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terça-feira, 19 de maio de 2015

Sheeba Aslam Fehmi Contra os Hadiths

Partes do artigo: Sheeba Aslam Fehmi On Islamic Feminism, por Yoginder Sikand. Tradução: Pollyanna Meira (não terminei de traduzir o artigo por completo ... futuramente, se Deus quiser)

"... O Alcorão foi preservado da mudança e distorção, mas este não é o caso dos ahadith, que é um produto humano, escrito por seres humanos, anos após a morte do Profeta. Uma vez que os narradores e gravadores de ahadith foram seres humanos falíveis, eles podem muito bem ter cometido erros, ainda que inadvertidamente. 

É chocante ver como os mulás de diferentes maslaks lutam constantemente entre si. Cada um usa diferentes relatórios de ahadith, e alega que a sua própria maslaki representa a única/autêntica seita "islâmica", mas, quando se trata da questão de suprimir os direitos das mulheres, todos eles se unem, transcendendo divisões maslaki, para afirmar que a subordinação das mulheres é obrigatória no islã. Quero perguntar: Se Deus quisesse que as mulheres tivessem uma posição subordinada e secundária na sociedade, certamente isto estaria (((claramente especificado no Alcorão!))) Por que o Todo-Poderoso ignorou isso no alcorão e prescreveu nos ahadith? ..." 

 "Como uma crente muçulmana, eu acho que só o alcorão é suficiente. Um monte de material extra-corânico, seja no corpus dos ahadith ou fiqh, não está de acordo e até mesmo contradiz o Alcorão, e é por isso que me atenho apenas ao Alcorão. 


Há inúmeros relatos nos ahadith, e ainda mais numerosas prescrições e proscrições fiqh, que violam claramente a radical igualdade de gênero do Alcorão e, por isso, não posso acreditar que eles representam uma verdade islâmica. 


Por os mulás dependerem fortemente de tais relatórios ahadith, e dos escritos fiqh de estudiosos medievais, suas leituras sobre o islã são  fortemente inclinadas contra as mulheres. Uma vez que isso viola claramente a justiça e a igualdade de gênero que eu encontro no Alcorão, eu questiono suas reivindicações de representarem o islã. 


 Não é preciso hadith para entender o Alcorão. É claro que os mulás vão discordar veementemente, e uma das razões para isso é que é a partir do corpus dos ahadith, incluindo o que eles próprios reconhecem como narrativas fracas ou inventadas, é que eles tiram inspiração para todos os tipos de regras patriarcais que desejam impor às mulheres.


Eu desafio não apenas os mulás, mas também os textos de onde eles redigem suas idéias patriarcais e desumanas, sejam estes relatórios de ahadith, comentários sobre o Alcorão, ou compêndios fiqh. E eu não estou fazendo algo novo, todas as seitas dentro do islã sempre estão desafiando e criticando a interpretação e compreensão umas das outras, estou apenas fazendo exatamente o mesmo a partir da perspectiva da justiça de gênero. Este é tanto o meu direito como é dos crentes do sexo masculino.


Nada, em minha leitura do Alcorão, justifica o argumento dos mulás de que só um clérigo treinado em madrassa, que sabe, ou alega saber o árabe, e uma série de matérias lecionadas nas madrassas, pode interpretar o Alcorão. Este argumento, a meu ver, é simplesmente uma manobra para legitimar suas reivindicações, monopolizar o discurso islâmico, escorar seus próprios interesses mundanos, e impor suas versões equivocadas e fortemente patriarcais e autoritárias, do que eles chamam islã, em todo mundo. Além disso, esta insistência na experiência árabe é um disfarce velado para o imperialismo cultural árabe - que nega o universalismo e apelo universal do islã, que transcende todas as barreiras linguísticas. Alguns clérigos, e seus seguidores cegos, vão realmente glorificar, equivocadamente, todas as coisas árabes: vestimenta, saudações e datas! mas o imperialismo cultural árabe é uma péssima ideia.


A cultura árabe é, por si só, violenta e tribal. Confundir o islã com a cultura árabe é um erro, e muitos muçulmanos são culpados disso. Essa associação é claramente uma violação dos ensinamentos do Alcorão. Se Deus é o Deus de todo o mundo, e se o Alcorão é destinado às pessoas de todas as culturas, então, essa glorificação de um grupo étnico particular, e da sua língua e cultura, não tem nada a ver com islã. Certamente, se o Alcorão é para toda a humanidade, sua mensagem deve entrar em ressonância com todas as culturas e grupos linguísticos. Infelizmente, a abordagem literalista do islã leva os mulás e seus seguidores a uma adulação e 
obsessão cega a cultura árabe, assim, praticamente, anulam o universalismo da mensagem do Alcorão.

Eu realmente não tenho tempo para os mulás. Eu os considero um grupo oportunista. Quando a França anunciou a proibição da burca, os mulás e os seus apoiantes gritaram dizendo que era uma violação do direito das mulheres, uma grave violação de um direito humano básico. Mas quando países como a Arábia Saudita (e Irã) obrigam as mulheres a se cobrirem completamente, o que não é algo que o Alcorão prescreve, por que eles não protestam? Afinal de contas, o mesmo princípio de negar liberdade 
às mulheres, está acontecendo lá. Isso mostra que eles não têm autoridade moral para falar sobre liberdade. São duplos padrões absolutos. Liberdade de escolha implica em permitir que outros levem livremente suas vidas. Você só tem o direito de falar em liberdade de escolha, se estiver disposto a permitir que outros tenham o mesmo direito."

Mais em breve...


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