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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Halidé Edib Adivar - Outra Muçulmana Feminista

Fonte: AAUW
Tradução: Pollyanna Meira

Halidé Edib Adivar (1884-1964) foi uma romancista turca, feminista e defensora dos direitos das mulheres, sendo melhor conhecida em todo o mundo pela sua escrita, que criticava a falta de direitos das mulheres turcas.

Adivar nasceu em 1884, Istambul. Seu pai era secretário de um sultão otomano. Apesar de ter sido incomum na época, o pai de Adivar incentivou sua filha a perseguir uma educação. Professores particulares, então, educaram Adivar em casa, e ela, em seguida, participou do American College for Girls, em Istambul. Quando recebeu seu diploma de bacharel em 1901, tornou-se a primeira mulher muçulmana a se formar.


Ela se casou com o matemático e astrônomo Salih Zeki Bey, e da união tiveram dois filhos. Foi nessa época que começou a escrever artigos que discutem a condição das mulheres, além de poemas patrióticos. Em 1908, estabeleceu a Society for the Elevation of Women, uma organização que defendia os direitos das mulheres. Além de defender a igualdade para as mulheres, ela se opôs às leis de casamento restritivas da Turquia, que legalizavam a poligamia, casamento infantil, e o divórcio arbitrário pelos homens.


Adivar se divorciou do seu primeiro marido e se casou novamente em 1917. Na mesma época, começou a trabalhar como professora na Faculdade de Letras de Istambul. Durante aquele tempo, estava ativa no movimento nacionalista turco. Trabalhou como enfermeira e soldado durante a guerra de independência turca, alcançando o posto de cabo e tornando-se a única oficial mulher no país. Ela continuou falando e realizando discursos inflamados contra a ocupação estrangeira de seu país após a Primeira Guerra Mundial.


Em 1926, Adivar foi acusada de traição e teve que fugir para a Europa. Durante esse tempo, viajou para os Estados Unidos, onde deu palestras sobre o clima social e político em seu país. Entre essas aparições, foram várias reuniões para a AAUW (Associação Americana de Mulheres Universitárias). Em uma edição do jornal da AAUW, em 1928, Cora Rigby, jornalista, membro do AAUW, e fundadora da Women’s National Press Club, anunciou que Adivar faria o discurso de abertura no Williamstown Institute of Politics, no Colégio Williams, em Massachusetts. Como tal, ela seria a primeira professora em um instituto de renome. Rigby elogiou Adivar por sua coragem e pediu aos membros para encontrarem uma oportunidade de ouvi-la falar. Ao descrevê-la, Rigby escreveu: "Ela é tão à frente de seu país que deve viver fora dele, mas ela o apresenta e representa de forma a concentrar a atenção do mundo sobre a Turquia. Ela é única, e tem uma personalidade que causa impressão duradoura e marcante." Adivar mostrou para os membros da AAUW como existem diferentes barreiras para o empoderamento das mulheres em todos os lugares.


Em 1939, Adivar voltou para a Turquia e trabalhou como professora de literatura em Istambul. Ela passou o resto da vida em sua terra natal e, como sempre, permaneceu ativa nos assuntos de seu país, até se tornar membro do Parlamento, em 1950-1954.


Contra todas as probabilidades, Adivar continuou a defender e a falar sobre as questões pelos quais se importou. Sua história de vida quebra muitos estereótipos sobre as mulheres muçulmanas e nos dá uma janela para o feminismo em todo o mundo, no início do século 20.

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