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domingo, 22 de março de 2015

Tréplica dos defensores do Design Inteligente

O professor Marcos Eberlin, da Unicamp, um dos defensores da Teoria do Design Inteligente no país, junto com seus colegas, redigiu uma “tréplica” ao manifesto de pesquisadores da UFRGS defendendo a teoria da evolução e criticando o Design Inteligente. 


O manifesto-resposta de professores e alunos da UFRGS contra o Manifesto da Sociedade Brasileira do Design Inteligente –TDI BRASIL- sobre o ensino do Criacionismo, da Teoria do Design Inteligente (TDI), e da Teoria da Evolução (TE) é aqui replicado pela TDI-BRASIL por três razões:



1. Razão 1. Distorção de nossa posição exarada em nosso Manifesto sobre o ensino do criacionismo, teoria do Design Inteligente e Evolução nas escolas públicas.

Os signatários do manifesto UFRGS afirmaram, falsamente, que “exigimos” sejam ensinadas alegadas deficiências da TE, e que a disputa entre a TDI e a Evolução deva ser informada aos alunos. “Defender” ensinar, foi o que declaramos em nosso manifesto, o que é muito diferente de “exigir” ensinar.
Reiteramos que as deficiências na TE são, sim, verdadeiras, e amplamente conhecidas pela academia. Vejam alguns exemplos de áreas a seguir, onde há várias referências registradas na literatura científica com sérios questionamentos abalizados mesmo por cientistas evolucionistas: a) Origem da vida, b) Embriologia e o Desenvolvimento, c) Registro fóssil, d) Árvores Filogenéticas, d) Seleção Natural e e) Mecanismos da Evolução.
E poderíamos mencionar aqui quase uma centena de artigos científicos, de renomados e abalizados cientistas evolucionistas, questionando a robustez de alguns aspectos fundamentais da TE no contexto de justificação teórica e que apontam para outra direção.


2. Razão 2. Há várias afirmativas em descompasso com a verdade sobre o caráter científico da TDI e seu debate com a TE.

Reiteramos a existência de disputa entre a TE e a TDI na academia, não somente nos Estados Unidos desde os anos 1990s, facilmente identificada e atestada por vários manifestos de organizações científicas contra a TDI mencionados no próprio manifesto UFRGS, e agora também no Brasil.


O manifesto UFRGS alertou o público que a TDI não pode ser considerada uma teoria científica. Esclarecemos porém que, por exemplo, as exigências feitas pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos para uma teoria ser considerada científica são todas atendidas pela TDI, ou seja: Elemento 1: “uma explicação bem substanciada de algum aspecto do mundo

natural que possa incorporar fatos, leis, e hipóteses testadas… Elemento 2: uma explicação abrangente de algum aspecto da natureza que seja apoiado por um vasto conjunto de evidências”


Elemento 1: A TDI deve ser uma “explicação de algum aspecto do mundo natural” e uma “explicação abrangente de algum aspecto da natureza”. A TDI não é apenas uma explicação de “algum aspecto do mundo natural”, na verdade, ela explica muitos aspectos do mundo natural. Se pensarmos em categorias amplas, a TDI propõe que agência inteligente é a explicação mais corriqueira para eventos históricos tais como:

a) A origem do ajuste fino do cosmos para a existência de vida avançada. A origem de níveis de informação complexa e especificada extremamente altos no DNA.
b) A origem de muitos sistemas irredutivelmente complexos encontrados nos organismos vivos.


Elemento 2: A TDI deve “incorporar muitos fatos, leis e hipóteses testadas”.

A TDI incorpora muitos fatos, leis, e hipóteses testadas: A TDI incorpora as leis e constantes conhecidas do universo, e articulando-as em uma teoria unificada para explicar por que elas são coordenadas para produzir parâmetros físicos favoráveis para a vida.

A TDI incorpora muitos fatos conhecidos como a informação imaterial bioquímica, com seu código arbitrário e aperiódico, registrado nas sequências do DNA, bem como hipóteses testadas demonstrando que elas são finamente ajustadas para realizar funções biológicas específicas. A TDI incorpora muitas hipóteses testadas sobre a presença de complexidade irredutível em sistemas biológicos, evidenciada por experiências de silenciamento de genes, que têm demonstrado que a complexidade irredutível é um fenômeno verdadeiro.


Os teóricos da TDI fazem tudo isso ao proporem novas leis tais como a lei de conservação da informação, novos princípios sobre as causas de altos níveis de Informação Complexa Especificada, novos métodos para medir a informação e complexidade funcionais, e novas hipóteses sobre a ubiquidade do ajuste fino por toda a cosmologia e biologia.



Elemento 3: A TDI deve ser “bem substanciada” e “apoiada por um vasto conjunto de evidência”.


Pesquisas em Física e Cosmologia continuam a descobrir níveis cada vez mais profundos de ajuste fino. Muitos exemplos poderiam ser dados, mas este aqui é surpreendente: a entropia inicial do universo deve ter sido finamente ajustada em 1 parte em 10(10123) para produzir o universo favorável à vida.


Pesquisas de epigenética e de biologia de sistemas estão revelando mais e mais quão integrados são os organismos, da bioquímica à macrobiologia, e demonstrando funções celulares básicas finamente ajustadas.As experiências de silenciamento genético estão demonstrando a complexidade irredutível, tais como a do flagelo bacteriano, ou as características multimutacionais onde muitas mutações simultâneas seriam necessárias para ganhar uma vantagem.


Assim sendo, a TDI, apesar de ainda não ser ainda aceita por grande parte da comunidade científica, se apresenta como uma alternativa científica robusta e qualificada à teoria evolutiva. A TDI é uma teoria científica que fornece descrições e/ou explicações naturais sobre o mundo. A TDI, como foi falsamente aludido no manifesto UFRGS, não se relaciona e nem depende de

alegações ou dependência explícita ou implícita a causas sobrenaturais. Os conceitos elaborados pelos teóricos e defensores da TDI não são demasiado vagos para permitir previsões específicas, pois têm unificação explicativa: há sinais de inteligência na natureza e são empiricamente detectados.


Razão 3. Inverdades gerais sobre a TDI como que alegou que proponentes da TDI se recusam a entrar em detalhes sobre os mecanismos – pois propomos sim que ações inteligentes funcionam nesse papel, servindo como causa/mecanismo conhecidos produzindo altos níveis de informação complexa especificada que podem ser detectados.


A maior parte de nossa literatura não consiste não em argumentos puramente negativos contra a evolução, e nem tem como propósito distorcer a ciência e inserir dúvidas infundadas – pois primeiro que questionar teorias científicas é papel de todo cientista e é a própria literatura especializada, que citamos, que demonstra a falência epistêmica da atual teoria da evolução em vários aspectos teóricos fundamentais no contexto de justificação teórica.


As inconsistências graves da Síntese Evolutiva Moderna não foram, portanto, distorcidas no manifesto da TDI Brasil, mas serenamente apresentadas pois são fatos. E fatos tão graves, que a comunidade científica já reconhecendo a falência da TE atual já está elaborando uma nova teoria geral da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada/Estendida, que será anunciada somente em 2020. Adiamentos constantes nos mostram, porém, que esta nova teoria está também enfrentando sérias dificuldades. Há, portanto, uma ignorância (pragmática ou vera?) da literatura especializada, a qual demonstra o status quo de falência epistêmica da TE demandando assim sua profunda revisão, ou substituição. As diversas controvérsias existentes na teoria evolutiva deveriam então ser apresentadas aos nossos alunos, mas não são. Isso se dá, entendemos, pois o que está em jogo é a validade da evolução como fato, mas fato em qual nível de evolução? Microevolução? Macroevolução? A TDI BRASIL concorda que as teorias são estruturas de ideias que explicam e interpretam fatos, mas discorda do Manifesto UFRGS de que as novas abordagens teóricas acumulem cada vez mais evidências a favor da evolução da vida. Entendemos que o que se dá é oposto do que se afirma.


Para finalizar, o Manifesto UFRGS confirma então a disputa científica entre TDI e TE. Entendemos, porém, que a TDI não deva ser apresentada ainda no ensino básico, não porque a TDI não apresenta aspectos fundamentais de uma teoria científica, o que não procede, mas pelas razões exaradas em nosso manifesto – pelo simples fato da TDI ainda não ser aceita pela comunidade

científica. Concordamos que as controvérsias são aspectos imprescindíveis no conhecimento científico, e devem ser criteriosamente consideradas no seu ensino mas, no entanto, entendemos que a inclusão de controvérsias científicas no currículo escolar deve ser criteriosa.

Sendo criteriosos, poderíamos sugerir, por exemplo, a inclusão dos seguintes 10 tópicos para discussão em aulas de ciência em que se discuta a TE:


1. Existe mecanismo viável para gerar vida a partir de pequenas moléculas inanimadas na sopa primordial?


2. Processos químicos puramente materialísticos não guiados podem explicar a origem do código genético?


3. Mutações aleatórias podem gerar simultaneamente todo o grupo de informação genética requerida para a formação de estruturas irredutivelmente complexas?


4. Por que a seleção natural luta para fixar características vantajosas nas populações?


5. O surgimento abrupto de espécies no registro fóssil (Explosão Cambriana) e as “formas transicionais” até hoje lá encontradas apoia a evolução preconizada por Darwin?


6. A biologia moderna teve obtido êxito na corroboração de uma “Árvore da Vida”?


7. A evolução convergente fortalece o Darwinismo ou destrói a lógica da ancestralidade comum?


8. As diferenças entre os embriões de vertebrados fortalecem ou contradizem as predições de ancestralidade comum?


9. O neodarwinismo tem obtido êxito em explicar a distribuição biogeográfica de muitas espécies?


10. O que fazer quando uma teoria faz previsões equivocadas, como o neodarwinismo e sua longa história de tais predições, como as dos órgãos vestigiais, a abundância de formas transicionais no registro fóssil, a do DNA “lixo” e da redundância do código genético?

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