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sábado, 3 de junho de 2017

O Islam é Multicultural

A cultura é o maior patrimônio da humanidade. Sua presença é o que nos diferencia dos outros animais, literalmente aculturados. E Deus, tendo ciência disso, afinal ele é, sem sombra de dúvida, o Sapientíssimo e Onisciente Senhor dos Mundos, criou para a humanidade a religião perfeita, justa, livre de contradições e fácil de seguir em quaisquer gerações: o islã. Porém, é notável, provavelmente não para a maioria dos muçulmanos, que a atual e majoritária interpretação do islã está completamente arabizada e as culturas individuais de cada nação desvalorizadas e demonizadas. Um fácil exemplo disso é a "vestimenta islâmica apropriada de um bom muçulmano" instituída pelos líderes religiosos: para as mulheres, o típico "hijab" cobrindo quase a totalidade do corpo com exceção das mãos e do rosto (no Irã até as mãos devem ser parcial ou inteiramente cobertas); para os homens barba ("quanto maior, melhor"), calças compridas, ou bermudas que cubram os joelhos, camisa (se for de manga comprida, "melhor") ou um kandoora (também conhecido como thobe ou dishdasha). Esse código de vestimenta segue com tamanha força a cultura árabe que não poupo nenhum muçulmano que venha dizer que é a maneira certa de se vestir: peça para um indígena xinguano ou amazonense vestir-se de tal maneira e ele considerará banal o seu uso, pois não há em sua cultura perversão na nudez.
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Outro exemplo, é a sobre-valorização da língua árabe, muitas vezes considerada divina: ora, se o islã é para todos, por que não considerar todas as linguagens divinas ou dignas de apreciação? Por acaso Deus não nos criou em diferentes culturas e etnias? Por que temos que rezar em árabe se nem todos compreendem o que está sendo dito? Por acaso Jesus, que era israelense, de língua aramaica, rezou em árabe? E por que temos que proferir o Corão em árabe, se muitos sequer sabem o que lêem? Devemos, assim, pois, aprender o árabe obrigatoriamente? Não seria melhor que traduzissem perfeitamente o Corão? Argumentam que para manter o Corão a salvo de distorções de ideias, é preferível deixá-lo em árabe. Mas que ingênuo argumento! Se tivesse sido de fato preservado sua original interpretação e sentido, não existiriam tantas vertentes e contradições no meio islâmico! E isso não ocorre somente nos países não-árabes, ocorre principalmente em países árabes! A vertente reformista conseguiu traduzir o Corão e conseguiu evitar todas as contradições já proferidas, ainda mantendo coerência com a realidade! Será que é de fato impossível manter seu sentido ou apenas querem manter a arabização do islamismo?
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Por fim, ouso dizer: o islã, ao contrário do que se pensa, só será melhor aceito pelas pessoas se ((todos)) no mundo puderem segui-lo sem terem que abdicar de suas culturas. Qualquer cultura pode ser mantida no islã, contanto que sigam as leis de Deus prescritas no Corão (e somente nele) e que não haja nenhuma divindade a seu lado. Eu sou indígena brasileira, mestiça, orgulhosamente uma mistura da cultura ítalo-brasileira e indígena, e digo com convicção que não há nenhum deus senão Allah.

(Link da tradução reformista do Corão (em inglês) por Edip Yuksel, Layth Saleh al-Shaiban e Martha Schulte-Nafeh. O Corão, de fato, começa a partir da página 40, indo até a página 394.) Na imagem, uma representação boolywoodiana de Mastani, uma mulher, princesa e guerreira muçulmana de origem indiana, filha do rei de Buldekhand, esposa de Peshwa Bajirao I, um bravo guerreiro e primeiro-ministro hindu do século XVIII. Ela era filha de pai hindu e mãe muçulmana e respeitava a cultura e religião de ambos, nunca deixando de crer em Allah.

Fátima 
(A Fátima e uma das administradoras de nossa página do facebook)

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