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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Homossexualidade ~ Islã ~ Lei Sharia ~

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“Oh, você que mirou em meu coração o dardo de um olhar penetrante:
Conheça aquele que está morrendo, cujos olhos derramam lágrimas velozes!
Quem exigirá justiça de um cervo encantador
De corpo delgado como o ramo verde e fresco,
Que insistiu na distância e na rejeição?…
Ele me seduziu com o feitiço de suas pálpebras.
Se fosse possível — mas ele sempre me evita —,
Eu teria conquistado meu desejo ao abrir seu cinturão.” Yusuf III [3]
Imagem retirada do texto

"(Precisamos considerar em separado o islã e sua lei da sharia.)

Existem várias formas de interpretar a escritura islâmica a fim de desvinculá-la da violência. Isso, claro, não muda o fato de que o islã supremacista, fundamentalista, é uma interpretação legítima, tradicional e virulentamente anti-ocidental do islã; mas pelo menos significa que podem existir outras correntes tradicionais do islã que rejeitam a violência e o sistema político-legal da religião.

A sharia, por outro lado, é gravada em pedra. Mesmo a maioria dos reformistas islâmicos reconhece que ela precisa de reforma – não que ela possa ser reinterpretada, mas que precisa ser mudada. Suas disposições e especialmente suas punições draconianas foram em grande parte estabelecidas um milênio atrás.

A exigência de que homossexuais sejam mortos não é do ISIS ou da al-Qaeda. É da sharia – que deriva de escrituras muçulmanas. (livros escritos por estudiosos e interpretações tendenciosas)

Uma versão em inglês do clássico manual da sharia, Reliance of the Traveller, foi endossada por estudiosos da Universidade al-Azhar, sede do ensinamento sunita desde o século X; pelo Instituto Internacional do Pensamento Islâmico, um think tank da Irmandade Muçulmana influente em Washington; e por outros influentes governos e comentaristas islâmicos. Eis o ensinamento sobre homossexualidade encontrado no capítulo “Gravidades”, dedicado às ofensas mais graves:

Sec. p17.0: SODOMIA E LESBIANISMO

Sec. p17.1: Em mais de um momento no Alcorão Sagrado, Alá nos conta a história do povo de Lot, e como Ele o destruiu devido a sua prática perversa. Há consenso tanto entre muçulmanos e quanto entre seguidores de todas as outras religiões de que a sodomia é uma gravidade. Ela é ainda mais vil e horrível do que o adultério.

Sec. p17.2: Alá Altíssimo diz: “Dentre as criaturas, achais de vos acercar dos varões, deixando de lado o que vosso Senhor criou para vós, para serem vossas esposas? Em verdade, sois um povo depravado!” (Alcorão 26:165-66).

Sec. p17.3: O Profeta (Alá o abençoe e lhe dê paz) disse:

“Mate aquele que sodomiza e aquele que permite que seja feito consigo.”

“Que Alá amaldiçoe aquele que faz o que fazia o povo de Lot.”

“Lesbianismo por mulheres é adultério entre elas.”

O sheikh Yusuf al-Qaradawi é provavelmente o mais influente jurista do sunismo vivo. Aqui, conforme reportado pelo Middle East Forum, está o ensinamento de Qaradawi sobre a homossexualidade:
Devemos estar conscientes de que, ao regular o impulso sexual, o islã proibiu não apenas relações sexuais ilícitas e tudo o que leva a elas, mas também o desvio sexual conhecido como homossexualidade. Esse ato pervertido é uma inversão da ordem natural, uma corrupção da sexualidade humana e um crime contra o direito das mulheres. (O mesmo igualmente se aplica no caso do lesbianismo.)
A disseminação dessa prática depravada em uma sociedade perturba seu padrão de vida natural e faz daqueles que a praticam escravos de sua luxúria, privando-os de gosto decente, morais decentes e um modo de vida decente. A história do povo do profeta Lot, a paz esteja com ele, conforme narrada no Alcorão, deveria nos bastar. O povo do profeta Lot era viciado nessa desavergonhada depravação, abandonando relações naturais, puras e corretas com as mulheres em busca dessa prática não natural, imunda e ilícita. É por isso que o profeta Lot, a paz esteja com ele, lhes disse: “Dentre as criaturas, achais de vos acercar dos varões, deixando de lado o que vosso Senhor criou para vós, para serem vossas esposas? Em verdade, sois um povo depravado!” (Alcorão 26:165-166)
A mais estranha expressão da perversão de natureza desse povo, sua falta de orientação, depravação de morais e aberração de gosto foi sua atitude para com os convidados do profeta Lot, a paz esteja com ele.
Os juristas muçulmanos sustentaram diferentes opiniões a respeito da punição a essa prática abominável. Deveria ser a mesma punição que ocorre para a fornicação? Deveria tanto o participante ativo quanto o passivo serem condenados à morte? Tais punições podem parecer cruéis, mas foram sugeridas para manter a pureza da sociedade islâmica e mantê-la livre de elementos pervertidos.
Sistani uma das mais influentes autoridades xiitas em sharia que se pode imaginar. Quando lhe questionaram “qual é o julgamento islâmico para a sodomia e o lesbianismo?”, Sistani respondeu: “É proibido. Aqueles envolvidos em tais atos devem ser punidos. Em verdade, os sodomitas devem ser mortos da pior maneira possível”.

Isso, deixe a coisa entrar na sua cabeça: “mortos da pior maneira possível”.

A inspiração dos muçulmanos para tratar brutalmente ou mesmo exterminar em massa os gays não vem do Estado Islâmico. Trata-se de algo profundamente enraizado na lei islâmica, afirmado por muitos dos mais renomados estudiosos islâmicos. Eis por que, onde quer que a sharia seja lei, os homossexuais são perseguidos e mortos. Veja-se, por exemplo, esta reportagem de 2014 no Washington Post listando dez países muçulmanos onde a homossexualidade pode ser punida com a morte. (Iêmen, Irã, Mauritânia, Nigéria, Qatar, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Emirados Árabes Unidos e Iraque – a despeito de sua nova constituição, apoiada pelos Estados Unidos).

Como já defendi antes, embora uma proibição categórica à imigração islâmica seja uma política ruim, nossa lei de imigração deve distinguir entre a religião islâmica e o islamismo, isto é, a ideologia política que prega o absolutismo da sharia, que tende a vicejar vigorosamente onde quer que os muçulmanos formem uma massa crítica. Seguramente deveria haver restrições severas à imigração oriunda de países, regiões e comunidades (e.g., na Europa) em que os critérios da sharia são impostos de jure ou de facto.

O problema com a imigração em massa proveniente de enclaves em que prevalece a sharia não reside simplesmente no fato de que terroristas treinados podem se infiltrar em meio à população imigrante. O problema está em que os muçulmanos adeptos da sharia e refratários à assimilação formarão enclaves da sharia nos Estados Unidos, como fizeram por toda a Europa, enclaves nos quais jovens muçulmanos serão “radicalizados” bem debaixo de nossos narizes pelos anos vindouros."[1]

Porém, outras interpretações/visões sobre a homossexualidade estão sendo debatidas no meio muçulmano. 


Irshad Manji e sua noiva

"Muitos anos atrás, de passagem por Toronto, fazia zapping na TV por cabo, já de madrugada, quando me apercebo de um programa sobre lésbicas religiosas. Isso mesmo. Lésbicas religiosas, católicas, judias, muçulmanas, sikhs, hindus e outras, que tinham decidido tentar conciliar suas fés - e não abandoná-las - com a sua orientação sexual, algo que, há 20 ou 30 anos, pareceria impossível, já que víamos praticamente todas as religiões como sendo hostis à homossexualidade. Muito mudou entretanto. 

Naquela noite, pareceu-me mais um típico programa da TV canadiana, uma daquelas coisas doidas que vemos na TV dessas sociedades ultra-cosmopolitas e multiculturais, que nem nos passaria pela cabeça em Portugal, em finais dos anos 90. Passava no programa um documentário sobre a vida destas mulheres, ao qual se seguiu um debate em estúdio, onde as moças alegavam que, depois de anos a estudar as diferentes escrituras religiosas, não tinham encontrado nelas nada que condenasse a homossexualidade. O que encontraram a condenar tinha lá sido metido por homens machistas e ciosos em preservar uma sociedade patriarcal, que perpetuava o estatuto do homem heterossexual, guerreiro, violento, sobre tudo o resto, ou algo assim nestes termos. No estúdio estavam um rabi, um imã e um padre católico, que, geralmente, discordavam das conclusões destas mulheres, embora se mostrassem muito compreensivos perante as dificuldades enfrentadas por elas ao longo da vida - o preconceito, o ódio, a aceitação, a procura do amor.

Chamou-me a atenção uma pequena mulher morena no programa, de nome Irshad Manji, muçulmana, da qual já vos falei anteriormente. Era bem-humorada, astuta e pertinente, muito “bitchy”, como se diz em Inglês. Vim a saber que descende de refugiados indianos da África Oriental, uma história que me é muito familiar. É uma das vozes “críticas” mais conhecidas do fundamentalismo islâmico e religioso. Esta semana aparecerá num documentário da CNN, da autoria de Fareed Zakaria, intitulado “Porque eles nos odeiam” (eles os terroristas), onde fala da patranha das “72 virgens do Paraíso” que as criaturas esperam lá encontrar. “Não há nada no Alcorão que fale dessas virgens”, apercebi-me que se casou com a sua parceira de muitos anos - uma judia agnóstica -, numa cerimônia no Havaí, um dos estados americanos que já deve permitir o casamento “gay”." [2]
Irshad Manji e sua noiva

"Nem sempre as referências islâmicas ao lesbianismo eram condenatórias. Pelo menos uma dúzia de romances de amor nos quais os amantes são mulheres, é mencionada em "O Livro de Hind", cuja autora era lésbica. O século IX produziu um Tratado do Lesbianismo (Kitab al-Sahhakat), hoje perdido, e obras árabes eróticas posteriores continham capítulos sobre o tema. Esse amor não era limitado pelo gênero. A poesia amorosa homoerótica foi pródiga na Espanha árabe. Seu florescimento aqui não foi único, mas deu-se em paralelo com o mundo islâmico em geral. O amor de al-Mutamid (1040-1095), emir de Sevilha e poeta andaluz proeminente de sua época, por outro poeta, Ibn Ammar (1031-1086), acabou de forma violenta após uma longa amizade e é o romance mais famoso, e o mais trágico, da história de al-Andalus. O capítulo referente ao Al Andalus pode ser lido aqui: Male Love and Islamic Law in Arab Spain

Praticamente toda coletânea de poesia hispano-árabe contém farta quantidade de poemas amorosos escritos por homens para ou sobre outros homens. A poesia erótica floresceu primeiramente na Andalusia em Córdoba sob Abd ar-Rahman II (822-852). Seu neto, Abdallah (888-912), dedicou versos de amor a um “cervo de olhos negros”. Ibn Abd Rabbihi (860-940), um poeta liberto da corte de Abdallah, escreveu sobre outro rapaz em um tom típico de sujeição. “Dei a ele o que pediu, fiz dele meu mestre…/O amor acorrentou meu coração/Como um pastor acorrenta um camelo”. Al-Ramadi (m. 1022), o maior poeta de Córdoba no século X, apaixonou-se por um escravo negro. Novamente vemos a inversão consciente de papéis: “Olhei nos olhos dele e fiquei embriagado…/Sou seu escravo, ele é o senhor”. Poetas latinos na Roma de Augusto também haviam dirigido poemas amorosos a jovens escravos, mas nunca nesse estilo; a auto degradação desses andaluzes prenuncia ainda mais o romantismo cavaleiresco da França medieval.

O florescimento  poesia amorosa homoerótica na Espanha árabe não foi único, mas deu-se em paralelo com o mundo islâmico em geral. Manifestações líricas semelhantes também agraciaram as cortes do Iraque e da Síria, os jardins da Pérsia, as montanhas do Afeganistão, as planícies do Império Mogol (Índia), os domínios dos turcos otomanos e os estados africanos do Egito, Tunísia e Marrocos. Antologias medievais islâmicas, compiladas em Bagdá, Damasco, Isfahan, Kabul, Délhi, Istambul, Cairo, Kairouan e Fez, revelam, com impressionante consistência e por mais de um milênio, a mesma tendência à paixão homoerótica que encontramos nos poemas de Córdoba, Sevilha e Granada.

O teólogo Malik de Medina (711-795), cuja escola de jurisprudência acabou por tornar-se dominante na Espanha e no Norte da África, apoiava a pena de morte. Assim como o líder de outra importante escola, o literalista Ibn Hanbal (780-855). Outros, mais lenientes, reduziam a punição ao açoitamento, normalmente cem chibatadas. Sentenças cruéis foram distribuídas por sucessores imediatos de Maomé. Abu Bakr (573-634), amigo do Profeta e primeiro califa muçulmano (632-634), prescreveu a fogueira como penalidade e mandou soterrar um homem condenado sob os escombros de um muro. (No Afeganistão moderno, esse castigo foi revivido pelos governantes talibãs em versão atualizada: os muros foram derrubados por tratores de esteira. O cunhado de Maomé e quarto califa, Ali (601-661) — posteriormente considerado infalível e semidivino pelos muçulmanos xiitas —, mandou jogar um homem culpado do topo de um minarete; outros foram apedrejados.

Assim, no início da teoria e da prática judiciárias, a severidade do Velho Testamento veio, ao menos teoricamente, dominar o âmbito legal do islã.

Em outros pontos da cultura islâmica, porém, as evidências são visivelmente contraditórias. As atitudes populares eram mais acolhedoras que na Cristandade, e os visitantes europeus chocavam-se com frequência com a tolerância relaxada dos árabes, turcos e persas, que pareciam não ver nada de antinatural no amor entre homens e garotos. (Aqui já não sei se está se referindo a pedofilia como no costume O ‘bacha bazi’: a tradição afegã de jovens escravos sexuais ou sobre a homossexualidade ??) 

O escritor iraquiano Al-Jahiz (776-868), que escreveu amplamente sobre o amor, havia estabelecido a regra de que o ishq, ou amor apaixonado, só podia existir entre um homem e uma mulher. Mas Ibn Daud (868-909), que nasceu no ano da morte de Jahiz, reconheceu a possibilidade do amor entre homens em seu Livro da Flor (Kitab al-Zahra), e essa visão prevaleceu na cultura árabe tardia. Ibn Daud era tanto um jurista culto quando um literato; mas, de acordo com um relato citado diversas vezes, sua paixão por Muhammad ibn Jami (a quem dedicou o livro) fez dele um “mártir do amor”. (quer dizer, ele podiam amar, visto que ninguém tem controle sobre isso, mas não podiam se relacionar porque era considerado pecado)
“O amor não é nem reprovado pela Religião nem proibido pela Lei; pois todo coração está nas mãos de Deus, isto é, o amor é uma disposição inata que os homens não podem controlar ... Basta ao bom muçulmano abster-se das coisas que Deus proibiu, pelas quais, se escolher fazer, ele prestará contas no Dia da Ressurreição. Mas admirar a beleza, e ser dominado pelo amor — esta é uma coisa natural, e não faz parte do conjunto de mandamentos e proibições divinos ... dos santos e doutores cultos da fé que viveram nas eras há muito passadas, há alguns cujos poemas de amor são testemunho suficiente de sua paixão, de forma que não requerem explicação”. Ibn Hazm" 
[...] Infelizmente, embora saibamos que o amor por rapazes floresceu de modo espetacular na Pérsia islâmica, inspirando uma literatura de peso, sabemos pouco sobre os costumes persas antes da conquista árabe, e o que sabemos é contraditório. 

Então, a religião muçulmana paradoxalmente proibia, permitia e exaltava o desejo homoerótico. Na esfera legal, apresentava semelhanças impressionantes com o judaísmo e o cristianismo, mas estimulava uma atmosfera literária, social e afetiva radicalmente diferente, e muito mais tolerante. O contato sexual era proibido, mas o homem que admitisse o amor por outro homem ainda poderia ser respeitado e admirado. Ele não era, na cultura islâmica, um monstro imoral, um traidor do criador ou um pária que poderia expor uma nação à destruição nas mãos de uma divindade furiosa. [3]

"O imam francês Ludovic Mohamed Zahed, que fundou a primeira Associação de Homossexuais Muçulmanos da França (ele é o único teólogo no mundo a ter estabelecido relações entre ciências humanas, estudos de gênero e ciências religiosas). Doutor em Antropologia pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS) e professor de psicologia cognitiva, Zahed afirma que as pessoas que buscam uma condenação do homossexualismo no Alcorão se enganam:
"O texto sagrado do Islã não faz qualquer referência explícita à homossexualidade. 
Na minha opinião, o Islã não é um sistema fascista de controle das identidades. O islamismo não se refere explicitamente à homossexualidade. Os textos sagrados falam sobre a forma como devemos viver nossa sexualidade, ou seja, de maneira integrada e tranquila em relação a outros aspectos da nossa vida. Em mais de 70 versos, o Alcorão cita relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Isso acontece nas referências a Sodoma e Gomorra [duas cidades que teriam sido destruídas por Deus devido a práticas imorais, segundo a bíblia judaica], em um contexto de guerra entre israelitas e sodomitas da época. Os sodomitas não eram homossexuais. Eles são descritos como piratas, que violentavam homens e mulheres. Praticava-se o estupro ritual, o que foi confirmado por historiadores como o grego Heródoto (485?-420 a.C.)." [4]
"O poeta Abu Nuwas era homossexual, e recentemente sua obra foi alvo de banimento oficial no Egipto. Como ele, muitos outros muçulmanos célebres podem ser citados como gays, e sempre houve gays no mundo islâmico, pois em todas as culturas e em todos os tempos se pode encontrar homossexuais. A condenação não extingue a realidade, apenas mascara-a, a obriga a ser cautelosa. No Irão, onde pode acabar em condenação à forca, nem por isso deixa de haver vários homossexuais. Eles têm seus próprios códigos de identificação, não pode ser como no Ocidente, onde não há problema se o homem for efeminado (há problema, infelizmente). Na capital da Indonésia os gays já se reconheceram por um brinco pequeno numa das orelhas, ou por outras formas.

Certos muçulmanos liberais, como os membros da Fundação Al-Fatiha aceitam a homossexualidade e a consideram como natural, olhando a condenação religiosa como algo obsoleto no contexto da sociedade moderna, interpretando que o Alcorão se manifesta contra a luxúria homossexual, mas não dizendo nada sobre o amor homossexual. A escritora lésbica Irshad Manji tem manifestado a opinião de que a homossexualidade é permissível dentro do Islã, no entanto, esta continua a ser uma opinião minoritária. No xiismo islâmico, pensadores como o aiatolá Khomeini defenderam a legalização das operações de mudança de sexo se um homem se sente mulher, uma vez que o Alcorão não diz nada contra a mudança de sexo e, de fato, essas intervenções são legais atualmente no Irão." [5]

"Pensadores islâmicos medievais deduziram uma punição terrena por considerarem a homossexualidade como uma forma de adultério. Mas nomes significativos entre eles, como o estudioso do século 8, Abu Hanifa, o fundador da popular escola Hanifa de jurisprudência, argumentavam que como a relação homossexual não produzia filhos com um pai desconhecido, não poderia ser considerada adultério.

A verdadeira base islâmica para a punição da homossexualidade está nos hadiths, ou dizeres, atribuídos ao profeta Maomé. (O mesmo vale para a punição à apostasia, heresia, impiedade ou "insultos" ao islã: nada disso vem do Alcorão; tudo isso é proveniente de certos hadiths.) Mas os hadiths foram escritos quase dois séculos depois que o Profeta viveu, e sua autenticidade tem sido repetidamente questionada –-desde o século 9, pelo estudioso Imam Nesai –-e podem ser questionados atualmente. Além disso, não há registro de que o profeta tenha de fato punido alguém por ser homossexual." [6]

É de suma importância notar que o Alcorão fala do povo de Lot como um povo transgressor, que roubava, estuprava e tinha relações com outros homens, não por amor, mas por luxúria. Eu não acredito que o Alcorão esteja falando dos homossexuais, e mesmo que esteja, aí seriam homossexuais que usavam o sexo para depravação. O Alcorão condenado este tipo de relacionamento para os héteros também. 

Há outras formas de se olhar para o texto corânico e a opinião dos estudiosos (hadiths), e todas as leis cruéis que criaram em torno da homossexualidade, é apenas a opinião deles, de homens falíveis. No que você escolhe acreditar? Titia Polly Badawi




[1] "Matar homossexuais é um mandamento muçulmano, não do ISIS"
Por: Amálgama Traduções (12/06/2016) "Autoridades sunitas e xiitas modernas sancionam o assassinato de homossexuais." Andrew C. McCarthy, National Review Tradução: Daniel Lopes e Eduardo Wolf

[2]Imran Sidik, administrador da página Muçulmano e Português

[3] Tradução da autora brasileira Camila Fernandes de um trecho da obra de Louis Crompton, "Homossexuality and Civilization". Alguns trechos compartilhados pela página do Facebook Muçulmano e Português

[4] "Orlando: religioso muçulmano gay diz que Islã não condena homossexualidade" Por: Adriana Moysés Site: As Vozes do Mundo. Compartilhado pela página do Facebook Muçulmano e Português

[5] Wikipédia

[6] "Hostilidade de muçulmanos em relação à homossexualidade tem pouca base no Alcorão" Por: Mustafa Akyol Tradutor: George El Khouri Andolfato

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