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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Manifesto eu sou como as outras

(1) “Você não é ‘como as outras’”: esta frase foi internalizada em nossa socialização como um elogio; uma necessidade afirmativa de se diferenciar de outras mulheres. Mas o que esta frase revela?;
(2) Primeiro, é importante pensar: quem são ‘as outras’? As outras são todas as outras mulheres, que aprendemos a não identificar, como diz Simone de Beauvoir, como “seres humanos”;
(3) Não ser como as outras seria a possibilidade de ser reconhecida como um ser humano. E não como essa “mulher não humana”, cujas substâncias constitutivas seriam: “dissimulação, loucura, promiscuidade, burrice”;
(4)  Para sustentar essa identidade negativa da mulher, que nos é apresentada desde a infância, muitas mulheres com trabalhos relevantes são apagadas da história da política, filosofia, arte. De modo que acabamos reservando a admiração para os homens, que nos são apresentados como “grandes realizadores”;
(5) Aprendemos que homens devem ser admirados e que devemos nos diferenciar das mulheres;
(6) Mas quais são os impactos da manutenção deste pensamento tão naturalizado? Inicialmente, o não reconhecimento das vivências comuns de opressão entre mulheres, o que fragmenta, enfraquece e silencia nossas vozes. Dificulta a construção de uma representação com a qual tenhamos orgulho de nos identificar. Mantém a humanidade das mulheres nas mãos de homens, que decidem quem é ou não “como as outras”. É um pilar da dominação de gênero;
(7) E se quebrássemos este ciclo? Admirando também as mulheres em nossas áreas de atuação profissional, em nossa família, em nossos círculos sociais, nos aproximando de outras mulheres e percebendo nossas vivências comuns e nos afirmando também pela igualdade: eu sou como as outras;
(8) O primeiro passo é recusar a identidade negativa e desumana da mulher, que nos é apresentada/imposta;
(9) O feminismo “de internet” ajuda neste construção de identidades positivas. Não olhamos mais para as capas de revistas, mas para os nossos selfies. Não lemos mais como “agradar seu homem”, mas como nos empoderar.

Não precisamos de ninguém para falar por nós: seja através de memes, de relatos de vivência de opressão ou de leituras acadêmicas feministas, estamos encontrando nossas próprias narrativas. E construindo a nossa representação em nós mesmas e nas outras mulheres.

Sou como Simone, Frida, Audre, Angela, Assata, Emma, Rosa, Brunna, Daniela, Marina, Lu. Sou como todas as outras..

Daniela Lima

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