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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Nazira, Uma Feminista Que Questionou a Tradição.

De: Arif Mohammed Khan
Tradução: Pollyanna Meira

Nazira Zain al-Din (Zain al-Din também traduzido como Zeineddine, Zain também escrito Zayn), uma erudita libanesa nascida em 1908. Foi uma das primeiras mulheres árabes, escritoras de seu tempo, que falou contra as práticas degradantes de sua cultura. Ela não só é famosa por suas críticas contra o "véu da cabeça aos pés", tradicionalmente usado pelas mulheres muçulmanas da época, mas também por sua franqueza sobre o isolamento e a discriminação dessas mulheres. Ela passou a maior parte de sua vida escrevendo e defendendo a identidade e a igualdade das mulheres no mundo árabe.

No verão de 1927, Damasco testemunhou vários incidentes contra as mulheres, elas estavam sendo perseguidas e impedidas de visitar lugares públicos por não estarem usando véus. Uma pessoa que se sentiu muito perturbada por esses eventos foi Nazira Zainal Din, a filha adolescente do Shaykh Saeed Zainal Din, o então juiz do tribunal de recursos do Líbano. Ela compartilhou sua agonia com seu pai, que a incentivou a estudar o assunto à luz das fontes islâmicas e colocar suas conclusões no papel.

Nazira estudou o Alcorão e os Hadiths para entender a perspectiva islâmica sobre as mulheres, seus direitos e deveres. Até o momento, ela com vinte anos, produziu dois trabalhos acadêmicos, nomeadamente, al-Sufur wal hijab e al-fatat wal Shuyukh. Os livros são agora considerados importantes fontes de referência sobre o véu e sobre as relações entre homens e mulheres. Nazira concluiu que não era o Islã, mas interpretações tendenciosas das escrituras, que impuseram a reclusão às mulheres, afetando assim os seus corpos e mentes de formas adversas.

Seu livro provocou forte reação nos homens muçulmanos. Nazira foi acusada de ateísmo e apostasia, e panfletos foram distribuídos contra ela. O editor e os distribuidores do livro foram ameaçados, mas Nazira afirmou fortemente sua fé em Deus, em seu Profeta e no Alcorão Sagrado, e afirmou que todos os seus argumentos foram escritos com base em suas crenças. Ela argumentou que se as mulheres, como os homens, eram obrigadas a buscar conhecimento, então, ambos teriam igualmente direitos a interpretar os textos sagrados, particularmente aquelas disposições que lidavam com os direitos e deveres das mulheres.

Em seu livro, Nazira faz uma distinção entre o texto corânico e as opiniões dos juristas. Ela aponta como os principais intérpretes têm opiniões diferentes e muitas vezes contraditórias. Sobre a questão do véu e reclusão das mulheres existem mais de dez interpretações, todas em desacordo umas com as outras. Nazira afirma que, se há uma total falta de unanimidade entre os intérpretes, é imperativo que as mulheres façam seus próprios estudos e busquem orientação diretamente da >fonte original<.

Uma característica especialmente destacada por Nazira é, que o Islã, por significar submissão à vontade de Deus, é um ato voluntário, livre de qualquer coerção humana e compulsão. Ela cita textos autorizados para mostrar que o Islã se baseia na liberdade de pensamento, vontade, fala e ação, e que "nenhum muçulmano tem qualquer autoridade sobre outro em matéria de religião, mente e vontade". Por conseguinte, nenhum muçulmano tem o direito de reivindicar a representatividade de Deus, e que ninguém tem autoridade para punir as pessoas por sua falta de fé. Desde que o Alcorão confere direito absoluto à dignidade humana e a honra, segue-se que homens e mulheres são livres na vontade e pensamento.

Nazira afirma que muitas leis e regras relativas às mulheres violam o espírito e o texto do Alcorão. Ela argumenta vigorosamente contra o véu e contra a reclusão das mulheres, alegando que o véu incentiva a imoralidade, em vez da conduta e comportamento digno. Ela diz que o véu oblitera a identidade individual da mulher. Mascarar a identidade é um incentivo óbvio para a ilegalidade. Ela coloca a questão: "Não são os ladrões e assassinos que mascaram suas identidades, a fim de ter coragem para cometer crimes?" Ela então explica: "O medo da desgraça social é um dos imperativos mais fortes que restringem as pessoas a cederem às irregularidades." Ela afirma que a auto moralidade e consciência são muito melhores que a moralidade do véu e do chador.

"O véu", de acordo com Nazira "é a prova definitiva de que os homens suspeitam que as mulheres são seus traidores em potencial. Qual qualidade de vida eles vivem, se estão sob suspeita perpétua? Como pode a sociedade confiar nas mulheres, dando a elas trabalho e a educação de seus filhos, quando não confiam em seus rostos e corpos?" Ela finalmente argumenta que o espírito de um povo e sua civilização é um reflexo do espírito da mãe. "Como pode uma mãe criar seus filhos honradamente, se ela mesma não goza de liberdade pessoal?"

Trabalhos:

*Unveiling and Veiling: Lectures and Views on the Liberation of the Women and Social renewal in the Arab World (Al-Sufur wal hijab) 1928
*The Young Woman and the Shaikhs (Al-Fatah wa al-Shuyukh) 1928


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