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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Hasan Mahmud: Lei Sharia trai o Estado Moderno e o Alcorão

Sharia, também conhecida como Islami Qaqun, é o código moral e lei religiosa de uma religião profética, e representa o sistema legal do Islã.

Ao contrário do que muitos acreditam, a sharia, como aplicada nos países de maioria muçulmana, não vem do Alcorão ou exemplos do Profeta (Hadises), uma vez que existem pelo menos 11 fontes da lei.


"Que a sharia (lei de países de M. M.) deriva do Alcorão é um mito", disse o secretário-geral do Muslims Facing Tomorrow, Hasan Mahmud, ao IBTimesUK.


"Há cerca de 13 leis no Alcorão, e algumas dezenas que vêm diretamente do Profeta, mas há mais de 6.000 leis em cada um dos livros Hanafi-Shafi'i da sharia, a maioria das quais são feitas pelo homem", explicou.


"Muitas leis da sharia violam o Alcorão, especialmente quando se trata dos direitos das mulheres. No tribunal os juízes não abrem o Alcorão, eles abrem e aplicam o livro da sharia.", disse Mahmud.

Em Sharia - Undoing the Wrongdoing, Mahmud escreveu: "É atordoador saber que o Alcorão menciona a palavra "sharia" apenas uma vez como substantivo e duas vezes como verbo."

"Sharia significa, literariamente, o caminho feito pelos animais que vão para o ponto onde a água é corrente ou a própria água que flui", continuou ele. "Simbolicamente significa o caminho para a salvação ou nirvana. Assim foi, exatamente, como o Alcorão usou a palavra: Orientação ética ou um código moral que conduz à paz e ao paraíso. Transformar  'orientação moral' em 'lei estadual' foi a primeira traição que o Alcorão sofreu."

De acordo com Mahmud, que quer alertar os muçulmanos em todo o mundo contra os perigos da Sharia e sua inaplicabilidade nos Estados modernos, a lei sharia acabará por fracassar, pois não têm a capacidade de ser executada nos Estados modernos.

"A lei da Sharia não é apenas acerca da legislação e conteúdos, mas o espírito da coisa é dominar o mundo inteiro", explicou Mahmud, que também é produtor de três filmes sobre o assunto. Um deles, The Divine Stone, é um pequeno doc. drama sobre a sharia dedicado a Aisha Ibrahim Duhulow, uma garota somali de 13 anos de idade, apedrejada até a morte por militantes da Al-Shabab depois que ela foi estuprada por três homens armados.

"Muitos muçulmanos acreditam que a sharia é a lei de Deus e deve ser aplicada para corrigir a decadência dos valores morais", disse Mahmud.

"É verdade que desde a Segunda Guerra Mundial o mundo tem assistido uma deterioração dos valores morais, mas o que a lei sharia faz é mais devastador. Aplicando a sharia, os muçulmanos estão ajudando um demônio disfarçado."

Mahmud nasceu em Bangladesh em 1949, viveu no Oriente Médio durante vários anos, e em 1990 mudou-se para o Canadá, onde ele se tornou o diretor da Lei Sharia para o Congresso Canadense Muçulmano. Ele lutou contra a permissão de tribunais da sharia no país.

"A lei de Deus foi estabelecida no Islã, mas há apenas um grupo pacífico - muito pequeno - que interpreta o islã de maneira pacífica. Mas só começamos ultimamente", explicou Mahmud.

"Os islamitas radicais têm tentado estabelecer a sharia no Ocidente. A primeira corte de lei sharia apoiada pela lei local foi criada em Toronto, em 1991, tivemos conhecimento sobre ela em 2003, então nós começamos um movimento enorme contra isso e, em última análise, conseguimos em setembro de 2005,  que esse tribunal fosse abolido pelo governo ", continuou ele.

Mahmud, que também é membro do conselho consultivo do World Muslim Congress e um pesquisador associado  no Centro de Pesquisa Deen na Holanda, recebeu uma ameaça de morte por sua posição.

"Eu não posso ir para casa há 15 anos. [Os islamitas radicais] declararam que eu sou um kaffir, e que sou parte de uma conspiração anti-islâmica. Eles querem o meu sangue", disse ele.




Na lei da Mauritânia, há 361 crimes que podem levar à pena de morte. No Iêmen são 312, e o mesmo número na Arábia Saudita. No entanto, no Sagrado Alcorão existe apenas um: para o caso de assassinato.

Tradução Pollyanna Meira

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