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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Irsha Manji, uma LGBTI Muçulmana Lutando Por um Islã Progressita

Agradecimentos à página Lei Islâmica em Ação (que, por sinal, é contra o islã, mas postou algo que presta).

Irsha Manji, uma LGBTI muçulmana progressista, fala sobre o falso multiculturalismo e seu movimento de reforma por um islã progressista.

"Irshad Manji sobre o multiculturalismo"

"A controversa escritora muçulmana, professora universitária, reformadora do Islã, filha de imigrantes (egípcios e indianos) vindos de Uganda para o Canadá, Irshad Manji, discute o impacto do multiculturalismo em mulheres islâmicas.

Irshad Manji afirmou que o multiculturalismo entra em conflito com as aspirações de igualdade de gênero.

Segundo Manji, que é declaradamente lésbica, o multiculturalismo é péssimo para as mulheres muçulmanas, pois a grande maioria das culturas islâmicas são patriarcais, o que leva a maior favorecimento dos indivíduos do sexo masculino (em relação às mulheres).

Quando a sociedade ocidental emparelha o multiculturalismo com os costumes patriarcais das sociedades muçulmanas, essa sociedade preserva as tradições culturais dos imigrantes, ou seja, os multiculturalistas reforçam os costumes patriarcais de abuso, submissão e opressão da mulher muçulmana que são perpetrados pelas sociedades muçulmanas. O que significa que o multiculturalismo se choca e vai contra uma das principais aspirações das sociedades ocidentais democráticas, que é a igualdade de gênero.

Chegou a hora de substituir o multiculturalismo por algo mais justo para com as mulheres que vieram de sociedades muçulmanas para viverem em democracias ocidentais.

Chegou a hora de substituir o multiculturalismo por algo que não reforce a prática de abusos contra as mulheres imigrantes vindas de sociedades muçulmanas.

Quando o multiculturalismo preserva um costume que é crime contra a mulher e contra os direitos humanos, os defensores do multiculturalismo se tornam cúmplices da perversidade dessa sociedade muçulmana misógina.

É hora dos canadenses evoluírem o conceito de multiculturalismo para o conceito de diversidade.

O multiculturalismo é sobre a preservação de uma mentalidade de um grupo, o que equivale à rotulagem.

Diversidade, por outro lado, é mais do que a cor da pele, a religião e o sexo de outra pessoa. Diversidade é agir dentro da realidade, a partir de diferentes pontos de vista, incluindo-se o ponto de vista dos indivíduos mais vulneráveis daquela comunidade imigrante.

O multiculturalismo, por outro lado, atualmente, resume-se a apenas ouvir o que os líderes autonomeados dessas comunidades culturais nos dizem, negligenciando o ponto de vista das minorias daquela sociedade imigrante.

Esta é a dura verdade que todos nós temos de lidar e que muitos se negam a enxergar: Diferentes pontos de vista, naturalmente, ofendem pessoas diferentes. Mas a ofensa não é um problema a ser evitado a qualquer preço. O ataque ao status quo vigente é o preço da diversidade honesta. Chega de identidades com hífen:  afro-americano, árabe-americano, etc...

A próxima etapa na evolução é a cidadania global. O que significa cidadania global?

Ser cidadão é participar. Mas você não pode participar efetivamente se você está constantemente com medo de ofender alguém. Temos de ir além do medo de ofender, e falar as nossas verdades, defender os nossos pontos de vista como indivíduos, não como produtos de alguma linha de montagem cultural.

As escolas deveriam substituir o 'Dia do Multiculturalismo' pelo 'Dia da Cidadania Global'. Isto significaria incentivar os alunos a fazer perguntas sobre si mesmos e uns aos outros - especialmente as perguntas que eles nunca perguntaram em voz alta, porque eles temiam que alguns fossem se ofender ou se enfurecer.

A finalidade de tal exercício é dotar os alunos com a permissão de fazer perguntas em voz alta, isto é construir coragem, o que é crucial para uma era em que vamos precisar explorar diferentes ideias em prol da resolução de dilemas globais.

Por exemplo, no meu caso, Deus me fez muito mais do que gay, muito mais do que muçulmana, e é por isso que eu abraço a defesa do pensamento independente dentro e fora de nossa comunidade - conhecido como 'Ijitihad'.

Eu sou conhecida como ferrenha crítica do Islamismo, e sofro ameaças de morte diariamente por isso, e o que mais me preocupa é que os muçulmanos são o problema com o Islã hoje, e a causa disso é porque os indivíduos não podem desafiar e questionar abertamente a ideologia do Islamismo.

Obviamente que os fanáticos religiosos existem em todas as religiões, mas nas outras religiões, os fanáticos podem ser questionados pelos demais fiéis sem se preocupar com ameaças às suas vidas. O mesmo ainda não é verdade em nossas comunidades.

A questão basicamente é: como debater e se envolver com civilidade, em vez de hostilidade? Se estamos dispostos a ser honestos, então nossos julgamentos são contingentes em ter mais experiências de vida e ouvir argumentos melhores para melhorar nossas vidas. É por isso que a liberdade de expressão é tão central para a diversidade.

Eu desenvolvo o  projeto 'Coragem Moral', uma pesquisa de costumes que faço na Universidade de Nova York, é um programa multimídia que fala sobre valores. Esse projeto consiste em que as pessoas contem suas histórias de vida, pessoas do mundo todo, contando suas histórias como indivíduos que sofrem desaprovação pelas suas escolhas, reprovação vinda de sua família, de sua sociedade, de seus pares. Eles contam sobre o risco social de assumir sua escolha. Nossos vídeos são livres para todos no Youtube. Nesse projeto de pesquisa, a minha missão e da minha equipe é mostrar que é possível viver com integridade. O projeto 'Coragem Moral' tem a finalidade de inspirar os jovens muçulmanos a fazer a sua 'Ijitihad', ou seja, é a luta contra o sistema opressor em que vive o jovem islâmico e que não lhe dá escolhas. O meu 'Projeto Ijtihad' é uma fundação sem fins lucrativos que ajuda a nova geração a modernizar as suas interpretações da Sunnah, da sua fé e das escrituras. Nosso serviço fundamental é a equipe de orientação. Esta é uma rede internacional de mentores. Entre os mentores há teólogos progressistas, assistentes sociais e estudantes. Eles abordam questões sobre como iniciar diálogos honestos com familiares, amigos e colegas de trabalho, na sociedade islâmica.

Nossa demanda vem principalmente de casais inter-religiosos, muitas vezes desesperados pela aceitação de suas famílias. Mas milhares de muçulmanos jovens, em todo o mundo, enviam as suas perguntas através do site da equipe de orientação."


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