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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Deus criou Adão e Eva, não Adão e Ivo" umpft

"Há quem sustente ser a procriação a exclusiva finalidade do matrimônio. Não procede, todavia, semelhante ponto de vista, que deixa sem explicação plausível o casamento in extremis vitae momentis e o de pessoas em idade avançada, já privadas da função reprodutora. Além disso, se a reprodução constitui o fim exclusivo do matrimônio, teríamos que anular todos os casamentos em que não advenham prole, conclusão profundamente perturbadora da estabilidade do lar e da segurança da família.”

Lembrando-nos ainda, que o casamento:

”... não tem exclusivamente por fim a procriação; visa também ao estabelecimento de união afetiva e espiritual entre os cônjuges. Uma vez que essa união pode ser alcançada, inexistirá motivo para anular o casamento, só porque dele não adveio prole, em razão da esterilidade de um dos cônjuges. A jurisprudência é pacífica a respeito, tanto para a mulher como para o homem.”

Whashington de Barros Monteiro


Partes Retiradas do Livro "O Que a Bíblia Realmente Diz Sobre a Homossexualidade" 


Adão e Eva não Adão e Estevão

Todas as considerações acima (Tudo está no livro. Recomendo!) demonstram que em nenhum ponto, a bíblia condena os atos homossexuais enquanto tais. Não obstante, as seguintes questões ainda podem ser levantadas: Mas o que a bíblia advoga? Qual é o ensinamento positivo da bíblia?

Algumas pessoas optaram por dar mais ênfase a este outro lado da questão. Elas apontam para o fato de que a bíblia fala sobre as relações heterossexuais sempre que faz comentários positivos sobre sexo. 

Assim, conclui-se que, apesar de qualquer interpretação de textos isolados acerca da homogenitalidade, a atitude geral da bíblia ainda condena os atos praticados entre pessoas do mesmo sexo. Como disse algum engraçadinho sobre o assunto:

"Deus criou Adão e Eva, e não Adão e Estevão".
Este argumento pode ter algum apelo emocional, mas certamente não é válido. Isto é indicado em diversas circunstâncias. Tomemos por exemplo Adão e Eva e a história da criação. Qual era o objetivo dos dois primeiros capítulos do Gênesis? Sua finalidade era a de apresentar uma imagem de nosso mundo em seu triste e pecaminoso estado, insistindo em que esta situação não fazia parte da obra de Deus. Deus criou um mundo bom de beleza e prazer, mas as pessoas fizeram mau uso da criação e a vida tornou-se dura e vai de mal a pior.




O Gênesis é uma lição de religião, uma lição sobre nossos pecados e sobre o modo pelo qual Deus atua. O Gênesis cumpre sua finalidade apresentando uma história, e esta história contém um exemplo. O exemplo é o caso mais comum que pode acontecer na experiência humana: um homem, uma mulher, o relacionamento entre eles e a prole que podem vir a gerar. O autor bíblico meramente apresenta o caso mais comum segundo os padrões da vida na Israel antiga. Que melhor exemplo utilizaríamos para cumprir nossa missão?

Mas a história é apenas o veículo para transmitir uma lição religiosa. A história de Adão e Eva enquanto tal é incidental para a lição. O Gênesis não é uma lição sobre a orientação sexual. Nada nestes dois capítulos sugere que a heterossexualidade, em contrapartida à homossexualidade, fosse uma questão na mente do autor. Fazer uma leitura que inclua no texto esta preocupação do século xx é fazer uma utilização errônea da bíblia. Uma análise similar aplica-se a outros textos bíblicos sobre o amor que o homem e a mulher têm pelo outro.

Além disso, o argumento "Adão e Eva, e não Adão e Estevão" apóia-se sobre uma falácia lógica - o argumento ad ignoratiam, o argumento que apela para o desconhecido, que se baseia em presunções que apela para o desconhecido, que se baseia em presunções sobre aquilo que não foi dito. Este argumento se desenvolve da seguinte maneira: Já que a bíblia não apóia ativamente a homossexualidade, ela portanto deve condená-la. Mas esta conclusão não é uma consequência lógica da premissa. A consequência real é a de que nós simplesmente não sabemos qual é a posição da bíblia sobre essa questão.

Segundo o analista Gustavo Barcellos, "o uso do termo 'homofobia' denota que estamos, como outras formas de fobias, diante de uma doença. O termo está em uso no jargão psicológico desde 1972, quando apareceu pela primeira vez no livro de George Wienberg, 'Society and the Healthy Homosexual'. Assim, podemos entender que ela segue os padrões básicos das dinâmicas fóbicas: medo intenso, associado a repulsa, que leva que leva gradativamente a um empobrecimento da vida emocional e do comportamento social."

A homofobia, de acordo com Barcellos, "pode facilmente avançar para um sentimento de ódio, beirando níveis quase paranoicos de rechaço que podem gerar comportamentos violentos."

Consideremos alguns exemplos nos quais a questão é muito mais óbvia. Já ouvimos algum amigo falar com frequência e entusiasmo sobre seu irmão, mas nunca ouvimos falar sobre uma irmã. Suponhamos que nossa conclusão seja a de que ele não tem irmã, ou se tem, que certamente não gosta dela. Qual seria a validade dessa conclusão? Ela não teria validade alguma. Não sabemos nada sobre a irmã dele nem sobre seu amor por ela. Tudo o que sabemos é aquilo que ele disse acerca de seu irmão.

Novamente, a bíblia fala com frequência sobre cães mas menciona gatos uma única vez, passeando pelos templos da Babilônia em Baruc 6:21. Deveríamos concluir que a Bíblia se opõe a gatos, e começarmos a caçá-los por toda a vizinhança? Qual seria a validade deste posicionamento? Nenhuma, claro. Não sabemos nada sobre a atitude da bíblia com relação aos gatos, pois ela praticamente não faz menção a eles.

Uma aprovação da heterossexualidade somente implicaria uma condenação da homossexualidade se ambas fossem mutuamente exclusivas, caso se tratasse de uma escolha do tipo "ou uma, ou outra". Neste caso, a aprovação a um significaria a condenação da outra. Mas uma escolha desse tipo não é realista. Se ela tem qualquer realidade, isso existe apenas nas mentes daqueles que utilizam este tipo de argumento. Fica óbvio então que suas opiniões não dependem da bíblia. Muito ao contrário, é a sua leitura da bíblia que depende dessas opiniões pessoais.

O fato da bíblia falar com frequência e positivamente sobre relacionamento heterossexuais de forma alguma significa uma condenação das relações homossexuais. Isto fica ainda mais óbvio porque a bíblia de fato fala abertamente sobre a homogenitalidade em cinco locais, e estas referências não contém qualquer condenação genérica.


APROVAÇÃO BÍBLICA DOS RELACIONAMENTO HOMOSSEXUAIS?


Alguns estudiosos levam a questão para o lado oposto. Ao invés de simplesmente concordar com o fato de que a bíblia não condena os atos homogenitais enquanto tais, estes especialistas apontam os relatos positivos sobre os relacionamento homossexuais na bíblia.

O exemplo mais claro disso é do amor entre Jônatas e Davi. Em diversas passagens o Primeiro livro de Samuel sugere um profundo relacionamento emocional entre estes dois heróis bíblicos.

“E inclinou-se três vezes, e beijaram-se um ao outro” (Samuel I).

“Estou angustiado por causa de ti, Jonatã. Mais maravilhoso me era teu amor do que o amor das mulheres.” (Samuel II 1, 26). 


Um outro caso é a história de Rute e Naomi. O livro de rute relata o compromisso bastante singular entre a mulher judia Naomi e sua nora moabita Rute. Depois da morte de seu marido, em contraste com os costumes da época e diferentemente de sua cunhada, a viúva Rute permanece com Naomi.

 “Não instes comigo para te abandonar, para recuar de te acompanhar; pois, aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pernoitares, pernoitarei eu. Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei enterrada. Assim me faça Jeová e assim lhe acrescente mais, se outra coisa senão a morte fizer separação entre mim e ti.” — Rute 1:16, 17.


O livro de Daniel contém um terceiro caso. Daniel diz 1:9 "Este, graças a Deus, tomado de benevolência para com Daniel, atendeu-o de boa vontade." Uma outra tradução diz: "Pela graça de Deus Daniel encontrou boa vontade e simpatia no chefe eunuco." Este texto também poderia ser traduzido de maneira a dizer que Daniel foi objeto de um "amor devotado". Além disso há sérias especulações segundo as quais os servos da corte ou os "eunucos" do antigo Oriente Médio não eram necessariamente homens castrados, mas homens homossexuais. Por este motivo, a eles podia ser confiado o harém. Assim, algumas pessoas sugerem que o papel de Daniel na corte de Nabucodonosor incluía uma ligação homossexual com o mestre do palácio. A relação romântica explicaria em parte porque a carreira de Daniel na corte progrediu de maneira tão favorável.

Há até provas de que Jesus deparou-se com um relacionamento homossexual durante o seu ministério. Não há registros de Jesus jamais ter falado sobre atos homossexuais, portanto é impossível afirmar exatamente o que Jesus pensava acerca da homossexualidade. Mas neste caso suas ações podem ser mais eloquentes que suas palavras.

Tanto em Mateus 8:5,13 como em Lucas 7:1,10,narra-se a cura realizada por Jesus no servo do centurião. Apesar de algumas diferenças interessantes com relação aos detalhes, estas duas passagens são tao similares que os especialistas as consideram como tendo sido baseadas na mesma fonte escrita. Portanto, podemos presumir que tanto Mateus quanto Lucas estão falando sobre a mesma situação. 


Ambos citam a afirmação do centurião, segundo a qual ele não seria digno de receber Jesus em sua casa. Como isto é notável. O centurião utiliza duas palavras gregas diferentes quando fala de seus servos. Ele refere-se ao que está doente como "meu menino". Esta palavra significa menino mas também pode significar servo ou até mesmo filho. Ela relacionava um jovem a um adulto exclusivamente por meio do afeto. Trata-se de uma palavra que provavelmente seria empregada em referência a um escravo efebo, e há provas não bíblicas de que pais às vezes significa o amante masculino. Em contrapartida, o centurião chama os demais escravos de doulos, essa é a palavra grega genérica para escravo ou servo. 

Com base nas provas, pode-se argumentar que Jesus não se deixava perturbar pela homossexualidade de sua época. Além disso, Mateus e Lucas nem mesmo se preocuparam em questionar esse fato. Para todos eles o que importava era a fé e a boa vontade, e não as práticas sexuais.

Daniel A. Helminiak, tem um Ph.D em teologia sistemática pela Escola Teológica Andover Newton e pelo Boston College, onde foi professor-assistente do professor Bernard Lonergan; e um Ph.D em psicologia educacional pela Universidade do Texas em Austin. Ele é membro da Associação Americana de Conselheiros Pastorais.


A Homossexualidade e a Bíblia - Documentário: "Porque a Bíblia Me Diz Assim" (legendado) EMOCIONANTE.


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