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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Às mesquitas do Brasil

@Os lugares tradicionais de culto e adoração não nos representam. 

@Nesses espaços nós estamos silenciadas, acuadas, e invisíveis; e temos que aderir a uma narrativa centrada no homem para ganhar algum respeito. 

@A distribuição do espaço, o que podemos ou não fazer, e o comportamento que se espera de nós, não expressa o que queremos ou esperamos de nós mesmas como seres espirituais.

@O patriarcado nos ensinou a desconfiar de nós mesmas, de nossas habilidades, e de nosso potencial, e acabamos fazendo assim com as nossas irmãs.

@Temos que começar a confiar, acreditar, apoiar e reconhecer as vozes, potencialidades e habilidades de outras mulheres, se quisermos combater o patriarcado na religião, e abrir novos caminhos para as mulheres na espiritualidade.

@Toda mulher tem preocupações espirituais que nem sempre são atendidas em locais de cultos tradicionais.

@ Temos que recuperar a ideia da Mesquita como um lugar de encontro, reflexão e partilha de conhecimentos, para realçar o importante papel que as mulheres tiveram na formação e fortalecimento de suas comunidades nos primeiros dias da história - um papel que foi tornado invisível pelo patriarcado extensivamente e, especialmente, para desafiar o imaginário cultural sobre as mulheres crentes e o androcentrismo prevalecente em espaços religiosos.

Tudo começa quando você acredita. A consciência da nossa situação deve vir de mudanças internas que vêm antes de mudanças na sociedade. Nada acontece no "mundo real" a menos que aconteça primeiro nas imagens que carregamos em nossas cabeças e no sentimento que carregamos em nossas almas.

A misoginia nas práticas religiosas não só afeta o exercício de nossos direitos como mulheres e nossa posição na sociedade, mas também a nossa auto-percepção e vida interior. Cada vez que uma mulher descobre seu valor intrínseco e sua dignidade inerente seu humor muda, seu espírito se torna mais leve, e sua alma ganha nova força.

A espiritualidade não é exclusivamente religiosa. O que acontece é que a religião tem espiritualidade limitada. Como a religião é controlada pelo patriarcado, o patriarcado é responsável por decidir o que a espiritualidade é, e o que não é.

Só quebrando a parede de vidro para podemos ir além de qualquer "teto" e então segurarmos, com nossas próprias mãos, a parte do céu que pertence a todas nós. Nesta tarefa, a fé tem que ser a força motriz que nos motiva a superar o medo da dissidência. Por trás de todas as diferenças há algo sagrado em todas as mulheres: Nós somos inerentemente valiosas, livres, espirituais e diversificadas.

Trechos retirados do texto "Led by a Women’s Mosque: Space Of Our Own. por Vanessa Rivera de la Fuente."



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