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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ser Gay & Muçulmano: A Morte é o Seu Arrependimento!

Fonte: The Feed SBS2
Tradução: Pollyanna Meira

Primeiro imam abertamente gay da Austrália, finalmente contou sua história ao público e revelou sua sexualidade.

Imam Nur Wahrsager, que há muito tem sido um defensor dos muçulmanos LGBTI, e fundador da Marhaba - um grupo de apoio para muçulmanos queer em Melbourne, revelou que é gay em entrevista ao The Feed SBS2.

Um imam é uma pessoa com autoridade religiosa. Imam Nur é o líder de uma mesquita para muçulmanos sunitas. Nascido na Somália, é um dos dois únicos líderes em Victoria que podem ser rotulados como um Hafiz - uma pessoa que tem o Alcorão memorizado."Em um ponto, a única opção que eu tinha era o suicídio, e eu tentei o suicídio, mas felizmente isso não funcionou", disse ao The Feed. (Graças a Deus!)

"É muito difícil assumir a homossexualidade no mundo muçulmano, porque as perdas são demasiadamente elevadas, os riscos são muito grandes. A escola do pensamento conservadora do Islã é contra a homossexualidade, e ser morto é o seu arrependimento."

"Eu não sou intimidado facilmente."

A história também é contada por outros muçulmanos queer, incluindo um casal de homens, que não irão revelar suas identidades por medo de alguma repercussão violenta.

"Eu tenho que esconder minha identidade, porque minha família não sabe", disse 'Mustafa'.

"Se eles descobrissem, isso levaria à violência, iriam me bater, ou mesmo me matar, porque eles veem isso como uma doença."

A homossexualidade é ilegal em muitos países onde o Islã é a religião principal, e muitos muçulmanos australianos ainda são muito homofóbicos.

Imam Nur disse que os integrantes do grupo Marhaba costumam se reunir em segredo, e que só permitiu, pela primeira vez, as câmeras, porque precisa destacar o quão ruim é a situação.

O imam foi para Sydney durante o Mardi Gras para falar em uma série de eventos, incluindo a ACON’s We’re In this Together, onde ele disse aos participantes que a carga por ajudar muçulmanos LGBTI estava se tornando muito pesada para uma pessoa sozinha suportar.

Ele também abordou a situação dos requerentes ao asilo LGBTI em detenção na Austrália, no Queer Thinking Forum, juntamente com o Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Gillian Triggs.

O jornalista por trás da matéria foi Patrick Abboud, que quis contar essa história para trazer à tona a luta de tantos jovens muçulmanos LGBTQI e, também, o que eles passam.

"É uma situação realmente terrível para muitos e a mudança só pode acontecer se começar, em primeiro lugar, dentro das famílias e dentro da comunidade. Precisamos que figuras proeminentes como Nur tenham mais visibilidade, para que pessoas como ele possam orientar jovens que estão lutando para ter um lugar mais seguro e feliz", disse Abboud ao Star Observer.

"Com mais educação, mais visibilidade e mais pessoas como Nur a um passo à frente, é possível efetuar a mudança. Essa mudança precisa acontecer primeiro em casa - os pais e as famílias daqueles que lutam são os que podem realmente salvar seus filhos de tanta dor, e através da partilha de histórias como a de Nur, eu espero que possamos abrir o debate no seio da comunidade em geral, e, assim, criar mais redes de apoio."

Abboud disse que a maioria de seus amigos queer muçulmanos não se assumiram e que ele só falou com o Imam Nur para descobrir o que estava sendo feito para apoiar "as pessoas mais marginalizadas de nossa comunidade LGBTQI em geral."

"Eles merecem viver a vida mais plena que podem e não têm que virar as costas à sua fé ou às suas famílias ... tem que ser possível ter ambos, mas isso é uma jornada muito difícil", disse ele.

"Eu entrei em contato com Nur e nos encontramos pessoalmente ao longo de meses, desenvolvemos, assim, uma grande amizade."

"Ele, então, me apresentou a alguns dos membros do grupo e eu passei uma grande quantidade de tempo na construção de confiança mútua. Eles precisam contar suas poderosas histórias, mas ao mesmo tempo devem estar protegidos. Chamar a atenção para a luta de muitos jovens muçulmanos LGBTQI, e para tudo o que estão passando agora é necessário, tanto aqui como no exterior."

"Eu estou trabalhando em um grande projeto, um documentário independente, que olha para a situação internacional ao lado de ativistas que fazem lobby para grupos de direitos humanos, assim, vamos chamar a atenção do mundo para isso."

Imam Nur Wahrsager

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