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domingo, 23 de agosto de 2015

Qasim Amin (1863 - 1908) Primeir(O) Feminista Egípcio

Fonte wiki
Tradução: Pollyanna Meira

"Ao promulgar leis para eliminar vis tradições, os governos islâmicos não estão em contradição com a mensagem de Deus e com os ensinamentos de Seu Profeta, pelo contrário, eles estão entendendo o raciocínio por trás desses ensinamentos. Abolindo a escravidão e acabando com qualquer discriminação entre um homem e uma mulher, eles não estão apenas interpretando superficialmente os versículos do Alcorão e ensinamentos do Profeta, mas interpretando também em sua essência e profundidade, com discernimento e razão."(Kurzman, 106).

Qasim Amin foi  um jurista egípcio, modernista Islâmico, e um dos fundadores do Movimento Nacional Egípcio, e da Universidade do Cairo. Qasim Amin foi considerado por muitos como o "primeiro feminista" do mundo árabe. Foi um filósofo egípcio, reformista, juiz, membro da classe aristocrática do Egito, e figura central do Movimento Nahda, Amin defendeu os direitos das mulheres egípcias, declarando que elas eram "escravas de seus maridos, sem identidade própria e que esta recusa de recursos e direitos manteve a nação no escuro." 

Grandemente influenciado pelos trabalhos de Herbert Spencer e John Stuart Mill, que argumentaram pela igualdade dos sexos e acreditavam que era análoga à "evolução das sociedades do despotismo à democracia", Amin acreditava que aumentar o estatuto das mulheres na sociedade traria melhoras muito significativas para a nação. Sua amizade com Mohammad Abdu e Sad Zaghlul também influenciou esse pensamento. Amin culpou muçulmanos tradicionais pela opressão das mulheres egípcias dizendo que o Alcorão não ensina a subjugação, mas que apoia os direitos das mulheres. Suas crenças foram muitas vezes apoiadas por versos do Alcorão.

Sua cruzada começou quando ele escreveu uma refutação, "Les Egyptiens. Response a M. Le Duc d'Harcourt", em 1894, à obra de Duke d'Harcourt (1893), que rebaixava a cultura egípcia e suas mulheres. Amin, não satisfeito com a sua própria refutação, escreveu em 1899 Tahrir al mara'a (A Liberação das Mulheres), em que ele culpou o véu pela falta de educação e escravidão das mulheres egípcias; e aos homens egípcios como sendo a causa da fraqueza do Egito. Ele acreditava que as mulheres egípcias eram a espinha dorsal de um povo nacionalista e poderoso e, portanto, seu papel na sociedade deveria mudar drasticamente para melhora da nação egípcia. Amin é conhecido em todo o Egito como um membro da sociedade intelectual, que desenhou conexões entre a educação e o nacionalismo, como conduziu o desenvolvimento da Universidade do Cairo e do Movimento Nacional durante o início de 1900.

"Os únicos obstáculos que podem nos impedir de prosseguir neste caminho são aqueles que nós mesmos criamos". Se os egípcios têm interesse e sincero desejo pela felicidade, se quiserem preservar sua existência e se esforçar para a segurança e sobrevivência, eles devem descartar todos os hábitos inaceitáveis e eliminar todo traço indesejável que prejudica o progresso."(Amin, 64).

Em outras palavras, Amin argumentava que não era o Islã que estava atrapalhando a sociedade civil, mas certas práticas como a poligamia, a reclusão das mulheres, o divórcio arbitrário, o velamento forçado, que tinham se infiltrado no Islã, tornando-se uma religião estática e impermeável.

Amin foi a figura central do Movimento Nahda durante a última parte do século 19 e no início do século 20 durante um período de "consciência feminista". Amin foi grandemente influenciado por vários pioneiros do movimento, particularmente o exilado Mohammad Abdu para quem ele havia se tornado tradutor enquanto na França. Abdu culpou tradicionalistas islâmicos pela decadência moral e intelectual do mundo islâmico, que ele acreditava que causou a colonização da sociedade islâmica por forças ocidentais. O Egito na época era uma colônia do Império britânico e em parte da França. Abdu acreditava que tradicionalistas islâmicos tinham deixado a verdadeira fé islâmica para seguir hábitos culturais em vez da religião, que lhes teria dado maior intelecto, poder e justiça. Além disso, ele criticou a dominação patriarcal das mulheres no seio da família mantida em nome da lei sharia.  Abdu pedia a todos os muçulmanos para se unirem, e retornarem para a verdadeira mensagem enviada por Deus, que deu às mulheres o mesmo estatuto, e para resistirem ao imperialismo ocidental que tinha ocupado o mundo muçulmano. Grandemente afetado pela influência de Mohammad Abdu e apesar de um estudante treinado nas potências coloniais, Amin aceitou com intensidade as filosofias de Abduh que acabou tornando-se as suas próprias. Ele também acreditava que os muçulmanos tradicionais tinha criado uma sociedade inferior por não seguirem as verdadeiras leis islâmicas, que defendiam o direito das mulheres na sociedade, mas em vez disso, seguiam valores culturais para manter as mulheres egípcias em submissão. Para ele, isso criou uma sociedade de homens e mulheres inferiores em relação aos homens e as mulheres jovens do mundo ocidental. Amin passou grande parte de sua vida defendendo a mudança do papel da mulher na sociedade egípcia, através de sua crença de que uma mulher egípcia mais livre e mais educada iria mudar a sociedade para melhor.

"O que hoje em dia os muçulmanos (e a maioria de seus estudiosos) chamam Islã é na realidade um conglomerado de muitas idéias, costumes e tradições que não têm nenhuma relação com o genuína, verdadeiro e puro Islã. De fato, estas concepções contemporâneas do deen são heresias, características inéditas que foram anexadas a ele. Assim, é a mistura de crenças, tradições e costumes que as pessoas chamam de religião e consideram que o Islã é de fato um obstáculo ao progresso."(Amin, 65).

Livros - Trabalhos

1894-Les Egyptiens. Response a M. Le Duc D'Hartcourt foi escrito como uma resposta às ferrenhas críticas do duque Hartcourt a vida das mulheres egípcias. Amin não defendeu as mulheres egípcias em sua réplica, mas defendeu o tratamento dado às mulheres pelo islã. 1899- Tahrir al-mar'a (A Liberação das Mulheres) - Insatisfeito com sua réplica, Amin, falou que as mulheres egípcias, que só tinham o nível primário, deveriam ter uma educação. Ele manteve a sua crença na dominação patriarcal sobre as mulheres e continuou defendendo a modificação da legislação que afeta o divórcio, a poligamia e abolição do véu. O livro foi co-escrito com Muhammad Abduh e Ahmad Lufti al-Sayid. O livro usava muitos versículos do Alcorão para apoiar sua crença. 1900- al-Mar'a al-jadida (A Nova Mulher) em seu livro, Amin imaginava 'a nova mulher' emergente no Egito, cujo comportamento e ações foram modeladas com referência na mulher ocidental. Este livro foi considerado mais liberal em sua natureza.


  • "Huqúq al-Nisa fi'l-islam" ("Os Direitos das Mulheres no Islã")
  • "Kalimat" ("Palavras")
  • "Ashbab wa nata if wa-akhlaq wa-mawa". ("Causas, Efeitos, Moral e Recomendações").
  • "Al-a'mal al-kamila li-Qasim Amin": Dirasa wa-tahqiq" ("As Obras Completas de Qasim Amin: Estudo e Investigação")
  • Al-Misriyyun ("Egípcios") '
  • "A escravidão das Mulheres"
  • "Jovens Mulheres, 1892"
  • "Paraíso"
  • "Espelho da Beleza"
  • "Libertação das mulheres"

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