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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Enquanto a tristeza não passa ...



"Moloch! Solidão! Sujeira! Feiura! Latas de lixo e dólares inalcançáveis! Crianças gritando embaixo das escadas! Garotos soluçando nos quartéis! Velhos chorando nas praças!
Moloch! Moloch! Pesadelo de Moloch! Moloch o sem amor! Moloch mental! Moloch o duro julgador dos homens!
Moloch a incompreensível prisão! Moloch o presídio sem alma de ossos trançados e congresso de aflições! Moloch cujas construções são julgamento!Moloch a pedra imensa da guerra! Moloch os governos atônitos!
Moloch cuja mente é pura maquinaria! Moloch cujo sangue é dinheiro circulante! Moloch cujos dedos são dez exércitos! Moloch cujo tórax é um dínamo canibal! Moloch cuja orelha é uma cova fumegante!
Moloch cujos olhos são mil janelas apagadas! Moloch cujos arranha-céus se erguem pelas ruas extensas como Jeovás infinitos! Moloch cujas fábricas sonham e arfam na fumaça! Moloch cujas chaminés e antenas coroam as cidade!
Moloch cujo amor é óleo interminável e pedra! Moloch cuja alma são bancos e eletricidade! Moloch cuja pobreza é o espectro do gênio! Moloch cujo destino é uma nuvem de hidrogênio assexuada! Moloch cujo nome é a Mente!
Moloch em que me mantenho solitário! Moloch em que sonho anjos! Louco em Moloch! Chupador de caralhos em Moloch! Sem homem ou amor em Moloch!
Moloch que cedo penetrou em minha alma! Moloch em que sou uma consciência incorpórea! Moloch que me afungentou do meu êxtase natural! Moloch que abandono! Acordar em Moloch! Luz escorrendo do céu!
Moloch! Moloch! Apartamentos robôs! Subúrbios invisíveis! Tesouros esqueléticos! Capitais cegas! Indústrias possessas! Hospícios invencíveis! Caralhos de granito! Bombas monstruosas!
Eles quebraram as costas erguendo Moloch ao céu! Calçadas, árvores, rádios, toneladas! Erguendo a cidade para o céu que existe e está em todos os lugares sobre nós!"
Ginsberg

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