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sábado, 17 de junho de 2017

"ISLAMOFOBIA"

O termo “islamofobia” aparece escrito pela primeira vez na França na década de 1920 como “islamophobie”, e reaparece na década de 1970. No entanto, essas duas aparições do termo contam com diferenças em suas significações. A primeira se refere a disputas e diferenças dentro do Islã, e a segunda, ao repúdio aos muçulmanos e ao islamismo (LORENTE, 2012)

Em 1992 a Runnymed Trust - instituição independente que visa pesquisar e promover a diversidade cultural e étnica no Reino Unido – criou a Comissão para os Muçulmanos Britânicos e Islamofobia (Commission on British Muslims and Islamophobia). Essa comissão em 1997enuncia uma definição para “islamofobia” que foi amplamente aceita: islamofobia se refere ao pavor ou ódio do Islã, portanto, gera medo e antipatia sobre todos os muçulmanos e inclusive os muçulmanos árabes [...].


Chris Allen, em seu artigo “Islamophobia and its Consequences” (2007), coloca que é a partir de tal explanação que esse conceito começou a ter relevância fora do Reino Unido. Javier Rosón Lorente, em “Discrepancias en torno al uso del término islamofobia” (2012), também comenta que esse episódio abriu espaço para críticas, no que concerne ao uso indevido deste termo.


O termo “islamofobia” não deve ser entendido como um termo estático, mas sim, em constante mudança e atualização. Segundo Lorente (2012, p. 170), há três grandes correntes críticas e várias outras de diversos segmentos que contestam a validade do uso da palavra. Essas três correntes principais são de razão racial, étnica e religiosa.

" ... Ao lado do canal oficial da Brigada da Honra, surgiu uma comunidade autodenominada Policiais Contra a Blasfêmia - de blogues anônimos como LoonWatch.com, Ikhras.com - e um grande número de ativistas de mídia social  para tentar controlar os debates sobre o Islã. Eles lançam o rótulo "islamofobia" contra peritos, jornalistas e outros que se atrevem a falar sobre a ideologia extremista da religião. ..." Asra Nomani 
A crítica racial coloca que a islamofobia seria um tipo de racismo proveniente em primeiro lugar das elites intelectuais, e destas foi se difundindo. Esse “novo racismo” é baseado no medo ao Islã. Lorente coloca que isso implica combinações entre os demais preconceitos, como o religioso e o cultural. Em um primeiro momento é raro que um muçulmano seja excluído apenas pela sua religião, portanto, é uma fusão de fatores que contribuem para isso, como por exemplo, a vestimenta, a cor da pele, o fenótipo, as expressões de nacionalismo, cultura, religião, história, mas também por ser imigrante ou refugiado.

A crítica religiosa se resume em dois pontos principais: O primeiro, diz respeito à apropriação por alguns muçulmanos do uso do termo “islamofobia” para tentar impedir qualquer crítica vinda de fora sobre a religião muçulmana, seria uma espécie de proteção para que ela não pudesse ser questionada. No segundo, propõe-se que associar a palavra islamofobia ao medo, ódio ou preconceito ao Islã, em sua forma religiosa, é um erro, pois considera-se que os preconceitos racial, étnico e cultural, são muito maiores e mais notáveis que o religioso. 


[...]


Lorente não concorda com o emprego da palavra “fobia” em “islamofobia”. Ele se aproxima de Allen com a justificativa de que esse sentimento de medo é irracional, repele e se põe em defensiva contra o Islã. Outra crítica quanto à formação do termo é o uso de “islam”, que faz referência ao ódio por uma unidade. Claramente, isso engloba questões de religião, raça, etnia, cultura. No entanto, nem todos os muçulmanos possuem todas essas características em comum, deixando transparecer a inexatidão no uso do termo “islamofobia”. Na opinião de Lorente, islamofobia necessitaria dos 150 anos que necessitou “antisemitismo” para ser um termo gramaticalmente aceito. (1)
"A arma mais eficaz usada pelo inimigo (terroristas) é a islamofobia, então, não é aceitável fazermos perguntas difíceis. Se queremos saber os motivos pelos quais os jihadistas estão matando nossos filhos, eles chamam de islamofobia. O diálogo e a discussão em torno da insurgente jihad global não são bem-vindos, porque agora vivemos em um mundo onde a correção política é a norma, e os guardiões da palavra estão lá fora para te pegar, caso você ultrapasse o limite prescrito do usa das palavras ..." Raheel Raza
Segundo o texto abaixo, fobia seria "um medo irracional, diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa." Uma doença< que deve ser tratada.

Não existe "islamofobia", o que existe é uma aversão aos muçulmanos gerada pelas atitudes de grupos muçulmanos fundamentalistas, pelo atraso e barbáries dos próprios países muçulmanos, por textos religiosos que aprovam barbáries como o apedrejamento, casamento infantil, morte de apóstatas e gays, pelo terrorismo islâmico e assim por diante. E esse fundamentalismo exagerado não se restringe apenas aos países de maioria muçulmana, ao ocidente também, quando "imãs nas suas mesquitas, no dizer de gente "inside", não se declaram criticamente em relação aos versos do Corão que apelam à violência" (que são retirados do contexto ou mal interpretados), não falam do direito a determinar o próprio modo de vida (calam os casamentos forçados), calam a violência da "sharia", silenciam o aspecto problemático do uso do lenço e do chador, ocultam a discriminação da mulher". (2) 
A violência também está nas ideias e ideais. 

Grupos muçulmanos reformistas (que buscam uma interpretação mais humana e igualitária do Alcorão) são perseguidos e ameaçados pelos próprios muçulmanos. Um exemplo, dentre tantos, é o da Irshad Manji, que anda com seguranças, e tem sua casa com vidros à prova de balas (ela não é a única). Eu mesma já fui acusada de islamofóbica/psicopata/xenofóbica apenas por pedir mudanças. Isso, nos leva de volta à 1920 quando o termo foi concebido, e esse para mim é o seu melhor sentido. Não existe um medo irracional, existe um medo real.


Tenho certeza de que o termo está sendo mal empregado.


Jogar a culpa no outro ("ódio contra os muçulmanos"), dizer "nem todo muçulmano", é uma solução prática é rápida, mas não resolve nossos problemas (nem do outro) se existe uma interpretação fundamentalista do Islã sendo ensinada pela maioria. Um debate sério e um olhar para dentro é necessário!


Veja também o caso dos imigrantes e refugiados, eles, quando saem de países de maioria muçulmana, conseguem uma vida realmente boa e de sucesso no ocidente, e os que não conseguem, não é por uma questão religiosa. Os países que barraram imigrantes de países de maioria muçulmana, foi por questões religiosas? Os ataques aos muçulmanos são generalizados? Pense nisso. E qualquer informação que queiram acrescentar, será bem-vinda.


=====


FOBIA


"O medo é um sentimento comum a todas as espécies animais e serve para proteger o indivíduo do perigo. Todos nós temos medo em algumas situações nas quais o perigo é iminente.


((((A fobia pode ser definida como um medo irracional, diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa.)))) Com isto, essa situação ou esse objeto são evitados a todo custo. Essa evitação fóbica leva muito freqüentemente a limitações importantes na vida cotidiana da pessoa. As fobias são acompanhadas de ansiedade importante e também freqüentemente de depressão.


Os transtornos fóbico-ansiosos, constituem um grupo de doenças mentais onde a ansiedade é; ligada predominantemente a uma situação ou objeto. Há três tipos principais de fobia:


1. Agorafobia: inclui medo de espaços abertos, da presença de multidões, da dificuldade de escapar rapidamente para um local seguro (em geral a própria casa). A pessoa pode ter medo de sair de casa, de entrar em uma loja ou shopping, de lugares onde há; multidões, de viajar sozinho. Muitas pessoas referem um medo aterrorizante de se sentirem mal e serem abandonadas sem socorro em público. Muitas pessoas com agorafobia apresentam também o transtorno de pânico.


2. Fobia sociail: neste caso a pessoa tem medo de se expor a outras pessoas que se encontram em grupos pequenos. Isto pode acontecer em reuniões, festas, restaurantes e outros locais. Muitas vezes elas são restritas a uma situação, como por exemplo, comer ou falar em publico, assinar um cheque na presença de outras pessoas ou encontrar-se com alguém do sexo oposto. Muitas pessoas apresentam também baixa auto-estima e medo de criticas. Usualmente a pessoa nessas situações apresenta rubor na face, tremores, náuseas. Em casos extremos pode isolar-se completamente do convívio social.


3. Fobias especificas (ou isoladas): como o próprio nome diz, são fobias restritas a uma situação ou objeto altamente específicos, tais como, animais inofensivos (zoofobia), altura (acrofobia), trovões e relâmpagos (astrofobia), voar, espaços fechados (claustrofobia), doenças (nosofobia), dentista, sangue, entre outros. A incapacitação da pessoa no dia a dia depende do tipo de fobia e de quão fácil é evitar a situação fóbica.


As fobias atingem cerca de 10% da população. Em geral surgem na infância ou adolescência, persistindo na idade adulta se não são tratadas adequadamente. Acometem mais freqüentemente pessoas do sexo feminino (com exceção da fobia social, que atinge igualmente homens e mulheres).Depressão, uso de drogas e álcool podem ocorrer freqüentemente associados aos transtornos fobico-ansiosos.


O tratamento das fobias se faz com a associação de medicamentos com psicoterapia. Os medicamentos mais utilizados pertencem ao grupo dos antidepressivos; os ansiolíticos também são freqüentemente indicados. A psicoterapia auxilia na compreensão de fatores que podem agravar ou perpetuar os sintomas fóbicos." (3)

(1) Partes do estudo O ESTUDO DA ISLAMOFOBIA ATRAVÉS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO que também aborda, como o próprio nome diz, a "islamofobia" nos meios de comunicação (que não ocorre de tudo) e sobre o banimento dos "véus" na França 
(2) Solução Contra o Fundamentalismo Islâmico: Apoiar os Muçulmanos Reformistas 
(3) Prof. Dr. Mário Rodrigues Louzã Neto - psiquiatra psicanálise

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