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sábado, 20 de agosto de 2016

Muçulmana Que Celebra Casamentos

diaa Hadid

Tahrir Hammad acha que as mulheres, incluindo ela mesma, são emotivas demais para servirem como juízes, e aceita sem questionar o preceito legal islâmico que considera duas mulheres como sendo equivalentes a um homem como testemunha em cerimônias oficiais. OOPS (Acho ótimo isso está acontecendo, e fico muito muito feliz também, mas muita coisa ainda precisa cair por terra, principalmente esse discurso de duas mulheres para um homem. Veja sobre isso AQUI )


Hammad, 36 anos, é uma pioneira ao se tornar recentemente a primeira mulher autorizada a celebrar casamentos muçulmanos nos territórios palestinos. Ela não parece incomodada pelas críticas, mesmo as feitas por um de seus ex-professores, Hussam el-Deen Mousa Afana, que descreveu a nomeação dela como uma "abertura de porta para metástase do mal", em uma postagem no Facebook em 14 de agosto.

"Honestamente, não pensei no que as pessoas pensariam", disse Hammad. "Eu gosto de correr riscos."


Mas ela acrescentou rindo: "Quero mostrar que as mulheres podem fazer isto. Quero provocar fagulhas. Quero atirar uma bomba". Hammad não é a primeira mulher palestina a ocupar uma posição tradicionalmente reservada aos homens nas sociedades muçulmanas. Em 2009, um jurista de mentalidade liberal, o xeique Taysir Tamimi, nomeou nos territórios palestinos as duas primeiras juízas de tribunal islâmico, que agora decidem sobre divórcios, custódia e herança. Os tribunais islâmicos cuidam de todos os assuntos familiares dos muçulmanos nos territórios.


Assim como aconteceu com Hammad, a nomeação das juízas foi inicialmente recebida com desprezo. Mas elas agora são aceitas como parte da paisagem, assim como um crescente número de mulheres que pregam o islã para outras mulheres na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, o terceiro local mais sagrado do islã.


Os defensores dos direitos da mulher apreciaram as nomeações, mas disseram que é apenas o início do trato de um grande número de problemas na lei matrimonial e no processo de casamento, regras injustas de custódia e pensão alimentícia, e o fracasso de informar às mulheres os seus direitos. Estes obstáculos não podem ser superados, dizem os defensores, por causa da profunda resistência de juízes conservadores e da paralisia no parlamento palestino.


Mas acadêmicos muçulmanos progressistas esperam que pioneiras como Hammad encorajem mais mulheres a buscarem posições dentro do judiciário islâmico. Segundo eles, isso proporcionaria um espaço com maior empatia para as mulheres afirmarem seus direitos.


"Trata-se de um começo abençoado", disse o xeique Tamimi, que já foi o mais alto juiz islâmico palestino. "Quando uma mulher está se explicando para uma mulher, para uma pessoa de seu próprio gênero, é muito mais fácil do que se explicar para um homem."


Desde a nomeação de Hammad, mais duas mulheres se candidataram para ser celebrantes de casamentos. Um comitê do governo está analisando as candidaturas.



Tahrir Hammad

As celebrações dos casamentos palestinos costumam ser assuntos elaborados, que duram múltiplos dias, envolvendo banquetes e centenas de convidados, com a noiva vestindo uma série de vestidos ornamentados e lenços de cabeça. Mas os casais são oficialmente casados em uma cerimônia que dura minutos, em um escritório monótono, onde o noivo e o pai da noiva assinam um contrato de casamento.


É aí onde entra Hammad. Em um dia recente, ela estava sentada à uma mesa grande, vestindo uma túnica longa e um lenço de cabeça marrom e verde, enquanto homens e mulheres alegres se espremiam na sala.


A mãe da noiva comentou empolgada que uma mulher celebraria o casamento e começou a fazer piadas sobre jogar seu marido pela janela e recomeçar.


Hammad perguntou à noiva, Saja Harfoush, 22 anos, se ela consentia em se casar com um funcionário público municipal de 23 anos. Harfoush respondeu de forma inaudível. A mãe de Saja, encorajada pela presença de Hammad, pediu à filha: "Levante sua voz!"


Posteriormente, as famílias agradeceram Hammad por perguntarem claramente à noiva se ela consentia com a cerimônia. "Ela deu espaço para perguntar à noiva o que ela queria", disse a mãe de Harfoush. "Quando me casei, o celebrante não me deixou falar. Não foi como nossa irmã Tahrir acabou de fazer."


No mesmo dia, as famílias de Munif Qamish, 22 anos, o noivo, e Raghad Qamish, 17, a noiva, encheram o escritório minúsculo. O casal compartilha o mesmo sobrenome porque são primos, um arranjo tradicional na sociedade palestina.


Hammad iniciou a cerimônia explicando a importância do casamento no islã, mas então fez uma pausa, ao perceber que havia apenas uma testemunha do sexo masculino, quando duas eram necessárias.


Então Hammad lembrou que as duas mulheres na sala podiam servir como uma testemunha segundo a lei islâmica, como praticada pelos palestinos, que declara que duas testemunhas do sexo feminino equivalem a um homem.


"Podemos ter duas mulheres, mas teremos que espremer as assinaturas", ela disse, pegando o livro de registros diante dela.


O irmão do noivo encontrou às pressas um homem palestino mais velho para servir como segunda testemunha.


A cerimônia foi retomada. Hammad se voltou para a noiva adolescente, perguntando se tinha algumas condições que gostaria de estipular em seu contrato de casamento. Raghad Qamish sussurrou, "eu gostaria de concluir meus estudos".


Posteriormente, Raghad Qamish disse que não sabia que podia tornar seu casamento condicional ao seu direito de concluir seus estudos até Hammad lhe perguntar.


Apesar de estar qualificada para se tornar uma juíza islâmica, Hammad disse estar satisfeita por ter chegado ao seu pináculo profissional como celebrante de casamentos.


"Você pode achar isso contraditório, mas eu não seria uma juíza", ela disse, corando. "Eu me considero emotiva demais."


Mas Hammad enfrentou friamente a onda de críticas.


Ela escreveu uma resposta no Facebook ao seu ex-professor, Afana, rebatendo educadamente suas críticas – principalmente de que mulheres não devem se misturar com homens, e que uma mulher que trabalha até tarde negligenciaria sua família e seus filhos. Notou que todas as profissões modernas envolvem o convívio entre gêneros e que ela não trabalha até tarde. Ela ignora as zombarias dos colegas, não acostumados a ver uma mulher encarregada.


Os palestinos comuns aceitaram bem Hammad. Apenas dois, dentre mais de 20 casais, se recusaram a permitir que ela celebrasse seu casamento. Esses dois foram discretamente encaminhados a um celebrante masculino, apesar de nos tribunais islâmicos as pessoas serem atendidas por ordem de chegada.


Hammad notou que estava claro que era a primeira mulher celebrante: apenas homens, ela disse, pensariam em celebrar casamentos em um escritório minúsculo que também serve como arquivo, com pastas pretas cheias de certidões de casamento cobrindo as paredes.


"Eu gostaria de uma sala com flores e um aquário", disse Hammad. "Acho melhor ter uma atmosfera romântica, onde todos possam relaxar."



Taysir Tamimi

Tradutor: George El Khouri Andolfato

4 comentários:

  1. Bom dia, estou precisando urgentemente de um email de contato para falar com vocês. Estou realizando um trabalho de monografia relacionado ao sistema legal Islâmico e os direitos humanos, estou fascinada pelo seu blog, e gostaria de falar com vocês à respeito disso, preciso do email porque não utilizo o facebook. Ficarei aguardando, desde já agradeço!

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    1. olá irmã, meu email é gentle.annie@hotmail.com, abs

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  2. Parabéns pelo blog. Fico feliz pela existência de muçulmanos progressistas no Brasil. Espero que vocês cresçam mais e mais dentro da comunidade muçulmana.

    Um abraço.

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