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domingo, 22 de janeiro de 2017

Usar Véu em Solidariedade às Muçulmanas Perpetua a Opressão

Por Asra Q. Nomani, ex-repórter do Wall Street Journal, é co-fundadora do Movimento de Reforma Muçulmana e autora de "Standing Alone: An American Woman’s Struggle for the Soul of Islam." e Hala Arafa, analista de revisão de programa aposentada no Bureau Internacional de Radiodifusão e editora de notícias também aposentada no ramo árabe da Voz da América.
Tradução Pollyanna Meira

Sábado à noite na mesquita de Dar Al Noor, em Manassas, Virgínia, perto de campos de batalha da Guerra Civil, uma garota de cerca de 7 anos sentou-se de pernas cruzadas no canto de trás do mal iluminado salão de oração na "seção das irmãs" - uma grande barreira de vidro separava a garota da espaçosa "seção dos irmãos", onde cerca de 50 homens ouviam atentamente um pregador saudita que ignorava as "irmãs".



O cabelo da menina estava inteiramente coberto por um lenço que, de acordo com as diretrizes da mesquita, é o "apropriado vestuário islâmico", que inclui o véu para as meninas, enquanto os meninos apenas se vestem modestamente.

Como mulheres muçulmanas mainstream, nós não enxergamos o véu como um sinal de "escolha", mas como um símbolo de uma cultura perigosa que tem o foco voltado à "pureza" das mulheres, uma cultura que está sempre obcecada com a honra e a virgindade, e que tem dividido as comunidades muçulmanas em nossa própria guerra civil, ou fitna, desde que os regimes sauditas e iranianos promulgaram interpretações puritanas do islã sunita e xiita, após o boom do petróleo saudita de 1970 e a Revolução Iraniana de 1979.



A palavra hijab, ou o derivado dela, aparece oito vezes no Alcorão, com significado espiritual de "barreira" ou "cortina", não como algum tipo de vestimenta.

Hoje, mulheres bem-intencionadas usam lenços em uma inter-religiosa "solidariedade". Mas, para nós, elas estão do lado errado de uma guerra letal de idéias que objetiva sexualmente mulheres, e as colocam como vasos de honra e de tentação, absolvendo os homens de sua responsabilidade pessoal.



Essa cultura da pureza cobre, segrega, subordina, silencia, prende e mata mulheres e meninas em torno do mundo. Recentemente, em Bareilly, na Índia, um pai matou sua filha de 4 anos, esmagando sua cabeça contra o chão, quando o lenço escorregou de sua cabeça durante o jantar. Em Ontário, há alguns anos, um homem estrangulou sua irmã de 16 anos quando ela desafiou seu pai, inclusive por se recusar a cobrir os cabelos. Em novembro, um ex-instrutor da Universidade de Missouri arrastou -pelo cabelo- uma parente de 14 anos para fora da escola quando descobriu que ela não estava usando o véu. Hoje, no Irã, amigas da jornalista Masih Alinejad tiram fotos de si mesmas, com os cabelos à mostra, numa campanha que Alinejad começou, #MyStealthyFreedom, para protestar contra a lei obrigatória do véu do Irã.



No mês passado, depois de escrevermos um ensaio argumentando que o lenço não é islâmico, recebemos abusos verbais de líderes e acadêmicos muçulmanos americanos, nos chamando de "desprezíveis", "perturbadas clinicamente", "satanás" e "dajjal" anticristo.

Mas acreditamos que as mulheres têm o direito de usar - ou não usar - o lenço. Para esse fim, muçulmanos da Malásia à Minnesota muitas vezes nos disseram: "Obrigado."



Ao navegar nossas vidas nos campos de batalha de nossa fé, fazemos isso com o valor que esperamos que todos apoiem: rejeitando a cultura tirânicas da pureza e avançando com dignidade, com o vento em nossos cabelos.

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