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sexta-feira, 16 de junho de 2017

7 estudiosos muçulmanos que apóiam as Imamas


Em 2005, a estudiosa muçulmana Dra. Amina Wadud, conduziu as orações de sexta-feira, apesar das ameaças de bomba.

Curiosamente, 12 anos depois, a consultora muçulmana Yasmin Mogahed, abordou uma questão no site About Islam.

Mogahed invocou o consenso de que os homens deveriam conduzir as orações e que as mulher deveriam parar de imitá-los. Ela criou um binário entre liderança mundana e Divina e declarou que Dra Wadud admitiu que isso era um erro.

Trecho retirado da versão anterior de “About Islam”.

"Se fosse dada uma escolha entre a justiça impassível e a compaixão, eu escolheria a compaixão. Se fosse dada uma escolha entre a adoração mundana e a Divina, eu escolheria a Divina.
Seria conveniente observar que desde que a Dra. Wadud liderou as orações, ela admitiu que isso era um erro. Que Allah aumente suas bênçãos.
Espero que minhas palavras respondam sua questão. Caso tenha quaisquer comentários ou se precisar saber mais sobre o assunto, por favor, não hesite em nos contatar novamente. Obrigada e, por favor, mantenha contato."

Dra Wadud contactou o “About Islam” e solicitou-lhe que se retratassem daquela declaração como uma mentira, portanto, uma calúnia.

A resposta de Mogahed está convicta com o medo de "ocidentixicação", isto é, a adoção acrítica de valores ocidentais, em detrimento dos valores islâmicos. Tal posição, entretanto, reduz o Islã em antítese do Ocidente. Ela também cria um falso binário entre os valores islâmicos e ocidentais.

Além disso, em vez de reduzir a oração de Wadud à uma imitação tola do Ocidente, é importante ouvir diretamente o raciocínio da Dra. Wadud, que está firmemente enraizado nos valores islâmicos.

A resposta de Mogahed está de fato incorreta. Um artigo, cuja co-autoria é de Dra. Laury Silvers, afirma que não há proibição corânica sobre as imamas.
Mesmo uma leitura superficial de estudiosos Hanbali, que permitiu às mulheres liderarem orações em demasia, e estudiosos como al-Muzani, Abu Thawr, al-Dhahiri, al-Tabari e Ibn Arabi, todos os quais apoiam incondicionalmente o imamato feminino, mostra que não existe Consenso sobre o assunto.

Enquanto muitos argumentavam contra as imamas, eles admitiram a ausência de uma proibição do Alcorão, um ponto fundamentado por estudiosos como o Dr. Shabir Ally e o Dr. Jonathan Brown. O trabalho do Dr. Behnam Sadeghi sobre o pensamento jurídico de Hanafi também mostra os pressupostos socialmente contextuais subjacentes à discussão sobre as mulheres na oração.

O artigo de Silvers capta os argumentos dos estudiosos do passado. Aqueles que apoiaram o imamato feminino argumentaram, com base em um ahadith, que o Imam deveria ser o mais versado na leitura do Alcorão. Além disso, alguns como Ibn Arabi afirmaram profecias femininas e alegaram que "não se deve ouvir aqueles que proíbem sem provas".

Enquanto argumentos detalhados são relegados ao artigo de Silvers, segue lista de 7 religiosos islâmicos contemporâneos que apoiam o imamato feminino ou que mudaram de opinião e passaram a apoiá-lo:

1 – Javed Ahmad Ghamidi
O estudioso paquistanês Ghamidi mencionou, no evento em que Wadud liderou orações, em 2005, que ela não violou nenhuma diretiva da Sharia e se ela “tivesse feito algo errado”, seria quebrar a tradição. Mais recentemente, foi ainda mais direto em um vídeo no Youtube. Ele faz referência ao falecido dr. Hamidullah, um expert em Ahadith, quem afirmou que durante a época do profeta Muhammad, Umm Waraqa liderou orações mistas (homens e mulheres). Ghamidi é claro quando diz que as mulheres podem tudo, que elas podem ser cientistas e estudiosas islâmicas. Ele assegura quais objeções temos se as pessoas afirmam o imamato, e se elas lhes oferecem um sermão, nós ouviremos.
A opinião do ex gran-mufti Ali Goma faz um mesmo paralelo à este raciocínio.

2 – Abdullah Rahim
Rahim expressa que enquanto alguns estudiosos afirmam que o ahadith sobre Umm Waraqa é “fraco”, há muitos outros que afirmam que este é Hasan (bom). Ele faz uma distinção entre aspectos internos e externos de adoração e categoriza a questão do imamato feminino como parte deste último. Isso permite a conclusão que o status padrão da liderança feminina nas orações é permissibilidade. Rahim afirma que não podemos dizer que isto é haram (proibido, ilícito) e nem bid’ah (inovação) ou contra Sharia.

3 – Hamza Yusuf
Enquanto se opôs, inicialmente, contra o imamato feminino, Yusuf mudou seu ponto de vista. No Youtube, ele expressou:

"Quando estudei a questão da oração, estava tão preso ao fato que isso não só foi discutido, mas como também havia diversas opiniões. O próprio Ibn Taymiyyah permitiu que mulheres liderassem orações quando os homens eram iletrados e elas, letradas. Ibn Taymiyyah! Permitindo as mulheres liderarem os homens nas orações!"

4 - Khaled Abou El Fadl
De acordo com Dr. Fadl, havia, pelo menos, duas escolas de pensamento que permitia à mulher liderar os homens em orações, se essa mulher em questão fosse a mais instruída. Assim como Ghamidi, ele é claro quando diz que essa questão é mais prática costumeira de consenso masculino do que uma evidência textual direta. Ele opina:

"Parece-me que se uma mulher possuir maior conhecimento que um homem - se for mais capaz de dar um bom exemplo em termos de como recita o Alcorão e de ensinar a comunidade sobre a fé Islâmica - Ela não deve ser impedida de liderar a oração de Jumu'a (oração da sexta-feira), simplesmente por ser mulher."

5 - Mohammad Fadel
De acordo com Silvers, enquanto Fadel considerava o imamato feminino proibido, ele mudou de opinião argumentando que o respeito pelas mulheres na comunidade não pode ser internalizado até que as autoridades masculinas rezem sob a liderança das mulheres.

6 - Khaleed Mohammad
Imam Mohammad se preocupa com aqueles que são contra o imamato feminino transformem as mulheres em objetos sexuais.

Ele assegura: 
"Meu apoio é para a Dra. Amina e rezo para que ela tenha a força para continuar ensinando os homens (e as mulheres) do Islã a necessidade de não só sair da mentalidade estática do passado, mas evitar que eles recuem para o retrocesso."

7 - Hassan Turabi
O falecido estudioso sudanês confirmou a permissibilidade com base na permissão do Profeta. Ele expressou com indignação: 

"Quando há uma mulher devota, religiosa... ela deve liderar as orações e quem se distrai com sua beleza devia ser considerado doente". 

Muitos homens apoiam as imamas. O Grand Mufti de Marselha, Sohaib ben Cheikh até pediu que às imamas que o conduzissem na oração. 

Muitas mulheres têm conduzido orações, incluindo Nakia Jackson, Pamela Taylor, Ghazala Anwar entre outras. Algumas até lideraram orações antes da dra. Amina Wadud em 2005. 

Grupos como Muslims for Progressive Values, Uniservalist Muslims, El-Tawhid Juma Circle, entre outros, continuam a afirmar o imamato feminino. No entanto, dra. Wadud não precisa de defesa. Ela fez história!


Tradução por Ana Lúcia Meschke

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