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segunda-feira, 12 de junho de 2017

O Jejum, segundo o Alcorão - Parte 2

Continuação do texto escrito por Fátima, uma das colaboradoras da página Feminismo Islâmico

De fato o Corão prescreve o jejum. Mas não de alimentos.


"Se não é de comida, é de quê?". Um dos sinônimos de jejum é "abstinência", que "é o ato de se privar de alguma coisa, em prol de algum objetivo" (fonte: www.significados.com.br). Assim, pode-se fazer abstinência de sexo, de drogas, de comida e, inclusive, de falas e/ou ações. Assim, de acordo com a lógica que todos os versículos do Corão se complementam (02:106), podemos concluir que devemos fazer abstinência de palavras. "Mas por quê?". interpretamos que o silêncio é um momento de introspecção e de meditação, provavelmente uma maneira de pedir desculpas a Deus. Pensamos assim pois Maria duvidou dos milagres divinos e, também, por ter sido Zacarias, marido da prima de Maria, tornado mudo por Deus devido a descrença que sua esposa, Ana, conceberia um filho mesmo depois de velha (02:38-41 e 19:08-10). Nossa interpretação pode ser complementada com o trecho: "E não mais deiteis com elas, e permanecei em devoção nas mesquitas".

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(3:41) Disse: Ó Senhor meu, dá-me um sinal. Asseverou-lhe (o anjo): Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais. Recorda-te muito do teu Senhor e glorifica-O à noite e durante as horas da manhã.


"Mas nunca duvidei de Deus!". Não é para ficar em jejum só porque você duvidou dEle, pode-se ficar em jejum (abstinência!) de palavras por algum pecado que cometeu também, ou para refletir sobre suas atitudes durante o ano ("Deus, será que fui muito intolerante com as pessoas este ano?")."E terei que ficar em silêncio durante um mês inteiro?!". A resposta é: Depende! Depende do erro cometido. Você pode jejuar 2 meses se tiver matado alguém involuntariamente, por exemplo.

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O jejum prescrito como pena:

(4:92) Não é dado, a um fiel, matar outro fiel, salvo involuntariamente; e quem, por engano, matar um fiel, deverá libertar um escravo fiel e pagar compensação à família do morto, a não ser que esta se disponha a perdoá-lo. Se (a vítima) for fiel, de um povo adversário do vosso, impõe-se a libertação de um escravo fiel; porém, se pertence a um povo aliado, impõe-se o pagamento de uma indenização à família e a manumissão de um escravo fiel. Contudo, quem não estiver em condições de fazê-lo, deverá jejuar dois meses consecutivos, como penitência imposta por Deus, porque Ele é Sapiente, Prudentíssimo.


(5:89) Deus não vos reprova por vossos inintencionais juramento fúteis; porém, recrimina-vos por vossos deliberados juramentos, cuja expiação consistirá em alimentardes dez necessitados da maneira com que alimentais a vossa família, ou em os vestir, ou em libertardes um escravo; contudo, quem carecer de recursos jejuará três dia. Tal será a expiação do vosso perjúrio. Mantende, pois, os vossos juramentos. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que Lhe agradeçais.


(5:95) Ó fiéis, não mateis animais de caça quando estiverdes com as vestes da peregrinação. Quem, dentre vós, os matar intencionalmente, terá de pagar a transgressão, o equivalente àquilo que tenha morto, em animais domésticos, com a determinação de duas pessoas idôneas, dentre vós. Que tais animais sejam levados como oferenda à Caaba. Ou, ainda, fará uma expiação, alimentando alguns necessitados ou o equivalente a isto em jejum, para que sofra a conseqüência da sua falta. Deus perdoa o passado; porém, a quem reincidir Deus castigará, porque é Punidor, Poderosíssimo.

(58:3-4) E os que repudiam assim a esposa e, depois, retiram suas palavras, devem libertar um escravo antes de voltar a tocá-la. Sois exortados a assim proceder. Deus observa o que fazeis. // Quem não possuir escravos, deverá jejuar dois meses consecutivos antes que os dois voltem a tocar-se. E quem não puder jejuar, deverá alimentar sessenta necessitados. Isso para que creiais em Deus e em Seu Mensageiro. Tais são os limites de Deus.


(2:196) E cumpri a peregrinação e a Umra, a serviço de Deus. Porém, se fordes impedidos disso, dedicai uma oferenda do que vos seja possível e não corteis os vossos cabelos até que a oferenda tenha alcançado o lugar destinado ao seu sacrifício. Quem de vós se encontrar enfermo, ou sofrer de alguma infecção na cabeça, e a raspar, redimir-se-á mediante o jejum, a caridade ou a oferenda. Entretanto, em condição de paz, aquele que realizar a Umra antes da peregrinação, deverá, terminada esta, fazer uma oferenda daquilo que possa. E quem não estiver em condições de fazê-lo, deverá jejuar três dias, durante a peregrinação, e sete, depois do seu regresso, totalizando dez dias. Esta penitência é para aquele que não reside próximo ao recinto da Mesquita Sagrada. Temei a Deus e sabei que é Severíssimo no castigo.

Sempre lembrando que o jejum é abstinência de palavras!!!


Jejum prescrito como meditação, auto-reflexão:


O Corão (2:183) afirma que o propósito do jejum é desenvolver taqwa. As palavras taqwa e taqiyyah vêm da mesma raiz árabe (w-q-y), que significa "piedade, devoção, compaixão, atenção plena".


Resumindo:

1) O jejum é, na verdade, abstinência de palavras (principalmente ofensas), de modo a criar uma maior conexão e devoção para com Deus;
2) A abstinência de palavras deve ser feita durante certo período de dias. Ela se inicia após o nascer-do-sol e termina após o pôr-do-sol. Durante a noite, coma, beba e seja feliz com seu(sua) companheiro(a). Ao amanhecer, volte à sua introspecção e assim permaneça até a aurora. Isso não lhe impede de viver sua vida, contanto que respeite a abstinência;


Agora, nossa tradução:


A Vaca (capítulo 2)

(2:183) Ó vós que credes, foi-vos prescrito o voto de silêncio (asshiyaamu), como o foi aos que vos precederam. E possais tornar-vos piedosos!
(2:184) O voto deve ser realizado em dias específicos. Mas quem dentre vós estiver doente ou viajando, que troque esses dias por outros. Aos que não desejam abster-se (de palavras), mesmo podendo-o, impõe uma compensação: a alimentação de um indigente. Aquele que fizer mais, receberá mais. Contudo, é melhor para vós que fazeis o voto. Se soubésseis!
(2:185) Manifesta centelha o acompanha, Corão: vidência, orientação e discernimento para a humanidade. Portanto, quem entre vós tenha experimentado a manifestação deve fazer voto de silêncio (yasyumhu); e quem estiver doente ou viajando, que faça o voto durante outros dias em substituição. Deus deseja facilitar, não dificultar. Mas cumpri o conograma, e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.
(2:186) E quando Meus servos te interrogarem sobre Mim, dize-lhes que estou perto deles. Respondo ao apelo de quem para Mim apelar. Que eles também respondam a Meu apelo e creiam em Mim. Quiçá encontrem assim a senda da retidão.
(2:187) Está-vos permitido, nas noites dos votos (asshiyaami), acercar-vos de vossas mulheres, porque elas são vossas confidentes e vós o sois delas. Deus sabe o que vos fazíeis secretamente, e Ele aceitou vosso arrependimento e vos perdoou. Procurai-as, pois, e aprendei o que Deus prescreveu em vosso favor. E comei e bebei até que comeceis a distinguir, na aurora, a linha branca da linha preta. Depois, realize o voto (asshiyaama) até a noite. E não mais deiteis com elas, e permanecei em devoção nas mesquitas. Tais são os limites de Deus. Não os transcendais. Assim Deus manifesta Suas revelações aos homens. Quiçá se tornem piedosos.


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