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domingo, 22 de março de 2015

Não há argumentos convicentes para considerar teorias criacionistas ou design inteligente como não científicas

Trago um outro trecho do artigo The Use and Abuse of Philosophy of Science: Response to J.P. Moreland que discute um pouco mais a questão da demarcação da ciência e sua implicação no debate acerca das origens.

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Tentativas para distinguir o científico do pseudocientífico na pesquisa acerca das origens falham por outra razão. Os argumentos demarcacionistas usados na controvérsia das origens quase inevitavelmente pressupõe um conceito positivista ou neo-positivista. Dentre as suas outras deficiências, tais descrições da ciência falham em considerar o caráter metodológico distinto e as limitações das ciências históricas. Teorias de design inteligente ou criação têm sido consideradas não científicas pois (a) não explicam fazendo referência a leis naturais, (b) invocam inobserváveis, (c) não são testáveis, (d) não fazem predições, (e) não são falseáveis, (f) não fornecem mecanismos, (g) não são tentativas, (h) não possuem a capacidade de resolver problemas, etc. Teorias evolucionárias possuem muitas das mesmas questões metodológicas [das teorias de design inteligente e criação].

…nenhum desses critérios fornece o fundamento para distinguir a priori o status científico de qualquer um dos programas das origens – a não ser que o critério seja aplicado de uma forma tendenciosa. De fato, minhas pesquisas têm sugerido que não existem critérios metafisicamente neutros restritos o suficiente para desqualificar teorias de design inteligente ou criação a priori sem também desqualificar, com o mesmo fundamento, teorias de descendência naturalística ou evolução. Ou a ciência será definida de forma tão restrita de tal forma a desqualificar ambos tipos de teoria, ou a ciência deverá ser definida de forma mais ampla, de acordo com aspirações apropriadas para investigações históricas, e as razões iniciais para excluir as conflitantes teorias irá evaporar.

Considere o seguinte exemplo. Teorias criacionistas têm sido frequentemente consideradas não científicas por fazerem referência a uma inteligência não observável que não pode ser estudada ou testada empiricamente. Mas, se a não observabilidade impossibilita a testabilidade, então teorias evolucionárias e criacionistas não podem ser qualificadas como científicas. De fato, o cerne da teoria evolucionária – a saber, que as espécies presentes estão relacionadas a um ancestral comum – possui um caráter epistemológico muito similar as atuais teorias de design inteligente ou criação. As formas transicionais de vida que ostensivamente ocupam os nós das ramificações da árvore da vida de Darwin não são observáveis, da mesma forma que a postulada atividade passada de um designer não é observável.

Teorias acerca das origens geralmente precisam fazer asserções acerca daquilo que aconteceu no passado que ocasionou o surgimento de características presentes do universo (ou o próprio universo). Elas necessariamente precisam tentar reconstruir eventos causais passados que não são observáveis a partir de evidências presentes. Métodos de teste, portanto, que dependem de observações diretas ou repetidas de relações causa/efeito possuem relevância mínima para teorias de qualquer tipo acerca das origens. Aqueles que insistem que o teste deve envolver observação direta de antecedentes causais ou efeitos preditos ao invés de explicação de dados após o fato não irão encontrar nada de científico em qualquer teoria acerca das origens. Se, entretanto, se aceita a necessidade de testar teorias históricas competitivas ex post facto ao comparar o seu poder explanatório, então é dissolvida a razão original para excluir teorias criacionistas. Minha análise dos outros argumentos de demarcação enumerados acima sugere que eles também são incapazes de discriminar o status científico a priori de teorias criacionistas e evolucionárias.

Portanto, a partir do ponto de vista da filosofia da ciência contemporânea… aparentemente não há argumentos convincentes para desqualificar teorias criacionistas como inerentemente não científicas.  

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