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sábado, 25 de abril de 2015

Há espaço para lésbicas, gays, bissexuais & transgêneros no islã.




Consideramos justa toda forma d’ amor ((:

Se você não conhece imams gays, aqui estão alguns deles (Daayiee Abdullah, Muhsin Hendricks, Ludovic-Mohamed Zahed, El-Farouk Khaki, Rahal Eks)


AS REGRAS ISLÂMICAS SOBRE SEXO SÃO APENAS PARA HOMENS E MULHERES?


Não necessariamente. O Alcorão dá regras para as relações entre homens e mulheres, mas não define regras para relacionamentos de pessoas do mesmo sexo (gays ou lésbicas). Isso não significa que Ele proíba relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Houve uma série de razões pelas quais a lei islâmica focou nas relações entre homens e mulheres. Isso porque os juristas muçulmanos viam os relacionamentos heterossexuais com maior preocupação, porque os héteros levavam a gravidez. Casais do mesmo sexo podem ter ou criar os filhos, mas, para eles, ter filhos não é um efeito secundário de ter relações sexuais.


Os juristas muçulmanos primeiramente queriam evitar situações ruins, em que a criança que nascesse sem o apoio de um pai, poderiam trazer. Naquela época, os homens ganhavam mais renda e poucas mulheres tinham renda substancial. Por causa da desigualdade entre homens e mulheres, ter um homem na família ajudou a família, financeiramente e socialmente.


Outra razão dos juristas islâmicos conversarem muito sobre relacionamentos heterossexuais é que eles estavam tentando atender às necessidades da maioria das pessoas. Como a maioria das pessoas estão em "linha reta" (ou seja, são heterossexuais), as suas necessidades era a principal preocupação dos estudiosos. Isso não significa que outras identidades sexuais não existam. Também não significa que outras identidades sexuais são proibidas apenas porque elas não são mencionadas.


O ALCORÃO FALA SOBRE HOMOSSEXUALIDADE?


Não exatamente. A sexualidade é um conceito moderno. O Alcorão se refere a atos sexuais. O Profeta Muhammad (saw), e os primeiros estudiosos, também falaram sobre atos sexuais e desejo. No entanto, estudiosos clássicos não falam sobre a diferença entre os atos sexuais e identidade.


A DIVERSIDADE SEXUAL PODE SER PARTE DO ISLÃ?


Sim. O Alcorão celebra a diversidade. Ele protege a diversidade de religião, por exemplo, instruindo os muçulmanos a protegerem outros grupos religiosos, como judeus vivendo sob o domínio muçulmano. O Alcorão diz que a variedade da aparência humana, cultura, língua e até mesmo da religião foram criadas pela sabedoria divina de Deus.


Sabemos que a homossexualidade existe entre os seres humanos com livre-arbítrio. Ela também existe entre os animais, e o Alcorão diz que os animais não têm livre arbítrio, eles são apenas obedientes a Deus. No Alcorão, Surat al-Rum (Alcorão 30:22) diz que Deus criou os seres humanos com "alwan" diferentes, uma palavra que pode significar tanto "cores" e "gostos." Os seres humanos certamente têm gostos diferentes em muitas coisas, incluindo a sexualidade. Parece claro que a diversidade sexual também deve ser um tipo de diversidade humana que foi criada pela sabedoria divina de Deus.


O ALCORÃO MENCIONA ESPECIFICAMENTE DIVERSIDADE SEXUAL?


Sim. Surat al-Nur (Alcorão 24: 31-24: 33) menciona especificamente "os homens que não têm necessidade de mulheres."  Estes "homens que não têm necessidade de mulheres" podem ser gays ou assexuados, mas, por definição, eles NÃO SÃO homens heterossexuais. Eles não são julgados ou condenados em qualquer lugar do Alcorão.


O ISLàDIZ ALGO ESPECIFICAMENTE SOBRE HOMOSSEXUALIDADE?


Não. Em primeiro lugar, não podemos dizer "O Islã diz que ..." ou "a lei islâmica diz ..." porque somente as pessoas falam. O próprio Islã não pode dizer nada. Então, onde é que podemos procurar respostas? Podemos olhar no Alcorão, que é a base do Islã. O Alcorão nem sequer menciona a palavra "homossexualidade". O Alcorão não se refere a gays, lésbicas, ou bissexuais.  Na verdade, os estudiosos tiveram que vir com um termo para a homossexualidade em árabe, então, eles vieram com al-shudhudh al-Jinsi, uma frase que significa "sexualmente raro ou estranho." Se o Alcorão tivesse mencionado a homossexualidade pelo nome, os estudiosos teriam simplesmente usado esse termo.


O ALCORÃO DIZ QUE A HOMOSSEXUALIDADE NÃO É NATURAL?


NÃO. usar palavras como "natural" e "não natural", como maneiras de descrever a sexualidade é algo que foi iniciado pelos cristãos europeus. Quando os muçulmanos de hoje usam esse argumento para dizer que a homossexualidade é contra o Islã, eles estão, na verdade, tomando emprestado idéias dos cristãos europeus. A conclusão de que a homossexualidade não é natural não se baseia em nada no Alcorão. Mais uma vez, a palavra "homossexualidade" nunca foi usada e nem mesmo existe no Alcorão!


EXISTEM PALAVRAS NO ALCORÃO USADAS PARA FALAR SOBRE COMPORTAMENTOS SEXUAIS QUE NÃO SÃO PERMITIDOS?


Sim, existem algumas:


Fahisha é uma palavra que é usada para significar "fazer algo que não é permitido" ou "transgressão". Fahisha pode significar algo que é sexual ou algo que não é sexual.


Zina é a única palavra usada no Alcorão para uma transgressão que é definitivamente sexual. Zina significa "adultério".


As palavras fisq ou fusuq significa "corrupção". Elas são usadas para descrever o estado de espírito de alguém que está fazendo algo que não é permitido, em outras palavras, alguém que está cometendo fahisha.


Alguns estudiosos tentam  conectar fahisha, fisq à homossexualidade. No entanto, esta ligação não é clara a partir do Alcorão. Alguns estudiosos também tentam ligar zina a atos homossexuais, dizendo que a homossexualidade é como o adultério. O problema é que essa conexão não existe no Alcorão. O alcorão simplesmente não diz isso! Juristas humanos são os que dizem que há uma conexão.


O COMPORTAMENTO DOS HOMENS DE SODOMA FOI UMA EXPRESSÃO DE DESEJO SEXUAL?


Não. O Alcorão diz que os homens de Sodoma queriam ter relações sexuais mesmo com os anjos que os visitaram, pela força. Este é um exemplo de violação, não é um exemplo do desejo sexual. O estupro é sobre o poder. Ele é usado para coagir, controlar ou punir a vítima.


COM BASE NO ALCORÃO QUAIS AS LIÇÕES QUE OS MUÇULMANOS DEVEM TIRAR SOBRE A HISTÓRIA DE LOT?


Com base nessa leitura, a história de Lot pode instruir os muçulmanos:


*Seguir o exemplo dado pelo Profeta Lot, da hospitalidade, generosidade e proteção de pessoas que são vulneráveis, tais como os viajantes.

*Evitar a mesquinhez e a ganância.
*Condenar o estupro e falar contra o uso de atos sexuais para coagir ou controlar.
*Defender e respeitar as relações com base no consentimento, justiça, apoio mútuo e amor um pelo outro.

É CERTO TRATAR A HOMOSSEXUALIDADE COMO UM CRIME "HADD" NO ISLÃ?


O que é um crime "hadd"?


Um crime "hadd" é aquele em que a pessoa rompe uma regra que:


*É claramente descrita no Alcorão

*Tem uma punição clara.
Por exemplo, o Alcorão menciona o adultério e dá um castigo (claro) para ele. Os únicos crimes Hadd são: assassinato, roubo, furto, adultério e falsa acusação de adultério.

O QUE LEVA OS MUÇULMANOS A ACREDITAREM QUE A HOMOSSEXUALIDADE É ERRADA?


Há uma série de razões possíveis.


*Algumas pessoas acham que a homossexualidade é errada por causa de um preconceito pessoal. Se alguém é heterossexual e só conhece pessoas heterossexuais, ele ou ela pode sentir que é a única maneira natural de ser. Sem conhecer quaisquer gays, lésbicas ou bissexuais, podem se antecipar, ou mostrar preconceito contra a homossexualidade.

*O preconceito contra a homossexualidade também pode vir do sexismo.
*Algumas pessoas acreditam que a homossexualidade não existia nos países islâmicos até que os europeus e os americanos a trouxeram. Eles sentem que é um tipo de corrupção que veio de fora da cultura islâmica.
*A crença de que a homossexualidade é errada pode vir de tentar ler o Alcorão muito literalmente, como na história do Profeta Lot.
*Algumas pessoas acham que a homossexualidade é errada porque alguns sábios muçulmanos, concluiram que era. Estudiosos posteriores muitas vezes se referem as mesmas decisões. Dessa forma, as conclusões feitas há séculos por estudiosos humanos são reforçadas e continuarão a ser seguidas, como se fossem a verdade absoluta de Deus.

A "LEI ISLÂMICA" É A PALAVRA DE DEUS?


Não. Foi construída pelos muçulmanos centenas de anos após a morte do Profeta e com base no Alcorão, hadith ("histórias da vida do Profeta") e as decisões dos primeiros califas, ou governantes. A "lei islâmica" também é baseada em normas culturais, leis seculares (não-religiosas), e ideias patriarcais que existiam antes do Islã e continuam até os dias atuais.


Para saber mais sobre a base da "lei islâmica", leia o artigo Literary Zikr adaptado da obra de Dr. Abdullahi Ahmed An-Na'im "Is Islamic Family Law today really based on Shari’a".


O ISLàPODE ACEITAR A HOMOSSEXUALIDADE?


Sim. No Islã existe uma base sólida para o respeito e aceitação da diversidade, incluindo a diversidade sexual. Embora historicamente muitos legisladores muçulmanos proibiram atos homossexuais, é importante lembrar que a lei islâmica não é a palavra de Deus. A lei islâmica é o resultado do raciocínio dos legisladores pois, que a lei é feita por seres humanos. Isso não significa que a lei islâmica não seja importante para os muçulmanos, mas isso não significa que ela é um reflexo perfeito do que Deus quer para os seres humanos. Muitos muçulmanos não aceitam a homossexualidade por causa do preconceito ou machismo, e muitos juristas compartilham esses pontos de vista. Como resultado, é importante continuar a reexaminar a Sharia para melhor compreender o verdadeiro significado do Alcorão e do exemplo do Profeta Muhammad (saw). Ao voltar a analisar os princípios da Sharia, estudiosos, juntamente com outros crentes, podem ajudar a recuperar a sua finalidade original: proteger as liberdades civis, promover os direitos humanos e ajudar as pessoas a levarem uma vida mais ética.

Por: Dr. Scott Siraj al-Haqq Kugle 
Tradução: Pollyanna Meira



"Em terra de cego, quem tem três olhos é gay "
Jorge Luis Borges






Cristãos em Chicago, que apareceram numa marcha do orgulho gay, para pedirem desculpas pela homofobia na igreja.


Da esquerda para direita: “Desculpem-nos por como os cristãos julgaram vocês”, “Desculpem-nos por como os cristãos evitaram vocês”, “Desculpem-me por como a igreja tratou vocês”, “Eu era um homofóbico cego pela bíblia, desculpem-me!” 

“Nas coisas humanas, não há o que ridicularizar, o que acusar, o que diminuir. Há o que compreender.”

Carlos Ayres Britto, vice-presidente do STF e poeta

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