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domingo, 8 de maio de 2016

"Muhammedanische Studien"


Um dos principais pesquisadores e orientalistas da Europa, Goldziher (22 de junho de 1850 - 13 de novembro de 1921) em 1890, publicou "Muhammedanische Studien", no qual Goldziher desenha um retrato da sociedade muçulmana, onde a fabricação de hadiths foi um fenômeno generalizado, com pessoas frequentemente produzindo hadiths fictícios, para fins políticos ou outros. Ele argumenta que os diferentes grupos criavam muitos hadiths que apoiavam as suas respectivas posições, ou para modificar as tradições existentes, para justificar os seus pontos de vista, ou então para censurar os hadiths que haviam sido adotados por outros. Ele também acusa estudiosos muçulmanos de se basearem unicamente no isnad (cadeia de transmissores), sem prestar atenção aos "anacronismos óbvios" nos textos dos ahadiths.

O orientalista holandês C. Snouck Hurgronje (1857-1936), contemporâneo de Goldziher, escreve: "A literatura hadith era um produto de grupos dominantes nos três primeiros séculos do Islão, e, portanto, refletindo os seus pontos de vista. A ideia de que as raízes destes hadiths podem ser rastreadas por todo o percurso até ao Profeta é completamente falsa, a vida e os ensinamentos do Profeta não podem ser reconstruídas com base nessas tradições".

A visão de Goldziher, de que os estudiosos muçulmanos não podiam notar os anacronismos óbvios nos textos dos hadiths, também foi suportada pelo orientalista belga Henri Lammens (1862-1937). Segundo ele: "Uma vez que os ulemás muçulmanos (classe acadêmica) confinavam grande parte de seus esforços na crítica das cadeias de narrativas (isnad) e prestavam pouca atenção à crítica/textual interna dos hadiths, eles não conseguiram perceber as impossibilidades e os anacronismos lógicos e históricos nas narrações."

Um outro orientalista da Europa, David Samuel Margoliouth (1858-1940), professor de árabe na Universidade de Oxford, escreve: "Os conceitos da infalibilidade (ismah) e da revelação não-recitada (Wahy ghayr matluw) como teorias, foram construídos para justificar a posição da Sunna fabricada como uma fonte legítima da lei islâmica".

Joseph Schacht foi um professor britânico-alemão de árabe e Islão na Universidade de Columbia em Nova York e o principal estudioso ocidental da lei islâmica. Ele escreve:

"Não há qualquer evidência das tradições jurídicas (hadith e sunna) antes do ano 722AD no Islão, como também podemos concluir, que a Sunna ou hadiths do Profeta, não são as palavras e ações do profeta, mas um material apócrifo que data de muito mais tarde"



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