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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O ISIS começou como um grupo sunnita

"Para as pessoas que ficaram tão ofendidas quando eu liguei o ISIS ao Islã, por favor, aprendam a aceitar o fato de que eles são o nosso problema agora. Embora eu acredite que o ISIS tenha sido provavelmente criado por motivos políticos, temos de entender que os soldados que foram recrutados, foram levados a acreditar que estão lutando por uma causa, para o Islã, para a jihad.

Dizer "ISIS não é islâmico" não resolve nada. Nós só estamos ignorando um problema gritante aqui, que é o fundamentalismo religioso. Pessoas como ISIS acreditam em uma interpretação diferente do Islã, um tanto violenta, e eles acreditam que tudo o que eles estão fazendo está levando-os para o caminho "verdadeiro".

A maioria de nós acredita que o que o ISIS está fazendo não é islâmico porque é contra a essência da fé, que é sobre a compaixão e a misericórdia. No entanto, isso não muda o fato de que eles ainda se identificam como muçulmanos. Dizer que eles não são, não os torna não-muçulmanos.

Para erradicá-los, ou pelo menos impedir que as pessoas queiram se juntar a eles, temos que primeiro reconhecer que há uma interpretação fundamentalista do Islã lá fora. (A interpretação sunnita é fundamentalista e sexista em sua base) Grupos terroristas muçulmanos como ISIS, Al-Qaeda e seus defensores estão seguindo essas interpretações. (Existe um estudioso no Brasil que defende o ISIS chamando de "mal necessário")

Dizer que o ISIS não é muçulmano é como dizer que os cruzados não eram cristãos. Todos eles foram [realmente] impulsionados pela religião.

Nós não podemos simplesmente dizer: "ISIS não é o nosso problema." Por mais que eu queira acreditar nisso também, infelizmente, eles são e muito. Como muçulmanos, não podemos simplesmente lavar as mãos. Isso não vai fazer eles irem embora. Estamos apenas tolerando em silêncio, se assim fizermos. Temos que lutar contra esta ideologia violenta do Islã. Temos que criar uma contra-narrativa. Mas vai ser difícil tentar fazer isso na Malásia, e deixe-me dizer o porquê.

O radicalismo não vem só na forma de derramamento de sangue, mas também pode ser transmitido através do fundamentalismo que está sendo difundido. 

Há uma razão pela qual eu usei ISIS como uma comparação com os muçulmanos sunitas. Quantos de nós realmente sabe que o ISIS começou com muçulmanos sunitas tentando matar todos os xiitas? Na Malásia, somos ensinados que os xiitas são maus, ou pior ainda, que seu sangue é halal, mas, ao mesmo tempo, condenamos os assassinatos realizados pelo ISIS. Você consegue ver o paradoxo?

Estamos condenando a mesma coisa que nós deixamos acontecer aqui. E, com certeza, a divisão entre sunitas e xiitas na Malásia não chegou ao ponto de um assassinato em massa, mas esses ensinamentos que demonizam os xiitas são as sementes que acabarão se transformando em pensamentos militantes; (mesmo pensamento que arrasta a maioria a diminuir as mulheres, a nos colocarem em segunda posição, a ser contra os gays, a adorar estudiosos - sim, a maioria simplesmente IDOLATRA estudioso, basta ir a alguma página de estudioso e conferir por si mesmo, todos estão sempre la, puxando o saco até doer -) em pessoas como ISIS. Nós já temos malaios deixando o país para se juntarem ao grupo terrorista.

Isso realmente me assusta; pensar sobre os danos que o ISIS tem causado ao nome do Islã, e quão pouco estamos fazendo para pará-lo. Não é suficiente falar sobre alguns versículos do Alcorão que ensinam a paz, dizer que não apoiamos o ISIS porque o Alcorão disse isso e aquilo, mas ao mesmo tempo apoiar a perseguição e discriminação dos xiitas. (e perseguir pessoas que lutam pela paz, perseguir pessoas que não têm a mesma visão -fundamentalista- de muitos) Não é assim que isso funciona. Você não pode simplesmente dizer que você é contra a violência. Você tem que agir de acordo com isso também.

O primeiro passo para resolver um problema é reconhecer que temos um. Nas palavras de Iyad El-Baghdadi, "ISIS não é uma ferida no Islã, é um câncer que veio de dentro." É algo que temos de corrigir, entre nós mesmos, mas como é que vamos fazer isso quando estamos sempre na garganta um do outro?

Recentemente, foi-me dada a honra de fazer parte de uma conferência sobre a luta contra o radicalismo. Poucos dias antes do evento, alguns grupos islâmicos tentaram nos parar. Embora tudo tenha saído conforme o planejado, notícias dos atentados em Paris começaram a aparecer ainda no decorrer do evento.

Parecia irônico para mim que grupos islâmicos tenham tentado parar uma discussão sobre o combate ao radicalismo, e em seguida, um ato de terror tenha ocorrido em nome do Islã. Embora esses ataques tenham sido devastadores, eu também senti que é oportuno (por falta de palavra melhor) mostrar que devemos reconhecer a radicalização crescente dos muçulmanos.

O ponto inteiro de meu tuíte não foi dizer quais práticas religiosas estão certas ou erradas, dos muçulmanos sunitas ou xiitas. Não foi uma batalha de teologia. Foi simplesmente um pedido para pararmos de generalizar pessoas. Quebra meu coração ver a luta que existe entre nós em vez de contra o inimigo comum.

Recentemente, vi uma estatística que disse que 11 por cento dos malaios são a favor do ISIS, enquanto 25 por cento ainda estão indecisos. Você sabe quão extremamente preocupante são esses números? Estou realmente com medo.

Por favor, vamos parar com o desnecessário, vamos parar com a luta de uns contra os outros. Em um momento como este, onde a islamofobia está em ascensão, nós, muçulmanos, temos que ficar juntos mais do que nunca. O inimigo é o radicalismo religioso. Não seus próprios irmãos e irmãs muçulmanos."

Eis o tuíte ("Não permitir que os Shias propaguem sua fé porque eles são maus? Se for esse o caso, muçulmanos sunitas da mesma maneira não devem propagar porque o ISIS é composto de muçulmanos sunitas.") 

Por Shafiqah Othman Hamzah Tradução Pollyanna Meira (So who is the real enemy here?)


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