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quarta-feira, 8 de junho de 2016

"Feministos"


Texto de Joana Moroni:
A gente mostra que tem mulher muçulmana lutando (em armas) por um projeto societário profundamente democrático, igualitário, antiautoritário, por direitos coletivos, pela liberdade de crença, pela autodeterminação dos povos e contra o Isis lá no Curdistão.
A gente mostra que tem mulheres muçulmanas de punhos erguidos, lutando (também em armas) pela autodeterminação dos povos, pela liberdade de credo, contra o imperialismo e o Estado Sionista lá na Palestina.
A gente mostra que tem mulheres muçulmanas reivindicando a autodeterminação reprodutiva, o direito ao divórcio, a divisão igualitária dos trabalhos domésticos e cuidados dos filhos, o acesso universal à Educação e a investigação científica e filosófica de excelência, lutando contra a objetificação dos corpos femininos, e que estas encontram respaldo no Alcorão quando peticionam isso.
Mas tem vários companheiros "feministos" dizendo que estas mulheres não são "muçulmanas de verdade", são infiéis, porque o Islam é "malvadão" e todas elas teriam que ser coitadinhas despersonalizadas.
Vou te contar, hein.
Com "feministos" paternalistas desse jeito, que apontam qual mulher é mais ou menos muçulmana "de verdade", mais ou menos devota, mais ou menos "muçulmana pura", eu me pergunto: pra que precisamos de sheikhs wahabistas e de Isis?
Soa meio misógino, racista e islamofóbico esse jeitinho espalhafatoso e generalista de afirmar que as mulheres muçulmanas não têm autonomia intelectual, capacidade cognitiva e criticidade.
Podem parar, por favor? Não tão ajudando. Obrigada.

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