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domingo, 26 de abril de 2015

"Religião é tudo Política"

Com a idade de seis anos, no verão de 1937, Nawal El Sadawi foi presa por quatro mulheres em sua casa, no Egito. A parteira, segurando uma lâmina de barbear afiada, pegou o seu clitóris e o cortou. "Desde que eu era uma criança, essa ferida profunda deixada no meu corpo nunca foi curada", escreveu ela em sua primeira autobiografia, "A Filha de Isis".

"Eu estava em uma poça de sangue. Depois de alguns dias, o sangramento parou, e a daya [parteira] espiou entre as minhas coxas e disse: "Tudo está bem. A ferida está curada, graças a Deus." Mas a dor estava lá, como um abcesso em minha carne."


Essa feminista ativista de 80 anos, foi selecionada para o prêmio Women of the Year, depois de passar os últimos 60 anos fazendo campanha para o fim da prática bárbara da mutilação genital feminina (FGM), que foi sofrida por 140 milhões de mulheres em todo o mundo. Estima-se que dois milhões de meninas correm o risco a cada ano. Ela foi capaz de proteger sua própria filha da prática, e sua luta para "criar consciência e desvendar a mente" salvou muitas outras.


"Tenho lutado contra isso desde a faculdade de medicina, mas o sistema político, especialmente sob [Anwar] Sadat e [Hosni] Mubarak, encorajou os fundamentalistas religiosos", diz ela. "Quando os grupos religiosos ficam mais poderosos, a opressão às mulheres aumenta. As mulheres são oprimidas em todas as religiões."


Em 2008, após a morte de uma garota de 12 anos chamada Badour Shaker, durante uma operação, o governo egípcio aprovou uma lei que proíbe a mutilação genital feminina. "Quando soube que ela morreu, eu escrevi uma carta aberta a seus pais, dizendo que eles não deviam ficar em silêncio, que eles devem gritar para que todo o mundo possa ouvir a suas vozes. Eles devem usar a morte dela para educar todo mundo", disse a Dra. El Saadawi.


Ela escreveu: "Badour, você teve que morrer para alguma luz brilhar em mentes negras? Você teve que pagar o preço com sua querida vida? ... Para que médicos e clérigos aprendam que a verdadeira religião não corta órgãos de crianças?"


Apesar da lei, Dra El Saadawi acredita que cerca de 90 por cento das mulheres ainda são circuncidadas no Egito. "Você não pode erradicar tais históricos e hábitos enraizados com apenas uma única lei", diz ela. "Precisamos educar mães e pais. Há muita desinformação, dizem que isso é bom para a criança, mas é mentira."


Em uma declaração apaixonada, falada com a militância de alguém de um quarto de sua idade, ela disse: "Eu estou lutando contra o patriarcal, militar, 
racista e capitalista sistema escravocrata pós-moderno, vou lutar contra ele para sempre.."



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