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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Precisamos falar sobre as discrepâncias ensinadas em nome do Islã

Uma coisa que percebi no meio islâmico, é o fato da Ummah se calar diante de discrepâncias que um irmão comete. E se outro muçulmano critica, logo é recriminado, "pois isso dá motivo para os islamofóbicos falarem mal" ou difamarem o Islã.

Deixo claro que cabe somente a Deus julgar nossas falhas. Mas isso não significa fechar os olhos para os problemas dentro da Ummah.


Somos desencorajados a questionar os ensinamento "mainstream", porque alegam que é sinal de descrença. Por muito tempo, aceitei isso a contra-gosto, mas algo dentro de mim se incomodava com essa premissa. Eu conheci e abracei o Islã justamente por questionar o que foi passado sobre o Islã. Respostas que outras religiões não me deram, o Islã me deu.

Quando eu conheci a página Feminismo Islâmico, a qual participo hoje e me declaro orgulhosamente ativista, passei a ler e estudar outros pontos de vista de estudiosas feministas islâmicas e consultar mais o Alcorão.

E assim, aos poucos, mudei meu pensamento em relação à muitas coisas mas mantive outras. Fui tendo a certeza que o Islã é simples de se viver e praticar e que veio para facilitar nossas vidas para evoluirmos espiritualmente e sermos merecedores do Jannah. 

Mas nem tudo são flores: fui enxergando muitas discrepâncias, despautérios ensinados em nome do Islã. E com isso fui entendendo o que puxa o gatilho da islamofobia. Dói o coração em ter que dizer que alguns muçulmanos infelizmente a promovem. Afinal, quem quer saber de um Islã que dá passe livre para o casamento infantil? Que é favorável à Sharia, que ao invés de ser o caminho para a salvação, tornou instrumento para destruir nossas vidas.

Por muito tempo, ensinaram o seguinte:


Expondo as pessoas não leva ninguém a lugar nenhum. O pecado que você esconder do seu irmão quando chegar o dia Allah irá esconder os teus também.


Olha só, expomos quem nos expõe, quem nos ofende. Aliás, ofensas verbais, rechaçar, são passíveis de processo na justiça, e a internet NÃO é terra sem lei. Pessoas estão sendo punidas por acharem que ficariam impunes.


E mais: Allah nos ensinou que, não devemos faltar com a verdade, ainda que deponha contra nós mesmos, nossos familiares, amigos e etc. Logo essa premissa não é verdadeira.


Enquanto tiver gente TENTANDO JUSTIFICAR o casamento infantil, o apedrejamento, o seguimento de livros externos que contrariam o Alcorão, não iremos nos calar. Pelo contrário, continuaremos a denunciar. Devemos, nós muçulmanos, ser os primeiros a coibir o extremismo e a deturpação dos ensinamos do Alcorão.


E não, não promovemos a islamofobia. Precisamos parar de passar a mão na cabeça ou fazer vista grossa para o extremismo de alguns irmãos e irmãs.

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