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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Às Mulheres da Mesquita Sumayyah Bint Khayyat - Embu das Artes

Nunca, em momento algum, em dois anos de existência da página do face, e um do blog, menosprezamos o trabalho de qualquer mulher que seja, ou falamos que temos apenas um ponto de vista, ou que não estamos abertos ao diálogo, NUNCA.
Quando mostramos a jaula, cela ou gaiola, como quiserem chamar, pois aquilo não é apenas uma barreira, se eu tivesse usado essa palavra estaria sendo desonesta comigo mesma, não fizemos no intuito de magoar, ferir ou denegrir a imagem de qualquer mulher que seja, pelo contrário, fiz (agora coloco na 1ª pessoa), EU (Pollyanna) fiz porque fiquei triste, magoada, revoltada com a situação imposta POR UM HOMEM àquelas mulheres.

Em todo Brasil, já não sei nem há quantas décadas, o único islã ensinado como o "correto" é esse islã aí, que coloca a mulher em segunda posição e para baixo. Eles, lábios doces, conseguem manipular a mente das pessoas tão bem que transformaram a segunda posição em "proteção", acompanhado disso, discursos e mais discursos de como o islã protege as mulheres. Eu mesma já fui sunita, já usei niqab, tudo porque achava que era o correto a se fazer... bem, não estamos questionando se as mulheres dessa comunidade lutam, estudam, sofrem ou são marginalizadas, eu sei, sou pobre, mãe solteira, cresci criada em casas de parentes e pela vó, e hoje passo por uma depressão por toda recriminação/marginalização/sofrimento que já sofri na vida... mas a discussão aqui também não é esta, a discussão é >>> o monopólio do islã dos homens precisa acabar, e as muçulmanas precisam conhecer outros pontos de vista, precisam saber que há estudiosas feministas, estudiosas que lideram orações, que existem orações mistas, precisam conhecer o real significado do hijab, segregação e tantas outras questões que só trouxeram a mulher para trás, isso é importante e urgente. Mas, se a mulher, após conhecer outras perspectivas, não apenas uma (não existe escolha quando só há uma opção), ainda assim achar melhor a segunda posição, aí sim, ela escolheu e eu respeito, lembrando sempre que nós, deste lado de cá, nunca tivemos o direito à escolha, somos perseguidos simplesmente pelo fato de falar. Conforme sempre falo pros LGBTs, vocês podem ser sunitas, mas não se esqueçam que os sunitas tratam a homossexualidade como desvio e pecado, existem leis que punem vocês com a morte se decidem se relacionar, ou vão ter que aguentar o fardo de viver uma vida falsa para agradar a banda que resolveu seguir.... fico triste, mas essa foi UMA ESCOLHA.

Agora, chegar na página e dizer que não temos sororidade, que nunca fomos lá ouvir essas mulheres, bem, vamos colocar fogo em todos os livros de história então, eu não estava na África do Sul quando rolou o apartheid, nem nos navios negreiros, nem em qualquer guerra, como posso saber que são coisas ruins? Mas uma coisa é certa, acompanho a luta e sofrimento de tantas mulheres em países de maioria muçulmana e sei o que o hijab, segregação, e o islã dos homens causou a elas, a tantas crianças dadas como noivas, e a tantas pessoas... isso está muito bem registrado e vivo até hoje.

Eu não preciso entrar em uma mesquita, apesar de querer entrar em cada uma, e conversar com cada mulher, para saber que colocar as mulheres em grades e segregar não é humanamente bom (e também é contra os mandamentos do Quran que prega igualdade entre os humanos). Como será a interpretação das crianças vendo isso? O que vai na cabeça delas vendo suas mães, tias, irmãs separadas daquela maneira, como feras? Disse como feras, não que SÃO feras. Como os homens dessa comunidade vão se sentir em relação à mulher, quando seu status é claramente superior? E eu que não estou tendo empatia? Eu que não sei ouvir? Eu que sou todos os adjetivos sujos que estou acostumada a ouvir? E se eu for nessa mesquita liderar uma oração ou rezar junto com os homens, seria bem recebida? Claro que não, lá existe apenas uma voz, como em todas as outras do Brasil, UMA E UMA E UMA.

Agora, eu entendo e é totalmente compreensível a mágoa. Quando eu soube da verdade, quando eu soube que tudo que OS HOMENS haviam me ensinado estava errado e em desacordo com o Quran, eu sofri, eu fiquei tão tão magoada, mas em momento algum joguei a culpa em outras mulheres. A culpa não é nossa, temos que nos fortalecer e sermos unidas, a culpa é deles que nos ensinam errado, nos ludibriam, nos enganam com aquela aura de santos. Irmãs, eu sofri quando vi aquilo como ninguém, eu sofro com cada rejeição que tenho de vocês quando só quero o melhor para nós, vocês não sabem o que vai em meu coração. Estou aguentado xingamentos e agressões porque quero o melhor para TODAS, eu não quero que passem pelo que passei. Seria mais fácil viver o islã só pra mim e deixar todo mundo se lascar. Sei que algumas vão falar que sou vitimista, podem falar, mas eu sei, Deus sabe, que só penso em nós. Escutem minhas palavras, pelo menos uma vez, e se magoei alguma mulher, NUNCA foi minha intenção ...

2 comentários:

  1. AS SALAM ALAIKUM, DESEJO O MELHOR PARA AS MINHAS IRMÃS NA FÉ, BUSCAREI CONHECE-LAS MELHOR E ANALISAR COM RESPEITO AS IDÉIAS QUE DEFENDEM. POR FAVOR, ENCAMINHEM ALGUM TEXTO SOBRE ISSO. SOU BRASILEIRO REVERTIDO PELA GRAÇA DE ALLAH AOS ISLÃ HÁ 26 ANOS. CONCORDO PLENAMENTE QUE NÃO SE TRATA DE MUDAR O ISLÃ- MAS SIM RESGATAR O ISLÃ TAL COMO O PROFETA (SAAS) NOS ENSINOU COM SEUS EXEMPLOS- LIBERTAR O ISLÃ DAS AMARRAS DOS COSTUMES TRIBAIS- SEM ABANDONAR AQUILO QUE ALLAH NOS ORDENOU, E CERTAMENTE NÃO ORDENOU NADA INJUSTO, DESCABIDO , IRRACIONAL OU QUE SEJA PREJUDICIAL AOS HUMANOS.

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    1. Paz esteja com você. O que defendemos está resumido no Movimento Luísa Mahin. :D Obrigada pelo comentário. abs

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