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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

"Vai Ser Feminista Islâmica No Oriente"

"Feminists Inshallah" (Feministas se Deus Quiser: História do feminismo árabe - dirigido pela Feriel Ben Mahmoud) engloba mais de 100 anos de história, começando com o feminista egípcio Qasim Amin (1863-1908), cujas aspirações nacionalistas para o Egito alimentaram sua afirmação de que o Corão apoia os direitos das mulheres. Um essencialista feminista, Amin acreditava que a superioridade moral das mulheres, alimentada pela educação e direitos civis, iria revelar-se crucial para o Egito se livrar do jogo do colonialismo e prosperar no mundo moderno. Na sequência, temos o nacionalista tunisino Tahar Haddad (1899-35) que adotou a posição de Amin, e que teve grande influencia sobre os líderes da Tunísia. Apesar do fato de que a história credita a feminista egípcia Huda Shaarawi como a primeira mulher muçulmana a publicamente - e dramaticamente - descartar o véu, em uma estação de trem do Cairo em 1922, A Tunísia concedeu mais direitos às mulheres após a independência do que alcançaram as mulheres egípcias.

Quando Gamal Abdel Nasser, em uma reunião com o presidente da Tunísia, Habib Bourguiba (que chamou o hijab de "pano miserável"), elogiou as realizações de Bourguiba - educação pública para todos, direitos de divórcio para mulheres, contracepção legal e aborto - Bourguiba perguntou por que Nasser não podia fazer o mesmo. Muitos atribuíram o "não posso" de Nasser à sua cautela em relação à Irmandade Muçulmana, que já era um poderoso contrapeso ao pan-arabismo.

Aparece também a história de Ben Mahmoud, um estudioso educado pela Sorbonne cujos filmes anteriores incluíram uma história da Tunísia e uma biografia de Umm Kulthum. Ele reconhece a influência liberalizadora das performances de Kulthum em todo o mundo árabe, bem como a influência da glamourosa indústria cinematográfica egípcia da década de 1950 e 60. Artistas como Samia Gamal celebraram a beleza e sensibilidade do corpo feminino - prefigurando uma geração contemporânea de feministas no mundo árabe e no Ocidente, que tornaram o corpo livre o foco de seu trabalho.

Hoje, as antenas parabólicas que coexistem com os minaretes nos céus das cidades árabes sinalizam diferentes canais. Os conservadores e os islamistas viram a esmagadora derrota da Guerra dos Seis Dias de 1967, por um Estado fundado como uma entidade religiosa, como ponto de viragem, punição e repreensão aos modernistas. (De forma semelhante, os conservadores americanos e os cristãos fundamentalistas interpretaram a derrota dos Estados Unidos no Vietnã como uma punição e repreensão ao liberalismo, uma posição que fortaleceu sua oposição permanente ao feminismo e aos direitos das mulheres.) O poder crescente da Arábia Saudita, em uma economia mundial baseada no petróleo, também propagou o wahabismo em todo o Oriente Médio.

A historiadora Sophie Bessis, uma das várias estudiosas que aparecem no "Feminismo Inshallah", afirma que a influência saudita, bem como as revoluções e lutas contínuas para a autodeterminação na região, transformaram "esse pano miserável" de um grilhão a um "símbolo da libertação política", e depois em uma norma social e religiosa generalizada. (Não tão ironicamente, muitos no Ocidente vêem essa transformação como invertida.)

Ben Mahmoud encontra esperança no trabalho de feministas mais jovens - incluindo "Dialy", uma peça marroquina que lembra "Os Monólogos da Vagina" e um amplo projeto de redes sociais projetado por duas feministas libanesas. Ela termina "Feminists Inshallah" com uma montagem de capturas de tela de jovens sorridentes de vários países árabes, segurando cartazes declarando seu apoio aos direitos das mulheres.



AL JADID MAGAZINE
Tradução Tia Polly

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