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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A Revolução não pode triunfar sem a emancipação da mulher

".... A emancipação da mulher está no coração da questão da própria humanidade, em si mesma, seja aqui ou em qualquer lugar. A questão é, portanto, de caráter universal.

-O destino das mulheres está ligado ao do homem explorado. Entretanto, essa solidariedade não deve cegar-nos ao observarmos a situação específica enfrentada pelas mulheres em nossa sociedade. É verdade que a mulher trabalhadora e o homem simples são explorados economicamente, mas a esposa operária é também, frequentemente, condenada ao silêncio pelo camarada seu marido. Este é o mesmo método utilizado pelos homens para dominar outros homens! A idéia é a de que, certos homens, por virtude de sua origem familiar ou nascimento, ou através de “direitos divinos”, são superiores aos outros.

-Desde o princípio da história humana, o domínio da natureza pelo homem nunca foi feito somente com uma mão. A mão, provida de polegar opositor, segura a ferramenta, o que aumenta o poder e a capacidade de ambas. Não eram, portanto, os atributos físicos, a musculatura ou a capacidade de dar à luz, por exemplo, os fatores determinantes para a condição desigual entre homens e mulheres. Tampouco foi o progresso tecnológico, como tal, que institucionalizou essa desigualdade. Em certos casos, em algumas partes do globo, as mulheres eram capazes de eliminar a diferença física que as separava dos homens. Foi, na verdade, a transição de uma forma de sociedade para outra que institucionalizou a desigualdade feminina. Essa desigualdade foi produzida por nossas próprias mentes e inteligência, visando desenvolver uma forma concreta de dominação e exploração. A função social e o papel que tem sido atribuído às mulheres desde sempre são um reflexo vivo deste fato. Hoje, sua função de parir e as obrigação social de estar de acordo com os modelos de elegância determinados pelos homens, previnem que as mulheres desejem desenvolver uma chamada “musculatura masculina”.

-Por milênios, desde o paleolítico até a Idade do Bronze, as relações entre os gêneros eram, na opinião dos mais conceituados paleontólogos, positivas e de caráter complementar. Foi assim por oito milênios! Como Engels explicou-nos, as relações eram baseadas na colaboração e na interação, em contraste com o patriarcado, onde a exclusão das mulheres era uma característica generalizada da época. Engels não somente traçou a evolução da tecnologia, mas também a evolução histórica da escravização da mulher, que ocorreu com o surgimento da propriedade privada, quando um modo de produção deu lugar a outro, e quando uma forma de organização social substituiu a outra.A raça humana conheceu a escravidão, pela primeira vez, com o advento da propriedade privada. O homem, mestre dos seus escravos e da terra, tornou-se, também, o mestre da mulher. Esta foi a derrota histórica do sexo feminino. Ela deu-se com a reviravolta na divisão do trabalho, como resultado de novos modos de produção, assim como através de uma revolução nas forças produtivas. Dessa forma, o direito patriarcal substituiu o direito matriarcal. A propriedade, então, passou a ser transmitida de pai para filho, e não como era antes, da mulher para o seu clã. A família patriarcal surgiu, fundada na propriedade única e pessoal do pai, que tornou-se chefe de sua família. Nessa família, a mulher seria oprimida...A desigualdade só pode ser derrotada ao estabelecermos uma nova sociedade, onde homens e mulheres possam desfrutar direitos iguais, essa, resultado de uma reviravolta nos meios de produção e em todas as relações sociais. Assim, a condição da mulher só irá melhorar com a eliminação do sistema que a explora...Sua condição de igualdade foi derrubada pela propriedade privada, ela foi banida do seu próprio ser, ela foi relegada à função de criar os filhos e à servidão, foram ignoradas pela filosofia (Aristóteles, Pitágoras e outros) e pelas religiões mais ortodoxas, despidas de todo valor pela mitologia, a mulher compartilhou a mesma sorte de um escravo, que em uma sociedade escravista não é nada mais do que uma mula de carga com um rosto humano."

Thomas Sankara 

Discurso proferido na cidade de Ouagadogou, Burkina Faso, por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Mulher no dia 8 de Março de 1987. (Source: Thomas Sankara Speaks Copyright © 1990, 2007 Pathfinder Press)

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