TRADUTOR/TRANSLATE

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Fatima Ahmed Ibrahim, Feminista Sudanesa

Por: J KILE
Tradução: Pollyanna Meira

Pioneira nos direitos das mulheres.

Por mais de 60 anos, Fatima Ahmed Ibrahim se colocou na vanguarda pelos direitos das mulheres e pela mudança social no Sudão. No ensino médio, ela estava escrevendo críticas ao colonialismo em jornais e defendendo os direitos das mulheres. Aos 20 anos ela ajudou a liderar uma revolução no Sudão, e mais tarde se tornou a primeira mulher membro do Parlamento, não só no Sudão, mas em toda a África e no Oriente Médio. Apesar de viver sob vários regimes opressivos e com o marido executado, Fatima suportou em nome dos direitos humanos, da igualdade e da democracia. 

Sua história impressionante começa a seguir.

Fátima nasceu em uma família de classe média de Cartum, em 1933, Sudão. Seu avô tinha sido um dos principais diretores de escola do Sudão e um imam em seu bairro. Seu pai era também um professor, e sua mãe era graduada. O histórico educativo de Fátima deu a ela habilidades e o apoio que precisava para passar décadas liderando e educando os outros sobre questões sociais, direitos e democracia .

Além de sua formação educacional, Fátima também cresceu em uma família politicamente consciente. Seu pai havia sido expulso do cargo de professor em uma escola do governo, porque ele se recusou a seguir as regras coloniais britânicas de ensino em inglês. Seu irmão Salah, um escritor, conferencista e poeta célebre, foi ativo no movimento anti-colonialismo tentando levar a democracia ao Sudão. Usando um codinome, enquanto participava da escola secundária em Omdurman, ela começou a escrever para jornais e começou a publicar seu próprio papel de parede (Um jornal afixado nas paredes de locais públicos, o equivalente a um blog moderno). Seu papel foi chamado Eldre'edda que significa (mais ou menos) "Garotas que lideram". Os temas eram focados em questões dos direitos das mulheres, democracia e a opressão do colonialismo. Quando os administradores da escola decidiram que as meninas não podiam mais fazer cursos de ciência, ela organizou uma greve. Não só foi a primeira greve de mulheres do Sudão, como também restaurou com sucesso as aulas de ciências para as meninas de sua escola. Com a idade de 14 anos ela começou a Associação das Mulheres Intelectuais em reação aos esforços britânicos para limitar o papel das mulheres na sociedade.

"As mulheres querem participar da vida política e gestão do Estado ao lado dos homens. Querem dirigir a política de seu país para o benefício das crianças, das mulheres, homens e da sociedade como um todo". -Fatima Ahmed Ibrahim

Incapaz de pagar suas despesas na universidade, Fátima retirou-se para se tornar um professora. Quando o Sudão caiu sob o regime militar, o irmão de Fatima começou a compartilhar literatura socialista e comunista com ela, ampliando seus pontos de vista políticos e, finalmente, levando a sua filiação ao Partido Comunista do Sudão (SCP), o primeiro partido político que permitia mulheres. Para a próxima década ela iria explorar questões sobre direitos humanos, vocalmente se opor ao regime ditatorial militar de Abboud, e tornar-se editora-chefe da Sawt al-Mara (Voz Feminina). Fátima também seria inspirada pelo Dr. Khalda Zahir E Fatima Talib que começou a Associação de Mulheres, que se concentrou em educar e mobilizar as mulheres. Juntos, eles começariam a União de Mulheres sudanesas (SWU). O SWU resistiu à propaganda colonial e organizou-se para garantir às mulheres o direito ao estatuto jurídico, o direito de consentir com o casamento, o direito ao voto, direito ao trabalho, direitos trabalhistas às mulheres, tais como a igualdade de remuneração, os benefícios da licença maternidade, pensões e a abolição de leis que exigiam que as mulheres voltassem para maridos abusivos.

Fatima começou a mudar a maneira como as mulheres eram vistas no Sudão. Ela havia se casado com al-Shafi 'um líder sindical respeitado e intelectual. Ela ganhou destaque como um das líderes da revolução de 1964 pela independência. O movimento de não-violência foi vitorioso e levou o ditador a abandonar voluntariamente o poder e dissolvendo o seu regime e iniciando uma curta regra da democracia. Sua presença pública e poderosa personalidade inspirou outras mulheres para se tornarem ativas em assuntos políticos. Juntas, as mulheres do Sudão, trabalharam não apenas para ganhar posição legal, mas para adquirir igualdade e posições dentro do governo. Um ano depois, Fatima se tornaria a primeira mulher eleita para o parlamento recém-criado no Sudão.

No entanto, não demorou muito para o presidente democraticamente eleito Nimeiri abusar de seus poderes e começar a atacar a oposição. Ele perseguiu os líderes dos grupos de oposição, baniu os sindicatos e a  União das Mulheres sudanesas. Nimeiri cercou os líderes sindicais, incluindo o marido de Fátima e teve eles aprisionados, torturados e executados.

Fátima também foi colocada sob prisão domiciliar por dois anos. Apesar da ameaça de prisão perpétua, ela continuou a participar de atividades democráticas subterrâneas. Depois ela voltou como uma figura pública falando sobre a mudança social a partir de sua perspectiva socialista feminista. Em 1985, o Sudão voltaria para uma democracia, onde ela defendeu a representação das mulheres no novo governo.

No entanto, depois de alguns anos de governo democrático, a paz foi mais uma vez derrotada, desta vez por Omar al-Bashir e a Frente Nacional Islâmica. Em 1991, al-Bashir impôs leis rigorosas sobre as mulheres, forçando-as a usar hijabs, excluindo-as de cargos públicos, proibindo-as de viajar livremente, e restabelecendo o domínio masculino na casa. Fátima foi presa, mas liberada por conta da pressão internacional fugindo, assim, para o exílio em Londres com seu filho Mohammed. Enquanto no exílio Fatima começou um ramo da União das Mulheres em Londres, e foi eleita presidente da Federação Democrática Internacional das Mulheres. Ela foi premiada com várias honrarias internacionais por seu impressionante trabalho no campo dos direitos humanos. No entanto, Fátima sempre insistiu em aceitá-los em nome da mulher com quem ela trabalhou no Sudão. Fatima compartilhou continuamente sua forte crença de que a história não pode ser mudada por uma única pessoa, mas apenas por uma equipe de pessoas que apoiam umas aos outras, buscam objetivos comuns e resistem.

Em 2005, sob pressão internacional, após acusações como sendo um criminoso de guerra, o presidente al-Bashir fez tentativas de reconciliação com as forças da oposição. Fátima voltou ao Sudão para ser nomeada como vice no Parlamento, embora permanecesse uma ditadura militar. Ela anunciou sua aposentadoria, em 2007, com a idade de 74, afirmando que "Agora é a hora de entregar a bandeira à juventude", e apelou para uma nova geração de homens e mulheres jovens para se levantarem e tomarem o seu lugar. Hoje, inúmeros sudaneses responderam ao seu chamado, e juntaram-se a luta pela igualdade, a democracia e os direitos humanos. No entanto, ao contrário de Fátima, muitos deles são obrigados a esconder suas identidades por medo da repressão do governo e pouco se sabe sobre os seus esforços a nível internacional.



Nenhum comentário:

Postar um comentário