbas: O Profeta disse: Se você encontrar alguém fazendo o que o povo de Lot fazia, mate aquele que faz isso e aquele a quem é feito.
- Sunan Abu Dawood , 38: 4447 , Al-Tirmidhi, 15: 1456 , Ibn Maajah, 20: 2561

Narrado Abdullah ibn Abbas: Se um homem que não é casado é apreendido cometendo sodomia, ele será apedrejado até a morte.
- Sunan Abu Dawood , 38: 4448

((Mas as ahadith são materiais apócrifos, e não têm validade histórica.))

ILEGAL/LEGAL?

Algumas escolas islâmicas prescreveram a pena capital para a sodomia, mas outras optaram apenas por uma punição discricionária relativamente leve. Os Hanbalites são os mais severos entre as escolas sunitas, insistindo na pena capital para o sexo anal em todos os casos, enquanto as outras escolas geralmente restringem o castigo à flagelação com ou sem banimento, a menos que o culpado seja muhsan (adulto livre muçulmano com muçulmano). Hanafis geralmente não sugerem nenhuma punição física, deixando a escolha à discrição do juiz. O fundador da escola Hanafi, Abu Hanifa, se recusou a reconhecer a analogia entre sodomia e zina, embora seus dois principais estudantes não concordassem com ele nesse ponto. O estudioso Hanafi Abu Bakr Al-Jassas (d. 981 AD / 370 AH) argumentou que os dois hadiths sobre matar homossexuais "não são confiáveis ​​por qualquer meio, e nenhum castigo legal pode ser prescrito com base neles". Onde a pena capital é prescrita e um método particular é recomendado, os métodos variam desde a lapidação (Hanbali, Maliki) à espada (alguns Hanbalites e Shafi'ites), ou que a corte seja livre para escolher entre vários métodos, incluindo jogar o culpado de um prédio (xiita).

Por razões pouco claras, o tratamento dado à homossexualidade na jurisprudência dos xiitas duodecimanos (Irã) é geralmente mais severo do que na fiqh sunita, enquanto os juristas xiitas ismaelitas e zaiditas tomaram posições semelhantes aos sunitas. Onde a flagelação é prescrita, há uma tendência para a indulgência e alguns recomendam que a penalidade prescrita não seja aplicada na íntegra, com Ibn Hazm reduzindo o número de chicotadas para 10. Houve um debate sobre se os parceiros passivos e ativos deveriam ser punidos igualmente. Além do sexo anal penetrativo, houve "concordância geral" de que "outros atos homossexuais (incluindo entre as mulheres) eram ofensas menores, sujeito apenas a punição discricionária". Alguns juristas consideravam a relação sexual possível apenas "para um indivíduo que possui um falo", portanto,"uma vez que as mulheres não possuem falo, não podem ter relações sexuais entre si mesmas, então, nesta interpretação, são fisicamente incapazes de cometerem zina.

De qual lado/interpretação você está?